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Vincent Kompany: o técnico que saiu em defesa de Vinícius Júnior e carrega no DNA uma história de resistência
Filho de refugiado congolês, treinador belga associa vivência pessoal ao debate sobre discriminação no futebol
O nome de Vincent Kompany voltou ao centro do debate internacional após o treinador se posicionar publicamente em defesa de Vinícius Júnior em meio a mais um episódio de racismo no futebol europeu. Atual comandante do FC Bayern München, o ex-zagueiro belga adotou um discurso firme contra a minimização de casos de discriminação e reforçou a necessidade de empatia e responsabilidade coletiva no esporte.
Mas o posicionamento de Kompany não é casual, ele carrega uma história familiar profundamente conectada à luta por dignidade e representatividade.
Da liderança em campo ao comando na Europa
Antes de se tornar treinador, Kompany construiu uma carreira sólida como jogador. Ídolo do Manchester City, foi capitão em um dos períodos mais vitoriosos da história do clube, conquistando quatro títulos da Premier League e se consolidando como referência de liderança dentro e fora de campo. Também foi capitão da seleção belga, participando da histórica campanha na Copa do Mundo de 2018.
Após encerrar a carreira, iniciou sua trajetória como técnico no Anderlecht, passou pelo Burnley e assumiu o Bayern de Munique, onde passou a comandar um dos maiores clubes do continente europeu.
A defesa de Vinícius Júnior
Ao comentar o caso envolvendo Vinícius Júnior, Kompany criticou abordagens que relativizam o impacto do racismo e destacou que a reação emocional do jogador brasileiro precisa ser compreendida dentro de um contexto histórico e estrutural.
O treinador ressaltou que episódios como esse não podem ser tratados como situações isoladas ou exageros individuais, mas como reflexo de um problema persistente no futebol europeu. Sua fala ganhou repercussão por trazer a perspectiva de alguém que também vivenciou experiências ligadas à discriminação racial ao longo da carreira.
A influência de Pierre Kompany
A postura de Vincent está diretamente ligada à trajetória de seu pai, Pierre Kompany. Nascido na República Democrática do Congo, Pierre chegou à Bélgica em 1975 como refugiado político, fugindo do regime de Mobutu Sese Seko. Engenheiro de formação, trabalhou como motorista de táxi antes de ingressar na política.
Em 2018, tornou-se o primeiro prefeito negro da Bélgica, ao ser eleito no município de Ganshoren, na região de Bruxelas, um marco histórico para a representatividade racial no país. Sua trajetória de imigração, resiliência e atuação pública moldou profundamente a formação de Vincent, especialmente no que diz respeito a identidade, responsabilidade social e enfrentamento ao racismo.
Filho de um refugiado que quebrou barreiras na política europeia, Vincent Kompany cresceu em um ambiente onde questões de identidade, pertencimento e justiça social nunca foram periféricas. Seu posicionamento em defesa de Vinícius Júnior reforça essa herança.




