Música
“The Other Side”: o disco em que Seu Jorge escolhe o tempo e não o mercado, a beleza de não ter pressa
Com lançamento marcado para 8 de maio, álbum construído ao longo de 16 anos revela não uma nova fase, mas a síntese de todas elas, em uma abordagem mais intimista e cinematográfica
Existem discos que chegam para ocupar espaço. E existem discos que chegam para reposicionar um artista no mundo.“The Other Side” pertence ao segundo grupo. O novo trabalho de Seu Jorge, chega às plataformas no dia 8 de maio, mas sua história começou muito antes disso.
Seu Jorge não tenta acompanhar o ritmo da indústria, ele desacelera, respira e propõe outra lógica. Foram 16 anos de construção, ao lado do produtor Mario Caldato Jr., até que o álbum encontrasse seu próprio tempo.
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Há algo deliberadamente contido em “The Other Side”. Nada aqui soa apressado, imediato ou fácil. Os arranjos orquestrais de Miguel Atwood-Ferguson não aparecem como excesso, mas como ambiente. O disco se constrói mais por atmosfera do que por impacto, mais próximo do cinema do que da lógica radiofônica.
Não é um álbum de hits. É um álbum de imersão.E talvez por isso ele cause um certo estranhamento inicial: ele exige tempo de escuta, algo cada vez mais raro.
Entre releituras e encontros, um mapa afetivo da música
A escolha do repertório revela muito sobre o que Seu Jorge está tentando construir aqui. Ao revisitar nomes como Milton Nascimento, Arthur Verocai e Nick Drake, o álbum não se ancora apenas na nostalgia, ele reorganiza essas referências dentro de uma nova estética, mais silenciosa, mais densa.
As participações também não são pontuais, elas são estruturais. O encontro com Marisa Monte em “Quando Chego” é talvez o momento mais emblemático desse equilíbrio entre precisão e sensibilidade. Já Maria Rita, em “Vento de Maio”, tenciona tradição e contemporaneidade com naturalidade.
Enquanto isso, Beck e o coletivo Zap Mama ampliam o campo do álbum, não como internacionalização forçada, mas como continuidade de linguagem.
A tracklist como narrativa
Mais do que uma sequência de músicas, a tracklist de “The Other Side” funciona como uma espécie de percurso emocional:
- Crença (Milton Nascimento / Marcio Borges)
- Vento de Maio feat. Maria Rita
- Girl You Move Me
- Luz da Escuridão
- Caboclo (Arthur Verocai / Vitor Martins)
- Folia do Amor
- Quando Chego feat. Marisa Monte
- Flor de Laranjeira
- River Man (Nick Drake)
- Far From The Sea (Zap Mama)
- Beleza Bárbara
Há uma costura invisível entre essas faixas, como se o disco inteiro fosse guiado por uma mesma intenção: criar continuidade, não ruptura.
O artista por trás do tempo
Para entender por que esse disco existe dessa forma, é inevitável olhar para a trajetória de Seu Jorge.
De Belford Roxo para o mundo, sua carreira nunca foi linear. Teatro, samba, cinema, funk, MPB, tudo sempre coexistiu como linguagem. De Samba Esporte Fino às releituras de David Bowie, Seu Jorge sempre operou em deslocamento.
Mas aqui, o movimento é outro. Não é mais sobre ir para fora. É sobre voltar com mais consciência. “The Other Side” não apresenta um novo Seu Jorge, ele apresenta um artista que finalmente não precisa provar mais nada.
Um disco que escolhe existir fora da pressa
Em um cenário onde a música é cada vez mais pensada para o consumo rápido, “The Other Side” funciona quase como um gesto contrário.
Ele não busca viralizar. Ele busca permanecer. “Talvez esse seja o disco que melhor explique o que é o Seu Jorge”, diz o artista.Ou talvez seja o disco que mostra que, depois de tudo, o mais radical que um artista pode fazer hoje é algo simples: respeitar o próprio tempo. Faça Pré-salve do novo álbum, clicando aqui.






