4 de novembro de 2026

Representatividade

Terceira edição de “Narrativas Negras Não Contadas” estreia amanhã, 05/11, na HBO Max

Com três curta-documentários dirigidos por profissionais negros, projeto apresenta histórias sobre ciência, poesia, memória, identidade e representatividade

Barbara Braga | 04/11/2026
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- Crédito: Divulgação

Histórias que atravessam gerações, desafiam apagamentos e reivindicam espaço na memória coletiva brasileira chegam à HBO Max em novembro. A terceira edição de “Narrativas Negras Não Contadas” estreia no dia 5 de novembro de 2026, reunindo três curta-documentários que abordam diferentes experiências negras por meio da ciência, da arte e da memória.

Os filmes “A Voz do Corpo”, “Desfile de Rainhas” e “Dra. Maria de Lourdes – Ciência no Sangue” são dirigidos por Luccas Araújo, Gabriele Roza e Tulani Nascimento, respectivamente. Além do lançamento no streaming, as produções também terão exibições nos canais HBO, TNT, TLC e Discovery Home & Health, ampliando o alcance das histórias para diferentes públicos.

O projeto tem como objetivo desenvolver e acelerar a carreira de diretores negros que estão ingressando na indústria audiovisual brasileira, um setor ainda marcado pela sub-representação de profissionais negros em espaços de criação e direção.

Três histórias negras que merecem ser contadas

Em “A Voz do Corpo”, dirigido por Luccas Araújo, a poesia se transforma em ferramenta de expressão e resistência. Ator, diretor e tradutor-intérprete de Libras, o cineasta acompanha poetas surdos que participam do Slam do Corpo, primeira competição poética do mundo a reunir pessoas surdas e ouvintes.

O curta apresenta artistas que transformam suas experiências pessoais, trajetórias e desafios cotidianos em manifestações artísticas. Por meio da poesia criada com o corpo, a produção destaca a potência da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como linguagem de identidade, pertencimento e construção coletiva. A obra também chama atenção para a acessibilidade como parte fundamental da produção cultural e audiovisual.

Já “Desfile de Rainhas”, dirigido por Gabriele Roza, volta o olhar para mulheres negras com mais de 70 anos que se preparam para retornar às passarelas em um desfile dedicado à beleza na maturidade. Comunicadora e pesquisadora, atualmente mestranda em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a diretora constrói um retrato que conecta envelhecimento, autoestima e memória.

Ao revisitar os concursos de beleza dos quais participaram entre as décadas de 1950 e 1980, as ex-modelos compartilham histórias de uma época em que espaços organizados pela própria comunidade negra tiveram papel importante na valorização de suas identidades. O documentário recupera essas experiências para mostrar como essas iniciativas ajudaram a construir outras referências de beleza, em um cenário no qual mulheres negras nem sempre encontravam reconhecimento nos espaços tradicionais da moda.

O terceiro curta, “Dra. Maria de Lourdes – Ciência no Sangue”, tem direção de Tulani Nascimento, publicitária, cineasta e produtora cultural que trabalha na interseção entre audiovisual, narrativa e memória. A produção acompanha a trajetória de sua tia, Maria de Lourdes Pires Nascimento, pesquisadora de referência nos estudos sobre anemia falciforme e primeira mulher negra a chefiar um setor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A partir de uma investigação histórica atravessada por uma perspectiva afetiva e familiar, o filme resgata o legado de uma cientista cuja trajetória também revela as barreiras impostas pelo racismo estrutural no ambiente acadêmico e científico. Ao unir memória pessoal e coletiva, a obra questiona os mecanismos de apagamento de mulheres negras na história da ciência e destaca a importância de reconhecer suas contribuições.

Projeto amplia espaço para diretores negros no audiovisual

As três produções apresentam histórias e personagens diferentes, mas compartilham um ponto em comum: a necessidade de ampliar quem conta e quais histórias chegam ao público. Ao colocar profissionais negros na direção, “Narrativas Negras Não Contadas” também atua sobre uma questão estrutural do audiovisual brasileiro: a desigualdade de oportunidades para pessoas negras nos espaços de criação e decisão.

A iniciativa propõe um olhar para experiências que ajudam a compreender a diversidade da população negra brasileira, passando pela produção artística de pessoas surdas, pela construção de referências de beleza e pela contribuição de mulheres negras para a ciência.

Com a chegada dos três curta-documentários à HBO Max, essas histórias ganham novas possibilidades de circulação e reconhecimento. Afinal, ampliar a representatividade nas telas também significa garantir que diferentes profissionais possam construir suas próprias narrativas e que histórias historicamente deixadas à margem encontrem espaço para ser contadas.

Quando e onde assistir a “Narrativas Negras Não Contadas”?

A terceira edição estreia em 5 de novembro de 2026 na HBO Max. As produções também serão exibidas nos canais da Warner Bros. Discovery e em seus respectivos canais no YouTube.

O primeiro filme a chegar à televisão será “Dra. Maria de Lourdes – Ciência no Sangue”, no dia 5 de novembro, às 22h55, no Discovery Home & Health. Em seguida, “A Voz do Corpo” será exibido em 13 de novembro, às 23h20, no TNT. Já “Desfile de Rainhas” chega ao TLC em 17 de novembro, às 23h55.

As três produções também serão exibidas no canal HBO, no dia 10 de novembro, a partir das 21h.

Ao reunir histórias sobre ancestralidade, memória, identidade e resistência, a nova edição de “Narrativas Negras Não Contadas” reforça a importância de ampliar a presença negra não apenas diante das câmeras, mas também nos espaços de criação e direção. São perspectivas diferentes que ajudam a construir um audiovisual mais diverso e comprometido com histórias que precisam ser vistas e reconhecidas.

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Barbara Braga