3 de novembro de 2026

Esportes

Senegal faz história ao receber os primeiros Jogos Olímpicos da Juventude na África com celebração de sua cultura

Cerimônia de abertura em Dakar reuniu mais de 1.100 artistas, apresentou referências históricas do país e destacou o trabalho de profissionais senegaleses na produção de quase 1.500 figurinos

Barbara Braga | 03/11/2026
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- Crédito: @creativezulu | @scholesphotography | @captured_bydjibril | @jojdakar2026 | @jeuxolympiques | @olympics

O Senegal abriu, no sábado (31), os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 com uma cerimônia que apresentou ao público internacional referências de sua história, música, tradições e produção artística. Realizada no Stade Abdoulaye Wade, em Diamniadio, a apresentação marcou o primeiro evento esportivo olímpico realizado em território africano e reuniu mais de 1.100 artistas e intérpretes.

A abertura também destacou a produção cultural do país. Foram confeccionados quase 1.500 figurinos por profissionais locais, em um trabalho que envolveu mais de 5 mil horas de produção e aproximadamente 100 artesãos e profissionais da criação. A cerimônia combinou manifestações tradicionais, música contemporânea, dança, artes visuais e referências aos antigos reinos senegaleses.

Os Jogos Olímpicos da Juventude seguem até 13 de novembro e reúnem aproximadamente 2.650 atletas de 204 Comitês Olímpicos Nacionais, além da Equipe Olímpica de Refugiados da Juventude.

Uma estreia histórica para o continente africano

A cerimônia aconteceu no Stade Abdoulaye Wade, em Diamniadio, região metropolitana de Dakar, e marcou a chegada do Movimento Olímpico ao continente africano para a realização de um evento esportivo olímpico.

A edição de 2026 é a primeira dos Jogos Olímpicos da Juventude realizada na África. Ao longo da programação, os atletas participam de competições em 25 modalidades esportivas, além de outras 10 modalidades de engajamento, com atividades distribuídas entre Dakar, Diamniadio e Saly.

A cerimônia reuniu 1.115 artistas e intérpretes, incluindo 628 dançarinos. A apresentação foi construída para conectar a identidade senegalesa à diversidade cultural do continente, colocando a juventude e a transmissão de conhecimentos entre gerações no centro da narrativa.

Passado, presente e futuro marcaram a narrativa da cerimônia

Um dos eixos centrais da abertura foi a apresentação intitulada L’Envol de Sitoé (O voo de Sitoé), construída em torno de três personagens simbólicos: Alkebulan, Keb e Sitoé.

Alkebulan representa o passado, Keb simboliza o presente e Sitoé representa o futuro. A narrativa acompanhou a transmissão da memória cultural entre gerações e a participação da juventude na construção dos próximos capítulos da história africana.

O nome Sitoé também faz referência a Aline Sitoé Diatta, liderança histórica da resistência anticolonial no Senegal. Nascida na região da Casamansa, ela se tornou um símbolo de resistência e dignidade diante do domínio colonial francês.

A apresentação percorreu referências aos antigos reinos do Senegal, especialmente o reino de Cayor. Uma das sequências históricas contou com a participação da cantora Kiné Lam, em uma representação que evocou Saaxewar Binta Ma Samba, personagem ligada aos acontecimentos políticos do século XIX na região.

O espetáculo também trouxe cenas inspiradas no cotidiano senegalês, com referências aos mercados de Sandaga e Colobane, à região da Medina e ao bairro de Pikine, em Dakar.

Luta senegalesa e teatro popular ocuparam o palco

As manifestações culturais tradicionais também tiveram espaço na cerimônia. A luta senegalesa, uma das expressões esportivas e culturais mais reconhecidas do país, foi representada por nomes como Sa Thiès, Modou Lô, Eumeu Sène e Franc.

Os lutadores participaram das apresentações de bakk ou bakku, demonstrações coreografadas de dança, movimentos e gestos que tradicionalmente acompanham a entrada dos competidores na arena antes das lutas.

Outra manifestação apresentada foi o Simb, conhecido como teatro do falso leão. A expressão popular combina performance, dança e encenação, sendo parte das tradições festivas do Senegal.

O espetáculo também incorporou outras manifestações tradicionais, como Ndawrabine, Goumbé, Wango e Yéla, ampliando a presença de diferentes expressões culturais do país.

Artistas senegaleses e africanos participaram da abertura

A música reuniu artistas de diferentes gerações e países. Entre os nomes senegaleses presentes estavam Baaba Maal, Kiné Lam, Souleymane Faye, Daara J Family, Dip Doundou Guiss, Defmaa Maadef, Kya Loum e VJ.

A cerimônia também recebeu a musicista gambiana Sona Jobarteh, reconhecida por seu trabalho com a kora, instrumento tradicional de cordas da África Ocidental, e o artista nigeriano IB Quake.

Um dos momentos de destaque foi a homenagem aos 54 países africanos. Ao som da apresentação conduzida por Baaba Maal, 360 dançarinos formaram uma representação do mapa do continente no gramado do estádio.

O criador de conteúdo senegalês Khaby Lame também participou de uma intervenção artística ao lado do artista visual Boubou Design, responsável por uma pintura realizada ao vivo e dedicada à personagem Sitoé.

Quase 1.500 figurinos foram produzidos no Senegal

Além das apresentações, a produção dos figurinos foi um dos destaques da cerimônia. Quase 1.500 peças foram confeccionadas no Senegal, em um trabalho que somou mais de 5 mil horas e mobilizou aproximadamente 100 profissionais.

A produção envolveu criadores de moda, costureiros, alfaiates, bordadeiras, tintureiros, artesãos e outros profissionais da cadeia criativa local.

Entre as criadoras responsáveis pela concepção dos figurinos estavam Maguette Guèye, Khadija Ba e Selly Raby Kane, que participaram de diferentes momentos da apresentação.

A direção das cerimônias ficou a cargo de Khady Niang, enquanto Xalil Cissé assumiu a direção artística e Adama Diop ficou responsável pela encenação. A coreografia geral foi conduzida por Marianne Niox, e a criação musical ficou sob responsabilidade de Iss 814.

A participação desses profissionais colocou em evidência não apenas o resultado visual da cerimônia, mas também o trabalho de artistas e trabalhadores senegaleses envolvidos na construção de um evento internacional.

Jovens atletas acenderam a pira olímpica

Depois de percorrer mais de 3.600 quilômetros pelas 14 regiões do Senegal, a chama olímpica chegou ao Stade Abdoulaye Wade para o encerramento da cerimônia.

Os jovens atletas Abdourahmane Marième Sy, da esgrima, e Aïcha Diop, do judô, foram responsáveis por acender a pira olímpica, marcando oficialmente o início dos Jogos.

A edição de Dakar 2026 segue até 13 de novembro, com aproximadamente 2.650 jovens atletas de 204 Comitês Olímpicos Nacionais e a participação da Equipe Olímpica de Refugiados da Juventude.

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Barbara Braga