11 de fevereiro de 2026

Cultura

Sarah Maldoror, referência do cinema anticolonial, recebe retrospectiva gratuita no CCBB-SP

De 21 de fevereiro a 22 de março, a obra da cineasta afro-francesa será exibida em São Paulo, com debates, exibições restauradas e programação aberta ao público

Barbara Braga | 11/02/2026
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- Crédito: Arquivo

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP) abre suas portas em 2026 para uma das mostras mais importantes dedicadas ao cinema político e à presença negra nas telas: a retrospectiva “O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror”. A programação, com entrada gratuita, celebra a trajetória de uma cineasta que foi pioneira não apenas por ser mulher e negra, mas por colocar no centro de sua obra as lutas de libertação dos povos africanos e uma estética política rara em sua época.

Sarah Maldoror (1929–2020), nascida Sarah Ducados na França, construiu sua carreira artística em diálogo estreito com os movimentos de independência africanos, refletindo em seus filmes as experiências de povos que buscavam autonomia e justiça após décadas de colonialismo. Ao longo da mostra, o público poderá ver mais de 30 títulos, incluindo curtas e longas-metragens que atravessam temas como colonialismo, racismo, subjetividade e negritude.

J Nikolaisen/ Divulgação/ CCBB São Paulo

Cinema como arma política e estética de resistência

A obra mais emblemática de Maldoror, “Sambizanga” (1972), ganha destaque na programação com uma cópia restaurada. Ambientado em Angola, o filme é considerado um dos marcos do cinema anticolonial mundial, não apenas por sua importância histórica, mas por sua sensibilidade estética e política, que combina narrativa pessoal e crítica social profunda. A exibição será acompanhada de diálogo com pesquisadores e especialistas, abrindo espaço para reflexões sobre memória, resistência e arte.

A escolha de uma retrospectiva ampla vai além de revisitar um nome histórico: funciona como um acontecimento cultural e político, sobretudo em um momento em que o cinema produzido por mulheres negras africanas ainda luta por visibilidade nas grandes programações internacionais. Para as vozes emergentes da cinematografia negra no Brasil e no mundo, a mostra representa um encontro com uma ancestralidade cinematográfica que foi muitas vezes marginalizada, mas que moldou de forma decisiva o discurso e a estética de narrativas engajadas.

Programação que conecta tela, debate e comunidade

Além das exibições, a programação no CCBB-SP incorpora debates, cursos e sessões comentadas com especialistas, potencializando o encontro entre obra e público. Esses espaços de diálogo não apenas contextualizam a importância de Maldoror no panorama audiovisual mundial, mas também conectam sua obra às questões contemporâneas de representação, colonialidade, raça e gênero.

Com a mostra, o CCBB-SP se reafirma como um lugar de acesso democrático à cultura, aproximando diferentes públicos de histórias que ampliam a compreensão do cinema como forma de pensar o mundo e resistir às narrativas hegemônicas.

A retrospectiva “O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror” acontece no CCBB São Paulo, entre 21 de fevereiro e 22 de março de 2026, com entrada gratuita. Os ingressos poderão ser retirados na bilheteria do centro cultural ou pelo site oficial do CCBB. Além das exibições, a programação inclui sessões comentadas, debates e cursos, ampliando a experiência do público com a obra e o legado da cineasta.

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Barbara Braga