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Quem mandou matar Marielle? O país começa a ouvir respostas no Supremo
Oito anos após o crime que chocou o mundo, acusados de ordenar a execução vão a julgamento
Quase oito anos após o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Brasil começa a enfrentar uma das etapas mais aguardadas do caso: o julgamento dos acusados de ordenar o crime.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou a análise da ação penal contra os réus apontados como mandantes da execução ocorrida em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. A tramitação na Corte se deve ao foro privilegiado de um dos acusados à época da investigação.
Entre os denunciados estão o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, além de outros investigados por participação no planejamento do crime.
Do crime político à responsabilização
Marielle foi executada com 13 tiros após sair de um evento no bairro da Lapa. Mulher negra, cria da Maré, socióloga, feminista e defensora dos direitos humanos, ela se tornou uma das vozes mais contundentes contra a violência policial e o avanço das milícias no estado.
Os executores do atentado já foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri. O que agora está em análise é a responsabilidade de quem teria ordenado o assassinato, um capítulo que, por anos, representou a maior lacuna do caso.
A denúncia sustenta que o crime teve motivação política e relação com interesses contrariados pela atuação parlamentar de Marielle. O julgamento dos supostos mandantes marca um momento decisivo não apenas para a família da vereadora, mas para a democracia brasileira.
Justiça tardia ainda é justiça?
O tempo transcorrido entre o crime e o julgamento levanta uma questão inevitável: por que demorou tanto? A investigação atravessou mudanças institucionais, suspeitas de obstrução, troca de delegados e pressões políticas. O caso se tornou símbolo da dificuldade do Estado brasileiro em enfrentar estruturas de poder que operam nas margens e, muitas vezes, dentro das instituições.
Durante esses quase oito anos, a pergunta “Quem mandou matar Marielle?” ecoou em protestos, murais, salas de aula e redes sociais no Brasil e no exterior. O nome de Marielle ultrapassou fronteiras e se transformou em referência global na luta por justiça racial e direitos humanos.
Marielle foi eleita com mais de 46 mil votos. Sua trajetória política representava a presença de corpos historicamente excluídos nos espaços de decisão.




