18 de setembro de 2026

Filmes e séries

Prime Video cancela “Cangaço Novo” após duas temporadas

Produção estrelada por Alice Carvalho, Allan Souza Lima e Thainá Duarte não ganhará uma terceira temporada

Barbara Braga | 18/09/2026
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- Crédito: Divulgação | Prime Video

Uma das produções brasileiras mais celebradas do streaming nos últimos anos chegou ao fim. O Prime Video confirmou o cancelamento de “Cangaço Novo”, série estrelada por Allan Souza Lima, Alice Carvalho e Thainá Duarte, que não terá uma terceira temporada. A decisão encerra a trajetória de uma obra que conquistou público e crítica ao transformar o sertão nordestino em palco de uma narrativa marcada por ação, conflitos familiares e disputas de poder.

Criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo, a série estreou em 2023 e rapidamente se destacou entre as produções nacionais do streaming. A trama acompanha Ubaldo, um bancário que retorna à terra de sua família e descobre que suas irmãs, Dinorah e Dilvânia, estão ligadas ao universo do cangaço contemporâneo. O enredo mistura elementos do faroeste, do drama familiar e do crime para construir uma história profundamente conectada ao Nordeste brasileiro.

A notícia do cancelamento surpreendeu parte do público, especialmente porque a segunda temporada, lançada em abril deste ano, ampliou os conflitos da narrativa e deixou caminhos abertos para novas histórias. Até o momento, o Prime Video não explicou os motivos para o encerramento da produção.

Mais do que uma série de ação, “Cangaço Novo” se destacou por apresentar uma visão contemporânea do sertão brasileiro. Gravada em cidades da Paraíba e do Rio Grande do Norte, incluindo Cabaceiras, conhecida como a “Roliúde Nordestina”, a produção apostou em uma estética própria e em narrativas construídas a partir de referências culturais da região.

O elenco reuniu nomes como Alice Carvalho, Marcélia Cartaxo, Hermila Guedes, Luiz Carlos Vasconcelos, Xamã e Thainá Duarte, ajudando a ampliar a visibilidade de artistas nordestinos e de histórias que raramente ocupam o centro das grandes produções audiovisuais brasileiras.

Ao longo de suas duas temporadas, a série também foi elogiada por retratar um Nordeste distante dos estereótipos tradicionais. Em vez de servir apenas como cenário, a região se tornou protagonista de uma narrativa complexa, marcada por disputas políticas, relações familiares e questões sociais contemporâneas. Essa construção ajudou a consolidar a obra como uma das produções mais relevantes do audiovisual brasileiro recente.

Reconhecimento dentro e fora do Brasil

O sucesso da série ultrapassou as fronteiras brasileiras. Segundo dados divulgados pela imprensa especializada, “Cangaço Novo” chegou ao Top 10 do Prime Video em diversos países da América Latina, África e Oriente Médio, ampliando o alcance internacional da produção.

A obra também acumulou reconhecimento em festivais e premiações. Tornou-se a primeira série a integrar a programação do Festival de Cinema de Gramado, além de receber indicações em premiações importantes do setor audiovisual. A atuação de Alice Carvalho, intérprete de Dinorah, foi um dos destaques mais celebrados desde a estreia da primeira temporada.

Após a confirmação do cancelamento, Alice Carvalho se manifestou nas redes sociais para agradecer o apoio do público. Em uma publicação, a atriz classificou o encerramento da série como “triste e inacreditável” e destacou que a decisão não estava nas mãos da equipe criativa.

Em outra mensagem, a artista relembrou o impacto da produção e celebrou a conexão construída com os espectadores ao longo dos anos. Segundo ela, os personagens encontraram espaço no coração de milhares de pessoas e ajudaram a mostrar um sertão com “vez, voz e cor”.

O fim de “Cangaço Novo” deixa uma sensação de despedida precoce para muitos fãs. Ainda assim, a série encerra sua trajetória como uma das produções brasileiras mais ambiciosas da década, responsável por ampliar o espaço de narrativas nordestinas no streaming e demonstrar que histórias contadas a partir de perspectivas regionais podem alcançar relevância global.

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Barbara Braga