23 de fevereiro de 2026

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Prestianni, jogador do Benfica, é punido pela UEFA após acusação de racismo contra Vini Jr

Suspensão provisória vale para competição europeia enquanto órgão disciplinar apura o caso

Barbara Braga | 23/02/2026
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- Crédito: Site: UEFA

Mais uma vez, o nome de Vinícius Júnior ocupa o centro de um debate que vai muito além das quatro linhas. O atacante do Real Madrid denunciou ter sido alvo de ofensa racial durante partida da Champions League contra o SL Benfica, e a resposta veio dias depois: a UEFA aplicou suspensão provisória ao jogador Gianluca Prestianni enquanto conduz investigação disciplinar.

A medida cautelar afasta o atleta do próximo compromisso europeu enquanto o Órgão de Controle, Ética e Disciplina da entidade analisa o caso. A punição ainda não é definitiva, mas sinaliza que a denúncia foi considerada suficientemente grave para gerar ação imediata.

Não é a primeira vez que Vinícius Júnior enfrenta episódios de racismo no futebol europeu. Ao longo dos últimos anos, o brasileiro se tornou um dos principais símbolos da luta contra o preconceito nos estádios espanhóis e em competições continentais. Cada novo caso reacende uma discussão que insiste em não ser encerrada: por que, em pleno 2026, atletas negros ainda precisam interromper jogos para exigir respeito básico?

Racismo estrutural e resposta institucional

O episódio ocorreu após Vini marcar um gol. Segundo relatos, o atacante reagiu imediatamente ao que teria ouvido, comunicando o árbitro. O protocolo antirracismo foi acionado, e o jogo chegou a ser temporariamente interrompido, um procedimento que se tornou mais comum após pressão de jogadores e entidades civis.

Prestianni negou a acusação, e o Benfica anunciou que recorrerá da suspensão provisória. Ainda assim, o gesto da UEFA carrega peso simbólico: demonstra que denúncias de racismo não podem mais ser tratadas como “mal-entendidos” resolvidos apenas com notas oficiais.

Mas o debate vai além da punição individual. O que está em jogo é a credibilidade das instituições esportivas na aplicação consistente de suas próprias regras. Historicamente, casos de racismo no futebol europeu resultaram em multas consideradas brandas ou suspensões limitadas, o que alimentou a percepção de impunidade.

O peso simbólico de Vini Jr.

Vinícius Júnior deixou de ser apenas um dos principais atacantes do mundo. Ele se tornou uma figura política, dentro do esporte. Sua postura firme diante dos ataques ajudou a expor como o racismo não é um incidente isolado, mas parte de uma estrutura que se manifesta tanto nas arquibancadas quanto em campo.

@metropolesoficial ➡️ As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião do Metrópoles O que aconteceu com Vini Jr. não é um lance isolado. Uma falta interpretativa é parte de um jogo muito antigo. Racismo também tem tática, também tem estratégia, e normalmente começa quando o talento negro decide ali a partida. Quando um jogador como Vini Jr. desmonta a defesa, dribla, faz gol e chama a responsabilidade, ele muda o placar e mexe com algo muito mais profundo do que o resultado. Ele rompe uma expectativa histórica. E aí alguns tentam mudar o jogo por fora. Em vez de marcar na bola, tentam atingir a cabeça. Em vez de disputar no campo, atacam a sua dignidade. E isso é falta. E muito dura. É jogo violento, fora do lance. É tentativa clara de tirar o atleta do eixo, de provocar cartão emocional, de desestabilizar quem está melhor ali, na partida. Racismo é isso. É uma tentativa de ganhar no grito quando não se consegue ganhar na técnica. E existe ainda algo mais perverso. Quando alguém olha ali pra cena e diz que o problema é o próprio jogador, que ele provoca, que ele reage demais. É como culpar quem sofreu a falta por ter caído. É inverter o lance. É proteger quem cometeu a agressão e advertir quem apanhou. precisa ficar algo muito claro. O problema nunca será quem dribla, quem dança, quem comemora o gol. O problema não está no jogador, na sua alegria, no estilo. O problema está sempre em quem escolhe atacar a dignidade, a identidade do outro, porque não suporta vê-lo vencer. E se o talento decide o jogo. #tiktoknotícias 🤳 Metrópoles #colunarodrigofranca ♬ som original – Metrópoles Oficial

Quando um jogador negro denuncia, ele desafia uma lógica histórica de silenciamento. Quando uma entidade responde, ainda que de forma provisória, ela é chamada a provar que seu compromisso com a igualdade não é apenas discursivo.

O futebol europeu gosta de se apresentar como vitrine global de diversidade. Mas diversidade sem enfrentamento real do racismo é apenas marketing.

A suspensão aplicada a Prestianni é cautelar. O desfecho dependerá do relatório final do inspetor disciplinar e da decisão do comitê da UEFA. Caso confirmada a conduta discriminatória, a punição pode ser ampliada.

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Barbara Braga