14 de agosto de 2026

Celebridades

Por dentro da mansão de Usher: arte negra, Grammys e uma parede de bichos de pelúcia

Em Atlanta, o cantor transforma a própria casa em um retrato de sua trajetória, reunindo obras de artistas negros, memórias familiares, oito Grammys e objetos inusitados

Barbara Braga | 13/08/2026
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- Crédito: @archdigest | @shoparchdigest

Usher abriu as portas de sua casa em Atlanta, nos Estados Unidos, e revelou uma propriedade que mistura arquitetura, arte contemporânea, memória familiar e referências à sua própria trajetória. O projeto, desenvolvido ao longo de anos em parceria com a designer Nicole Fuller, transforma diferentes ambientes da residência em espaços que contam histórias sobre o artista e sua família.

A casa, construída em estilo georgiano, ganhou interiores marcados por obras de arte, móveis personalizados e objetos que fazem referência a momentos importantes da vida de Usher. Em vez de seguir uma estética única, o projeto aposta na mistura entre o clássico da arquitetura e elementos contemporâneos.

A arte negra como ponto de partida

Um dos primeiros elementos que chamam atenção está logo na entrada. Cinco retratos de Gordon Parks recebem os visitantes no foyer da residência.

Parks foi um dos principais fotógrafos a documentar a vida negra nos Estados Unidos, especialmente durante o Movimento dos Direitos Civis. Entre as obras escolhidas por Usher está uma fotografia de 1956 que registra uma mulher negra e uma criança diante de uma entrada segregada de uma loja de departamentos no Alabama.

A escolha não foi apenas estética. Usher afirmou que a presença da obra também representa uma forma de olhar para a história e, ao mesmo tempo, pensar em como seguir adiante. A imagem teria sido uma das principais referências utilizadas por Nicole Fuller para definir a atmosfera da casa.

Usher coleciona arte contemporânea desde a juventude e afirma que preservar trabalhos de artistas negros é uma prioridade dentro de sua coleção. Sua relação com a arte começou de maneira mais intensa aos 21 anos, quando encomendou uma obra ao artista e muralista Retna. A partir daí, passou a visitar museus e estudar as obras presentes nos espaços que frequentava.

A família também ocupa um lugar central no projeto. Em um dos ambientes, Usher mantém o piano de sua avó, Tina. Ao lado do instrumento, uma janela em formato de cruz guarda flores secas do funeral dela, transformando uma lembrança íntima em parte permanente da decoração.

Outros espaços também incorporam elementos produzidos pelos próprios familiares. Pinturas feitas pelo filho Naviyd aparecem na residência, enquanto uma parede da sala de café da manhã reúne as marcas das mãos dos integrantes da família, incluindo as patas de Scarlett, o cachorro da casa.

Na área da piscina, até uma referência corporal de Usher foi transformada em elemento arquitetônico: o desenho de sua tatuagem no queixo, criada pelo tatuador Dr. Woo, foi ampliado para ocupar o teto do ambiente.

Os Grammys também fazem parte da decoração

A carreira de Usher ganhou um espaço próprio dentro da residência.

No chamado “gentleman’s room”, ambiente onde o artista fuma charutos e escuta música, estão reunidos objetos diretamente ligados à sua trajetória. Entre eles estão seus oito Grammys, um de seus prêmios BET, uma fotografia antiga feita pelo fotógrafo Steven Klein e uma bola de futebol cravejada de joias que faz referência à apresentação de Usher no intervalo do Super Bowl de 2024.

O ambiente também abriga uma escultura de cerejas apodrecidas, uma referência a um momento que viralizou durante sua turnê mais recente, quando o artista ofereceu cerejas a fãs durante os shows.

Entre os espaços mais particulares está uma barbearia criada dentro da própria residência.

Barbeiro: Shawn “Shizz” Porter; Maquiagem e cabelo: Lola Okanlawon; Arte: Lauren Halsey. @archdigest | @shoparchdigest

O ambiente recebeu uma obra da artista Lauren Halsey, desenvolvida especialmente para Usher, que dialoga com cabelo, identidade e estética negra. A presença da obra reforça uma característica que atravessa o projeto: a arte não aparece apenas como decoração, mas como parte da experiência cotidiana da família.

A residência também reúne trabalhos de outros artistas contemporâneos, incluindo Rashid Johnson, Anthony James e Jammie Holmes.

Um espaço para voltar para casa

Apesar de ter passado boa parte da vida adulta viajando em turnês, Usher descreve a propriedade como um lugar de descanso e reflexão.

A casa possui, por exemplo, um ambiente espelhado com a escultura Snub Cube (Solar Black), de Anthony James, acompanhada por um banco e uma cadeira assinados por Virgil Abloh. O efeito dos espelhos cria uma sensação de imagens infinitas, funcionando como uma representação visual da maneira como o artista enxerga a própria vida.

Do lado de fora, próximo à piscina, uma escultura Peace Head, do artista japonês Yoshitomo Nara, cria outro ponto de contemplação. O projeto é o quarto trabalho residencial desenvolvido por Usher e Nicole Fuller. A designer descreve o artista como alguém profundamente envolvido no processo criativo, atento até aos menores detalhes e disposto a experimentar.

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Barbara Braga