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Pastora expõe silêncio sobre violência doméstica nas igrejas: “Pare de orar por ele e denuncie”
Fala da Helena Raquel durante congresso evangélico viraliza ao incentivar mulheres a denunciarem agressores
Durante uma pregação no Congresso dos Gideões 2026, realizado em Camboriú (SC), a pastora Helena Raquel chamou atenção ao abordar de forma direta a violência doméstica dentro de ambientes religiosos.
Em sua fala, que rapidamente repercutiu nas redes sociais, a líder orientou mulheres a romperem o silêncio diante de situações de abuso: “Pare de orar por ele e denuncie.”
A declaração ganhou força justamente por confrontar uma prática ainda comum em parte das igrejas: a orientação para que mulheres permaneçam em relações abusivas, muitas vezes incentivadas a suportar a violência em nome da fé, da família ou da preservação da instituição.
Durante a pregação, Helena Raquel destacou que a violência não deve ser tratada apenas como uma questão espiritual, mas como um crime que exige ação concreta.
Entre as orientações, ela reforçou que vítimas devem:
- procurar uma delegacia
- buscar apoio em redes de proteção
- não confiar apenas em promessas de mudança do agressor
A pastora também criticou a ideia de que a oração, por si só, seria suficiente para resolver situações de violência, defendendo que a fé não pode ser usada para justificar permanência em relações abusivas.
Um tema ainda sensível dentro das igrejas
A repercussão da fala evidencia um ponto estrutural: a dificuldade de lidar abertamente com casos de violência doméstica dentro de comunidades religiosas.
Em muitos contextos, o tema ainda é tratado como um problema privado, uma questão a ser resolvida internamente ou uma situação que não deve ser exposta.
Esse cenário contribui para a subnotificação e para a permanência de vítimas em ciclos de violência.
Ao trazer a denúncia como orientação central, a fala da pastora desloca o debate: de uma abordagem focada apenas na fé para uma que inclui responsabilidade legal e proteção da vítima.
A mensagem também reforça que liderança religiosa não deve ser vista como proteção para comportamentos abusivos, e que casos de violência precisam ser encaminhados às autoridades competentes.
Repercussão e debate público
O vídeo da pregação circulou amplamente nas redes sociais, gerando reações diversas.
Enquanto parte do público destacou a importância de abordar o tema de forma direta dentro das igrejas, outros apontaram o quanto o assunto ainda enfrenta resistência em ambientes religiosos.
Violência doméstica como questão pública
O episódio também reforça que a violência doméstica não pode ser tratada como um problema restrito ao ambiente privado ou religioso.
No Brasil, canais como o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o Disque 100 (Direitos Humanos) são os principais meios de denúncia e acolhimento.




