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O caso Marielle entra em uma nova fase: condenados começam a cumprir pena pelo crime
Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, identificados por Ronnie Lessa como os mandantes do crime, começam a cumprir pena quase oito anos após o assassinato da vereadora
Durante anos, uma pergunta atravessou ruas, manifestações, murais, plenários e redes sociais:
Quem mandou matar Marielle?
Agora, quase oito anos depois do assassinato que chocou o Brasil e mobilizou organizações de direitos humanos ao redor do mundo, o caso entra em uma nova etapa. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o início do cumprimento das penas dos condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, do motorista Anderson Gomes e pela tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.
A decisão reconhece o trânsito em julgado do processo, encerrando a fase de recursos e abrindo caminho para a execução definitiva das penas.
Marielle foi assassinada em 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, após participar de um encontro com jovens mulheres negras. Ao lado dela estava Anderson Gomes, que também foi morto no atentado. A sobrevivente do ataque foi sua assessora, Fernanda Chaves.
Mulher negra, cria da Maré, socióloga, defensora dos direitos humanos e parlamentar eleita pelo PSOL, Marielle se transformou em um símbolo internacional de resistência política, combate ao racismo, defesa das mulheres e enfrentamento da violência institucional.
Seu assassinato rapidamente deixou de ser apenas um caso criminal. Tornou-se uma ferida aberta na democracia brasileira.
As condenações
Entre os condenados estão os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime e sentenciados a mais de 76 anos de prisão por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e participação em organização criminosa armada.
Também foram condenados o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca.
Segundo a decisão do STF, as penas devem começar a ser executadas imediatamente.
Nenhuma sentença devolve vidas. Nenhuma decisão judicial apaga a violência que retirou Marielle de sua família, de sua comunidade e da política brasileira.
Mas o início do cumprimento das penas representa um marco importante em uma investigação que se tornou símbolo do combate à impunidade no país.
Ao longo desses anos, familiares, movimentos sociais, organizações negras, coletivos de mulheres e defensores dos direitos humanos mantiveram viva a memória de Marielle, transformando sua história em legado político e coletivo.




