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“Nobreza Globeleza”: o encontro histórico das musas marca o início do Carnaval 2026 na Globo
Campanha reúne Valéria Valenssa, Aline Prado, Nayara Justino e Erika Moura, para celebrar o legado da Globeleza e do Carnaval como patrimônio cultural
A Globeleza nunca foi só uma vinheta. Ela foi um retrato de época, um imaginário coletivo, um símbolo da festa brasileira em horário nobre. E agora, em 2026, a TV Globo decide revisitar essa história com um gesto que tem mais de reencontro do que de nostalgia: o filme “Nobreza Globeleza” reúne Valéria Valenssa, Nayara Justino, Erika Moura e Aline Prado em uma ação inédita que marca o anúncio oficial da transmissão dos desfiles das escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A campanha começa a ser veiculada nas redes sociais da emissora a partir desta segunda-feira, dia 9, colocando em cena diferentes gerações de um dos personagens mais conhecidos da cobertura carnavalesca da televisão brasileira.
Mais do que uma celebração estética, Nobreza Globeleza se posiciona como uma homenagem explícita às mulheres que deram forma, e corpo, a esse conceito ao longo das últimas décadas. A proposta é clara: reconhecer trajetórias, reverenciar legados e tratar essas artistas como parte central da cultura popular, e não como um arquivo do passado
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Valéria Valenssa, Nayara Justino, Aline Prado e Erika Moura
A Globeleza como memória afetiva do Brasil
Criada no início dos anos 1990, a Globeleza virou um dos símbolos mais persistentes do Carnaval televisivo. A figura atravessou décadas, formatos e debates, passando por mudanças importantes na forma como a festa é representada na TV e como o próprio Brasil discute imagem, corpo, identidade e diversidade.
No filme, o encontro entre Valéria, Aline, Nayara e Erika funciona como uma linha do tempo viva. São quatro mulheres que ocuparam esse lugar em momentos diferentes e que, juntas, ajudam a contar como o Carnaval também é uma disputa de narrativas: quem é exaltada, quem é vista, quem é lembrada e quem é apagada.
Um dos pontos mais fortes da campanha é o seu discurso: a Globo chama o projeto de um gesto de memória, respeito e valorização, tratando essas mulheres como parte da “alma” da celebração.
Essa leitura ganha ainda mais potência quando é verbalizada por Samantha Almeida, Diretora de Marketing da TV Globo, que traz para o centro algo que o público muitas vezes sentiu, mas nem sempre viu a TV reconhecer com tanta franqueza: o impacto da Globeleza na autoestima de mulheres negras.
Segundo Samantha, para muitas pessoas, especialmente mulheres negras, as Globelezas foram referência de beleza e pertencimento em um período em que diversidade não era pauta e representatividade era raridade. A diretora também reforça que a homenagem não se apoia na ideia de “reviver o passado”, mas de reconhecer essas figuras como símbolos vivos da história cultural brasileira.
Há um ponto importante nessa fala: ela desloca o olhar. A Globeleza não aparece como “musa” apenas, mas como um lugar simbólico que moldou percepções, desejos e identidade em massa.

TV Globo
Ao reunir quatro Globelezas, a Globo não está apenas celebrando um ícone televisivo. Está, também, reconhecendo que essa figura ajudou a construir um imaginário nacional e que, por décadas, foi uma das poucas imagens de beleza negra exibidas como protagonismo no país, ainda que dentro de limites e contradições de cada época.
Nobreza Globeleza chega como uma espécie de manifesto pop: fala de Carnaval, mas também fala de memória. Fala de televisão, mas também fala de pertencimento. Fala de tradição, mas com um pé na necessidade de reposicionar essa tradição com mais respeito, mais contexto e mais consciência.








