23 de julho de 2026

Afri News

Nigéria e Zimbábue repatriam cidadãos após nova onda de violência xenófoba na África do Sul

Governos africanos intensificam ações de assistência consular enquanto crescem os relatos de ataques e intimidações contra migrantes em diferentes regiões do país

Barbara Braga | 22/07/2026
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- Crédito: ChatGPT

A Nigéria e o Zimbábue iniciaram operações de repatriação de cidadãos que viviam na África do Sul após uma nova escalada de episódios de violência xenófoba registrados em diferentes regiões do país.

As medidas foram adotadas após relatos de ataques, ameaças e intimidações direcionadas a migrantes africanos, especialmente em áreas urbanas da província de Gauteng, uma das mais populosas da África do Sul.

O governo nigeriano confirmou a conclusão de uma operação de retorno voluntário que trouxe de volta ao país cerca de 1.490 cidadãos. A ação foi coordenada por autoridades diplomáticas e teve como objetivo oferecer apoio a pessoas que manifestaram interesse em deixar a África do Sul diante do aumento da insegurança.

O Zimbábue também passou a organizar o retorno de seus nacionais. Grupos de cidadãos zimbabuanos começaram a desembarcar no país após receberem assistência das autoridades consulares responsáveis pelo processo de repatriação.

A nova onda de violência reacendeu preocupações sobre a segurança de comunidades migrantes na África do Sul, que abriga milhões de cidadãos de outros países africanos. Organizações de direitos humanos e representantes diplomáticos alertam que muitos estrangeiros têm relatado agressões, destruição de propriedades, ameaças e dificuldades para manter atividades comerciais e profissionais.

Histórico de tensão

A África do Sul já enfrentou episódios semelhantes em diferentes momentos das últimas décadas. Crises xenófobas registradas em 2008, 2015 e 2019 resultaram em mortes, deslocamentos de famílias e tensões diplomáticas entre governos africanos.

Especialistas apontam que fatores como desemprego elevado, desigualdade econômica e dificuldades de acesso a serviços públicos frequentemente alimentam discursos que responsabilizam migrantes por problemas estruturais enfrentados pela população local.

Embora autoridades sul-africanas tenham condenado os ataques, lideranças comunitárias e organizações civis afirmam que o desafio permanece recorrente e exige respostas mais amplas do poder público.

A África do Sul continua sendo um dos principais destinos para trabalhadores migrantes africanos devido ao tamanho de sua economia e às oportunidades de emprego em comparação com países vizinhos.

Entre as maiores comunidades estrangeiras presentes no país estão cidadãos do Zimbábue, Nigéria, Moçambique, Malawi e República Democrática do Congo.

Por isso, os recentes episódios também reacendem o debate sobre mobilidade regional, integração africana e proteção aos direitos de migrantes dentro do próprio continente.

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Barbara Braga