26 de junho de 2026

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Nego Di é condenado a mais de 14 anos de prisão em caso de estelionato e lavagem de dinheiro

Em decisão da Justiça do Rio Grande do Sul, ex-BBB e influenciador, está envolvido em caso de rifas virtuais e uso de documento falso

Barbara Braga | 26/06/2026
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- Crédito: Reprodução Globo

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou o influenciador digital e humorista Nego Di a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por crimes relacionados a um esquema investigado pelas autoridades gaúchas. A sentença inclui condenações por estelionato, lavagem de dinheiro qualificada, uso de documento falso e promoção ilegal de loteria, encerrando mais um capítulo de um dos casos de maior repercussão recente envolvendo personalidades da internet brasileira.

A decisão também alcança outras pessoas ligadas ao caso, entre elas a companheira do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, condenada por participação em operações relacionadas à movimentação financeira investigada pelas autoridades.

Segundo o processo, as investigações apontaram a existência de um esquema que utilizava rifas virtuais e outras ações promocionais consideradas irregulares pela Justiça. As autoridades sustentaram que as operações movimentaram grandes quantias financeiras e teriam causado prejuízos a participantes em diferentes regiões do país.

A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Antes de se tornar alvo de investigações, Nego Di construiu uma trajetória de destaque nas redes sociais. Natural de Porto Alegre, ganhou projeção nacional por meio de vídeos de humor, comentários sobre temas do cotidiano e participações em programas de televisão.

Sua popularidade cresceu significativamente após integrar o elenco do Big Brother Brasil 21, experiência que ampliou seu alcance e consolidou sua presença entre os influenciadores mais conhecidos do país naquele período.

Como aconteceu com diversos criadores de conteúdo nos últimos anos, a audiência conquistada nas redes sociais foi convertida em oportunidades comerciais, campanhas publicitárias e novos modelos de negócio. Foi justamente nesse ambiente que surgiram as iniciativas que posteriormente passaram a ser investigadas pelas autoridades.

Influência, confiança e responsabilidade

O caso ultrapassa a trajetória individual do influenciador e toca em uma discussão cada vez mais presente na sociedade brasileira: os limites da responsabilidade de quem possui grande alcance digital.

Nos últimos anos, influenciadores deixaram de ser apenas produtores de conteúdo para se tornarem agentes capazes de movimentar mercados, impulsionar vendas, promover investimentos e influenciar decisões de consumo de milhões de pessoas.

Nesse cenário, a confiança do público passou a ser um dos ativos mais valiosos da economia digital.

Por isso, casos envolvendo golpes, publicidade enganosa, rifas irregulares ou promessas financeiras sem transparência têm despertado atenção crescente de órgãos reguladores, autoridades judiciais e consumidores.

A condenação de Nego Di acontece justamente em meio a um movimento mais amplo de fiscalização sobre práticas adotadas por influenciadores e criadores de conteúdo que utilizam suas plataformas para promover negócios e operações financeiras.

Um debate que vai além da condenação

A decisão da Justiça gaúcha não encerra apenas uma disputa judicial. Ela também reforça discussões sobre ética, transparência e responsabilidade em um ambiente digital que se tornou parte fundamental da vida cotidiana.

À medida que a influência nas redes sociais se transforma em poder econômico, aumenta também a expectativa de que figuras públicas respondam pelos impactos de suas ações sobre seguidores e consumidores.

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Barbara Braga