Esportes
NBA pode levar os Playoffs para Luanda, em Angola; entenda por que país é potência do basquete africano
Possibilidade foi discutida entre o vice-comissário da NBA, Mark Tatum, e o presidente angolano João Lourenço, em Nova York
NBA pode levar jogos dos Playoffs para Luanda, capital de Angola. A possibilidade foi discutida nesta segunda-feira (21), em Nova York, durante um encontro entre o presidente angolano João Lourenço e uma delegação da principal liga de basquete dos Estados Unidos, liderada por Mark Tatum, vice-comissário e diretor de operações da NBA. A proposta foi recebida com entusiasmo pelo chefe de Estado, que manifestou disposição para apoiar os esforços necessários à sua concretização.
Ainda não há confirmação de data, equipes ou arena para uma eventual partida. A iniciativa está em fase de discussão, mas coloca novamente Angola no centro da expansão internacional da NBA e chama atenção para uma história que começou muito antes da liga americana olhar para Luanda.
Por que o basquete é tão forte em Angola?
Para entender por que Luanda entrou no radar da NBA, é preciso olhar para a própria história do basquete angolano.
Angola é a seleção mais vencedora da história do AfroBasket, principal competição masculina de seleções do continente. Em 2025, a equipe conquistou seu 12º título africano ao derrotar Mali por 70 a 43 na final, disputada na Arena do Kilamba, em Luanda. A seleção terminou a competição invicta, com seis vitórias em seis jogos.
O título também encerrou um intervalo de 12 anos sem conquistar o torneio. Antes disso, Angola havia construído uma das maiores hegemonias da história do basquete africano, especialmente entre o fim dos anos 1980 e 2013. A seleção conquistou 11 títulos nesse período e voltou ao topo continental em 2025.
O domínio não se resume aos troféus. Em 2025, a torcida angolana lotou a Arena do Kilamba por três noites consecutivas, com capacidade de 12.700 pessoas, acompanhando a campanha da seleção em casa.
Angola e a construção de uma cultura de basquete
O basquete ocupa um espaço particular na cultura esportiva angolana. A força da seleção ao longo de décadas ajudou a criar referências nacionais e uma tradição que atravessa diferentes gerações.
Depois do título de 2025, o próprio presidente João Lourenço afirmou que o país precisava ampliar a infraestrutura esportiva e anunciou a intenção de construir 12 novos ginásios, com a previsão de que cada província tivesse instalações para diferentes modalidades, incluindo o basquete.
A relação entre Angola e o basquete também aparece no desenvolvimento de atletas e clubes. Um dos principais exemplos é o Petro de Luanda, clube que se tornou uma das maiores forças do basquete africano.
O Petro de Luanda e a Basketball Africa League
A história recente do basquete angolano também passa pela Basketball Africa League, a BAL.
Criada pela NBA em parceria com a FIBA, a competição começou em 2021 e se tornou uma das principais plataformas do basquete de clubes no continente.
O Petro de Luanda está no centro dessa história. O clube foi o único a participar de todas as seis temporadas da BAL até 2026 e chegou à decisão em quatro delas: 2022, 2024, 2025 e 2026. Em 2024, conquistou o título continental.
Em 2026, o Petro voltou à final, consolidando a posição do clube entre as principais equipes da competição.
A presença do Petro também ajuda a explicar por que Angola não aparece nessa conversa apenas como um novo mercado para a NBA. O país já possui clubes, atletas, torcida e uma tradição competitiva conectados à estrutura que a própria NBA vem desenvolvendo no continente.
Uma ponte entre África e a diáspora
O basquete também carrega uma dimensão que ultrapassa a quadra.
A modalidade se tornou uma das linguagens esportivas que aproximam o continente africano de comunidades da diáspora, especialmente nos Estados Unidos. A expansão da NBA na África, a criação da BAL e os programas de formação de jovens atletas fazem parte desse movimento.
Em Angola, a própria NBA vem ampliando sua presença. A organização mantém iniciativas de desenvolvimento da modalidade no país, incluindo programas voltados para jovens atletas e ações de formação. Em 2025, por exemplo, NBA Africa e Africell anunciaram a expansão de uma parceria que inclui uma liga Jr. NBA em Angola, além de clínicas e torneios de basquete.
A relação também ganhou visibilidade internacional em setembro de 2026, quando LeBron James esteve em Angola pela primeira vez. O astro da NBA visitou Luanda durante o E1 Luanda Grand Prix, competição de barcos elétricos da qual sua equipe participa, e esteve em diferentes pontos da cidade durante a passagem pelo país.
Agora, poucos dias depois, a possibilidade de receber partidas dos Playoffs coloca novamente Luanda no centro das atenções esportivas internacionais.
O que a NBA em Luanda representaria?
Caso seja concretizada, a realização de jogos dos Playoffs em Luanda representaria um novo estágio na relação entre a NBA e o continente africano.
Mais do que levar uma das maiores competições esportivas do mundo para uma nova cidade, a iniciativa colocaria uma potência histórica do basquete africano dentro do calendário internacional da NBA.
A possibilidade também reforça uma estratégia que a liga vem construindo há anos por meio da NBA Africa e da Basketball Africa League, ampliando a presença da organização no continente e criando estruturas para o desenvolvimento do esporte.
Em entrevista ao Andscape em junho de 2026, Mark Tatum afirmou que Angola é um mercado importante para a expansão da BAL e citou o país entre os locais considerados relevantes para o desenvolvimento de novas franquias e infraestrutura da competição.
Por enquanto, o jogo ainda não está confirmado. Mas a conversa já diz muito sobre o lugar que Luanda ocupa no mapa mundial do basquete.




