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Morre Jesse Jackson, líder que levou a luta por igualdade racial ao centro da política americana
Descendente da era Segregação e parceiro de Martin Luther King Jr., o reverendo transformou a luta por igualdade racial em movimento político global
O reverendo Jesse Jackson, uma das figuras mais influentes da história dos direitos civis nos Estados Unidos e duas vezes candidato à indicação presidencial pelo Partido Democrata, morreu aos 84 anos nesta terça-feira (17). A informação foi confirmada pela Rainbow PUSH Coalition, organização que ele fundou e liderou por décadas.
Jackson passou seus últimos meses debilitado por paralisia supranuclear progressiva, uma condição neurodegenerativa que se tornou mais grave após diagnóstico anterior de Parkinson. Ele faleceu em casa, cercado pela família, em Chicago.
Uma vida dedicada à igualdade e à justiça
Nascido em Greenville, Carolina do Sul, em 1941, Jackson cresceu sob as leis segregacionistas do Sul dos EUA. Ainda jovem, envolveu-se na luta pelos direitos civis, marchando ao lado de Dr. Martin Luther King Jr. e tornando-se uma de suas vozes mais próximas.
Após o assassinato de King em 1968, Jackson manteve viva a chama da resistência racial, liderando programas como Operation Breadbasket e, posteriormente, a Rainbow PUSH Coalition, que buscava não só direitos civis, mas também empoderamento econômico e político para trabalhadores, pessoas negras e comunidades marginalizadas.
Do púlpito às campanhas presidenciais
Em um país ainda marcado por desigualdades raciais profundas, Jackson tentou romper barreiras também na política institucional. Ele concorreu à nomeação presidencial democrata em 1984 e 1988, campanhas que, embora malsucedidas na conquista da indicação, foram históricas pela capacidade de mobilizar eleitores negros e progressistas, ampliando a base política para futuras lideranças.
Analistas e historiadores reconhecem que aqueles esforços ajudaram a pavimentar o caminho para candidatos como Barack Obama, o primeiro presidente afro-americano dos EUA.
A influência de Jackson extrapolou as fronteiras americanas. Ao longo de sua carreira, ele usou sua plataforma para lutar contra o apartheid na África do Sul, promover direitos humanos em diferentes continentes e exigir equidade econômica e social em diversas frentes.
Sua capacidade de conectar discurso moral com organização política transformou-o em uma referência duradoura para ativistas, políticos e movimentos por justiça racial e social em todo o mundo.
Repercussões e homenagens
A notícia de sua morte desencadeou uma onda de homenagens políticas e sociais. Líderes como o ex-presidente Barack Obama o lembraram como um “gigante” cuja luta expandiu as fronteiras da esperança e da justiça, enquanto autoridades locais nos Estados Unidos determinaram bandeiras a meio mastro em sua honra.
Bernice King, filha de Martin Luther King Jr., descreveu Jackson como um “parceiro” na luta pela igualdade e um irmão de batalha cuja influência moldou gerações.
A trajetória de Jesse Jackson sintetiza uma narrativa maior do século XX e início do XXI: a luta contra o racismo institucional, a busca por inclusão política e econômica e a crença de que a democracia deve incluir vozes historicamente silenciadas.
Ele deixa a esposa, Jacqueline, seus seis filhos e vários netos, mas, acima de tudo, um legado de mobilização, dignidade e coragem que continuará a reverberar em movimentos pelo mundo.




