15 de maio de 2026

Afri News

Morre Clarence Carter, lenda do soul sulista e voz histórica da música negra norte-americana

Cantor de sucessos como “Patches” e “Strokin’” ajudou a construir a tradição do soul, blues e R&B nos Estados Unidos

Barbara Braga | 15/05/2026
Thumbnail
- Crédito: Clarence Carter

A música negra norte-americana perdeu uma de suas vozes mais emblemáticas. Clarence Carter morreu aos 90 anos, deixando um legado que atravessa o soul, o blues, o rhythm and blues e décadas inteiras da cultura musical negra dos Estados Unidos.

Dono de uma voz inconfundível e de uma carreira marcada por intensidade emocional, humor e narrativa popular, Carter ficou conhecido mundialmente por músicas como Patches, Slip Away e Strokin’, faixas que ajudaram a consolidar sua posição como um dos grandes nomes do soul sulista.

Uma voz moldada pelo sul dos Estados Unidos

Nascido no Alabama, em 1936, Clarence Carter cresceu em um contexto profundamente atravessado pela tradição musical negra do sul norte-americano. Cego desde a infância, Carter encontrou na música um espaço de expressão e sobrevivência, desenvolvendo uma trajetória que misturava gospel, blues, soul e country de maneira extremamente particular.

Nos anos 1960 e 1970, passou a integrar o catálogo da lendária Atlantic Records, selo responsável por alguns dos artistas negros mais importantes do século XX.

Foi nesse período que lançou Patches, um de seus maiores sucessos.

A música narrava a história de um jovem negro pobre tentando sustentar a família após a morte do pai, uma narrativa profundamente conectada à realidade social do sul dos Estados Unidos naquele período.

Embora tenha ficado conhecido inicialmente pelas baladas soul e músicas românticas, Clarence Carter também construiu uma carreira marcada pelo humor irreverente e pela liberdade criativa. Isso ficou ainda mais evidente em Strokin’, lançada nos anos 1980, faixa que atravessou décadas como um clássico cult da música negra norte-americana.

Ao longo da carreira, Carter transitou entre diferentes públicos sem perder sua identidade artística, algo raro para músicos de sua geração.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga