26 de agosto de 2026

Entretenimento

Miles Morales mudou o rosto do Homem-Aranha e seu cocriador vem à CCXP26

Brian Michael Bendis, um dos responsáveis pela criação do personagem, participará pela primeira vez do festival, que acontece em dezembro, em São Paulo

Barbara Braga | 25/08/2026
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- Crédito: @jordanjessegopod | @brianmbendis

O Homem-Aranha ganhou um novo rosto, uma nova história e uma nova possibilidade de representação. Em 2011, o universo dos quadrinhos apresentou Miles Morales, um adolescente negro e latino que assumiu o manto do herói no Universo Ultimate da Marvel. Quinze anos depois, um dos responsáveis por colocar esse personagem no mundo estará no Brasil.

A CCXP26 confirmou a participação de Brian Michael Bendis, cocriador de Miles Morales e roteirista de Ultimate Spider-Man. O norte-americano participará pela primeira vez do festival, no Artists’ Valley, em uma parceria com a Baú das HQs.

A edição de 2026 da CCXP acontece entre 3 e 6 de dezembro, no São Paulo Expo, em São Paulo.

Miles Morales: quando o Homem-Aranha ganhou outro rosto

Criado por Brian Michael Bendis e pela artista Sara Pichelli, Miles Morales apareceu pela primeira vez em Ultimate Fallout #4, em agosto de 2011.

A chegada do personagem representou uma mudança importante dentro de uma das franquias mais conhecidas dos quadrinhos. Pela primeira vez, um personagem negro e latino assumia o manto do Homem-Aranha em uma posição de protagonismo dentro do Universo Marvel.

Mas Miles não foi criado simplesmente como uma versão diferente de Peter Parker.

Sua história foi construída a partir de experiências próprias, de sua relação com a família, de sua identidade e de sua vivência como jovem em Nova York. O personagem nasceu, portanto, com uma identidade que não precisava apagar a de Peter Parker para existir.

A ideia abriu espaço para uma discussão que ultrapassou os quadrinhos: quem pode vestir o uniforme de um dos maiores heróis da cultura pop?

A resposta de Miles foi direta: o Homem-Aranha também pode ser negro.

O que começou nas páginas das HQs rapidamente ganhou outras dimensões. Miles Morales passou a aparecer em jogos, séries animadas e filmes, conquistando uma geração de fãs que talvez nunca tivesse tido contato com sua primeira versão nos quadrinhos.

A popularidade explodiu especialmente com Homem-Aranha no Aranhaverso, animação que levou Miles para o cinema e apresentou sua história a um público ainda maior. O filme venceu o Oscar de Melhor Animação em 2019 e transformou o personagem em um dos rostos mais reconhecidos da Marvel fora das HQs.

A trajetória também continuou nos videogames, com Marvel’s Spider-Man: Miles Morales, lançado em 2020, colocando o personagem novamente no centro da narrativa.

Em todos esses espaços, a presença de Miles carrega algo que vai além da fantasia de super-heróis: uma criança negra pode olhar para a tela ou para uma página e se reconhecer como protagonista de uma história gigantesca.

Por que Miles importa?

A força de Miles Morales está justamente na combinação entre familiaridade e novidade.

Ele veste um uniforme conhecido, carrega poderes conhecidos e ocupa um lugar que durante décadas pertenceu a Peter Parker. Mas sua história é atravessada por outra família, outra cultura, outra experiência racial e outra maneira de enxergar o mundo.

Isso fez com que o personagem se tornasse especialmente importante para jovens negros e latinos que cresceram acompanhando suas aventuras. E a representação não acontece apenas porque Miles é negro.

Ela está também na possibilidade de mostrar um personagem negro como herói, protagonista, cientista, estudante, amigo, filho e alguém que precisa aprender a lidar com responsabilidade, sem que sua existência seja reduzida exclusivamente à questão racial. É aí que a criação de Bendis e Pichelli ganha uma dimensão maior dentro da cultura pop.

Serviço

CCXP26 acontece de 3 a 6 de dezembro de 2026, no São Paulo Expo, em São Paulo (SP). Brian Michael Bendis participará do Artists’ Valley pela primeira vez, em parceria com a Baú das HQs.

A programação do festival está sujeita a alterações e à capacidade dos espaços.

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Barbara Braga