21 de agosto de 2026

Cultura

Mestres e mestras que mantêm viva a cultura baiana ganham websérie gratuita no YouTube

Com 15 episódios, “Heróis e Heroínas Populares – A cultura de um povo” registra histórias de referências da capoeira, samba de roda, artesanato e outras tradições da Bahia

Barbara Braga | 20/08/2026
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- Crédito: Foto: Frame da websérie Heróis e Heroínas Populares

Há conhecimentos que não estão nos livros. Eles estão nas rodas de capoeira, no toque do berimbau, no samba de roda, nas mãos de quem produz renda de bilro e nas histórias contadas de geração em geração.

É justamente para preservar essas memórias que a websérie “Heróis e Heroínas Populares – A cultura de um povo” reúne 15 episódios dedicados a mestres e mestras que fazem da cultura popular baiana uma tradição viva.

A produção já está disponível gratuitamente no YouTube, no canal do Projeto Mandinga, e pode ser acessada pelo público em geral, além de funcionar como fonte de pesquisa para estudantes, pesquisadores e interessados na cultura popular brasileira.

Os episódios foram gravados em Salvador, na Ilha de Itaparica e em diferentes municípios do Recôncavo Baiano, acompanhando personagens que carregam consigo conhecimentos construídos ao longo de décadas.

São pessoas que podem ser entendidas como verdadeiras bibliotecas vivas. Suas histórias atravessam diferentes gerações e ajudam a compreender como manifestações culturais se mantiveram presentes mesmo diante das transformações sociais e históricas.

A série percorre expressões como capoeira, samba de roda, artesanato, renda de bilro e fabricação artesanal de instrumentos, além de outras práticas que fazem parte da identidade cultural da região da Baía de Todos-os-Santos. A proposta é colocar no centro quem passou a vida preservando, praticando e transmitindo esses saberes.

Um dos principais aspectos da websérie está justamente na transformação de conhecimentos tradicionalmente transmitidos pela oralidade em um registro audiovisual que pode atravessar gerações.

Muitos dos saberes apresentados nos episódios dependem da convivência e da transmissão direta: aprender observando, escutando, repetindo e vivendo aquela prática.

Ao registrar essas trajetórias, a produção cria um acervo que permite que essas histórias sejam acessadas também por quem não teve a oportunidade de conhecer pessoalmente os mestres e mestras.

A série também aposta em acessibilidade, com recursos como legendas, janela de Libras e audiodescrição textual, ampliando o público que pode conhecer esse patrimônio cultural.

“Um legado para as futuras gerações”

Idealizada por Mestre Sabiá, criador do Rede Capoeira, a websérie nasceu justamente da vontade de reconhecer essas pessoas ainda em vida.

“Esse projeto nasceu do sonho de reconhecer, homenagear e registrar em vida aqueles que mantêm viva a nossa cultura.”

Para Mestre Sabiá, o projeto vai além de contar histórias. A intenção é contribuir para que esses conhecimentos sejam preservados e para que seus protagonistas tenham o reconhecimento que merecem.

“Mais do que contar histórias, a série preserva memórias, valoriza saberes ancestrais e fortalece novas narrativas, colocando os verdadeiros protagonistas da cultura popular no lugar de reconhecimento e dignidade que sempre lhes pertenceu.”

Ele também define a produção como um legado para quem virá depois.

“É um legado para as futuras gerações e um convite para que o Brasil conheça e celebre seus patrimônios vivos.”

Quem são os mestres e mestras homenageados?

A websérie reúne personagens de diferentes territórios e manifestações culturais da Bahia.

Na capoeira, os episódios apresentam:

  • Mestre Bigo, de Itaparica;
  • Mestre Felipe, de Santo Amaro;
  • Mestre Fernando, de Saubara;
  • Mestre Carcará, de Santo Amaro;
  • Mestre Nô, de Itaparica.

Já o samba de roda ganha espaço nas histórias de:

  • Dona Dalva, de Cachoeira;
  • Dona Maninha, de Acupe;
  • Mestre Aurino, de Maracangalha;
  • Mestre Domingos Preto, de Santiago do Iguape;
  • Mestre Ecinho, de Acupe;
  • Dona Rita da Barquinha, de Bom Jesus dos Pobres, distrito de Saubara.

A produção também apresenta personagens ligados a outras importantes manifestações culturais.

Dona Lindaura, de Cachoeira, é Juíza Perpétua da Irmandade da Boa Morte, enquanto Terêsa, de Salvador, integra as Ganhadeiras de Itapuã.

No artesanato, a série registra a trajetória de Maria Rendeira, de Saubara, reconhecida pela preservação da tradicional renda de bilro, e de Mestre Olavo, de Salvador, referência na fabricação artesanal de berimbaus.

A cultura popular não existe apenas como lembrança do passado. Ela continua sendo produzida, ensinada e reinventada por pessoas que dedicam suas vidas a manter determinados conhecimentos em circulação.

É esse movimento que “Heróis e Heroínas Populares – A cultura de um povo” procura registrar. Ao reunir 15 histórias em 15 episódios, a produção cria uma espécie de mapa afetivo e cultural da Bahia, passando por diferentes territórios e mostrando que cada mestre e cada mestra carrega uma parte dessa história.

O projeto também reforça a importância de registrar essas trajetórias enquanto seus protagonistas estão vivos, permitindo que suas próprias vozes contem como esses saberes chegaram até o presente.

Onde assistir?

Os 15 episódios de “Heróis e Heroínas Populares – A cultura de um povo” estão disponíveis gratuitamente no YouTube, no canal do Projeto Mandinga.

A websérie foi lançada em 6 de agosto, durante a abertura da 8ª edição do Rede Capoeira, realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), em Salvador. O evento contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

A produção é idealizada por Mestre Sabiá e realizada pelo Projeto Mandinga, por meio do Ministério da Cultura.

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Barbara Braga