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MC Luanna abre o jogo sobre fama, identidade e a personagem que criou para sobreviver aos holofotes: “Ela me protege de tudo”
Em conversa com Sarah Aline, artista fala sobre identidade, vulnerabilidade, racismo e os impactos da fama em sua vida pessoal
Para milhões de pessoas, ela é MC Luanna: artista de presença marcante, letras afiadas e posicionamentos que ecoam entre o rap, o trap e o funk brasileiro. Mas, longe dos palcos e dos holofotes, existe Luana Oliveira, uma mulher que se descreve como tímida, reservada e com vergonha de “absolutamente tudo”.
É justamente sobre essa diferença entre a pessoa e a personagem que a cantora fala no novo episódio do videocast “Sarah de Terapia”, apresentado por Sarah Aline. Durante a conversa, Luanna compartilha reflexões sobre identidade, saúde emocional, racismo, afetos e a forma como construiu uma versão pública de si mesma para lidar com a exposição trazida pela carreira.
Com mais de 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify e uma trajetória que ultrapassa as fronteiras do Brasil, a artista revelou que a figura conhecida pelo público funciona como uma espécie de escudo.
“Eu separo muito o CPF do CNPJ. São pessoas completamente diferentes. A MC Luanna traz tudo o que eu não conseguiria ser na minha vida real. Então eu criei uma capa, uma pessoa, para ficar na minha frente como uma forma de proteção. Ela me protege de tudo”, afirmou.
Entre Luana e MC Luanna
A criação dessa persona não significa, porém, que exista uma ruptura completa entre a artista e a mulher por trás dela. Durante o episódio, Luanna explica que algumas características permanecem presentes em ambas as versões. O humor, por exemplo, é uma delas.
“Existem coisas em comum entre as duas. Eu sou muito engraçadinha o tempo inteiro”, comenta.
A fala evidencia uma realidade vivida por muitos artistas: a necessidade de construir personagens capazes de ocupar espaços públicos sem abrir mão da própria intimidade.
No caso de MC Luanna, essa separação se tornou uma ferramenta para preservar partes de si que não deseja expor constantemente ao olhar do público.
Outro tema abordado na conversa é a expectativa de que a artista esteja disponível o tempo inteiro para representar a persona que criou. Segundo Luanna, algumas pessoas têm dificuldade em compreender que a MC Luanna é uma construção profissional e que existe uma vida além dos palcos.
“Uma coisa que as pessoas precisam entender é que a MC Luanna é um trabalho”, afirma.
A reflexão dialoga com uma questão cada vez mais presente na era das redes sociais, onde a fronteira entre vida pessoal e carreira se torna cada vez mais difusa.
Para artistas negros, especialmente mulheres negras, essa pressão costuma ser ainda maior, já que suas trajetórias frequentemente são atravessadas por expectativas, estereótipos e cobranças adicionais.
A fama e os afetos
A exposição também impactou áreas da vida que vão muito além da música. Durante o episódio, MC Luanna revela que não conseguiu se envolver amorosamente com ninguém desde que alcançou maior notoriedade.
Segundo a artista, alguns homens demonstram receio diante dos posicionamentos que ela expressa em suas músicas e entrevistas. Essa realidade acabou influenciando sua forma de lidar com os próprios sentimentos.
“Eu acho que dei uma camuflada no sentimento, já que preciso fazer dinheiro”, revela.
Arte, identidade e resistência
Mulher, preta, favelada e uma das vozes mais importantes da nova geração da música urbana brasileira, MC Luanna transformou suas vivências em matéria-prima para sua arte.
Ao longo da conversa com Sarah Aline, ela também aborda questões relacionadas ao racismo, ao pertencimento e às diferentes versões que coexistem dentro de uma mesma pessoa. O episódio revela alguém que segue construindo sua identidade enquanto navega entre expectativas externas e desejos pessoais.
A segunda temporada de “Sarah de Terapia” é exibida semanalmente às terças-feiras, às 5h da manhã, no YouTube e no Spotify.




