8 de janeiro de 2026

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Maria Ribeiro, intérprete de Sinhá Vitória em ‘Vidas Secas’, morre aos 102 anos

Maria Ribeiro, atriz que marcou definitivamente o cinema brasileiro ao interpretar Sinhá Vitória em ‘Vidas Secas’, morreu aos 102 anos. Sua atuação no clássico de 1963 atravessou décadas como um dos retratos mais contundentes da vida no sertão e consolidou seu nome na história do audiovisual nacional.

Eddy Silva | 06/01/2026
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- Crédito: Herbert Richers Produções Cinematográficas

Maria Ribeiro morreu aos 102 anos, deixando um dos retratos mais emblemáticos do cinema brasileiro. A atriz entrou para a história ao viver Sinhá Vitória em ‘Vidas Secas’ (1963), adaptação do romance de Graciliano Ramos dirigida por Nelson Pereira dos Santos. A morte ocorreu em 29 de dezembro, em Genebra, na Suíça, onde ela vivia nos últimos anos, segundo informou a família.

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Nascida Maria Ramos da Silva, no povoado de Boqueirão, em Sento Sé, no interior da Bahia, em 25 de março de 1923, Maria cresceu entre deslocamentos pelo interior do país até se estabelecer no Rio de Janeiro ainda jovem. Sem formação artística e distante dos palcos, ela trabalhava em um laboratório cinematográfico quando foi convidada a integrar o elenco de Vidas Secas. O encontro casual acabou se transformando em um dos momentos mais decisivos da história do cinema nacional.

Em cena, Maria construiu uma Sinhá Vitória marcada pela contenção, pelo silêncio e pela força cotidiana. Sua atuação, ancorada mais na experiência de vida do que em técnicas tradicionais de interpretação, dialogava diretamente com o projeto estético do Cinema Novo, que buscava revelar o Brasil real, sem ornamentos. O resultado foi uma personagem que atravessou gerações e se consolidou como símbolo da mulher sertaneja diante da escassez, da migração e da resistência.

Após o impacto de ‘Vidas Secas’, Maria Ribeiro seguiu carreira no cinema e participou de produções importantes como ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’, ‘Os Herdeiros’ e ‘O Amuleto de Ogum’. Ao longo das décadas, manteve uma trajetória discreta, com aparições pontuais e longos períodos afastada dos holofotes, sempre preservando a força simbólica de sua estreia.

A longevidade de Maria Ribeiro acompanha a permanência de sua obra. Mais de seis décadas depois, Sinhá Vitória segue como uma das personagens mais potentes do audiovisual brasileiro, não apenas pela dureza da narrativa, mas pela humanidade impressa em cada gesto. Com sua morte, o cinema brasileiro se despede de uma atriz que transformou a própria vida em linguagem e deixou um legado definitivo para a cultura do país.

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Eddy Silva