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Justiça de SP arquiva investigação sobre morte de Ngange Mbaye, ambulante senegalês baleado no Brás
Decisão acolhe pedido do Ministério Público, que apontou legítima defesa de policial militar
A Justiça de São Paulo determinou o arquivamento do processo que investigava a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, baleado por um policial militar durante uma operação contra o comércio informal no bairro do Brás, região central da capital, em abril de 2025.
A decisão foi tomada após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedir o arquivamento do caso. O órgão sustentou que o policial teria agido em legítima defesa, alegando que Mbaye resistiu à abordagem e teria utilizado um objeto para atingir um dos agentes. Com base nesse entendimento, o MP considerou que não haveria elementos suficientes para oferecer denúncia criminal.
Ngange Mbaye, que trabalhava como ambulante, foi atingido por um disparo no abdômen durante a ação policial. Imagens registradas por testemunhas circularam nas redes sociais à época e mostraram momentos da abordagem, gerando forte repercussão pública e questionamentos sobre a proporcionalidade da ação.
Após a morte, manifestações tomaram as ruas do centro de São Paulo, com participação da comunidade senegalesa e de organizações da sociedade civil que pediam justiça. O caso também ganhou repercussão internacional, com atenção de representantes diplomáticos do Senegal.
O arquivamento não impede que a decisão seja contestada por meio de recursos ou que novas provas possam reabrir o debate judicial. Ainda assim, para familiares, amigos e ativistas, o encerramento do processo sem julgamento reforça a sensação de desigualdade no acesso à justiça.




