Esportes
Ketleyn Quadros, primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em um esporte individual, anuncia sua aposentadoria
Primeira mulher brasileira a subir ao pódio olímpico em uma modalidade individual, a judoca deixa os tatames aos 38 anos após mais de duas décadas na elite da modalidade
A judoca Ketleyn Quadros anunciou sua aposentadoria das competições, encerrando uma das trajetórias mais importantes da história do esporte brasileiro. Aos 38 anos, a atleta se despede dos tatames após mais de duas décadas defendendo a Seleção Brasileira e consolidando um legado que ultrapassa as medalhas: o de abrir caminhos para gerações de mulheres no judô nacional.
A despedida foi anunciada em um comunicado da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), onde a atleta relembrou sua trajetória no tatame. “Quando comecei no judô, eu não imaginava até onde aquele sonho poderia me levar. O que começou como uma oportunidade de praticar esporte se transformou em uma jornada que mudou a minha vida. O judô me ensinou disciplina, respeito, coragem, resiliência e a acreditar que, mesmo quando o caminho parece impossível, vale a pena a gente continuar. Tive o privilégio de representar o Brasil nos maiores palcos do mundo, vivi momentos que jamais vou esquecer, me reinventei inúmeras vezes e cresci dentro e fora do tatame”, escreveu Ketleyn.
“Com o passar dos anos, eu percebi que o maior significado daquela conquista de 2008 não estava apenas na medalha em si, e sim nas portas que ela ajudou a abrir. Se hoje mais meninas acreditam que podem chegar lá, se mais mulheres ocupam espaços que antes pareciam distantes, sinto que minha missão foi muito maior do que qualquer resultado”, complementou.
Natural de Ceilândia, no Distrito Federal, Ketleyn entrou para a história nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, ao conquistar a medalha de bronze na categoria até 57 kg e se tornar a primeira mulher brasileira a subir ao pódio olímpico em uma modalidade individual. Dezesseis anos depois, voltou a conquistar uma medalha olímpica ao integrar a equipe mista que garantiu o bronze inédito do Brasil nos Jogos de Paris 2024. Ao longo da carreira, também participou dos Jogos de Tóquio 2020 e acumulou títulos e pódios em Campeonatos Pan-Americanos, Grand Slams, Grand Prix, Mundial por Equipes e Jogos Pan-Americanos.
“Eu encerro esse ciclo com o coração em paz. Tenho profunda gratidão à minha família, aos meus treinadores, aos clubes que me acolheram, aos companheiros de equipe, aos profissionais que caminharam ao meu lado, aos torcedores e a todos que acreditaram em mim. Nada disso foi construído sozinha. Essa história pertence a muitas mãos, muitos corações e muitas pessoas que sonharam junto comigo”, comentou a judoca.
Apesar da aposentadoria das competições, Ketleyn pretende seguir ligada ao esporte. Integrante da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e recém-formada no Curso Avançado de Gestão Esportiva da entidade, ela pretende atuar na gestão esportiva e não descarta, no futuro, trabalhar com a formação de jovens judocas.
O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley, classificou a atleta como uma das maiores referências da modalidade e destacou o impacto de sua trajetória para o esporte brasileiro.
“A Ketleyn escreveu um dos capítulos mais importantes da história do judô brasileiro. Sua conquista olímpica foi um marco para o esporte e um símbolo de inspiração para milhares de meninas que passaram a acreditar que também poderiam chegar ao mais alto nível”, afirmou.




