Grammy Awards
Grammy 2026: Kendrick Lamar quebra recorde histórico e Bad Bunny leva 'Álbum do Ano'
Edição foi marcada pela consagração de Kendrick como o rapper mais premiado de todos os tempos, tributo épico ao Neo-Soul com Lauryn Hill e vitória política de Bad Bunny em espanhol.
A 68ª edição do Grammy Awards, realizada na noite deste domingo (1), em Los Angeles, não foi apenas uma premiação musical; foi um manifesto de soberania da cultura preta e latina. Entre recordes quebrados e performances que evocaram a ancestralidade, a noite consolidou o domínio do “Sul Global” e da música urbana no cenário mundial.
Kendrick Lamar chegou à cerimônia como o grande favorito e não decepcionou. Ao vencer quatro categorias na noite (Melhor Álbum de Rap por GNX, Melhor Performance de Rap, Melhor Performance de Rap Melódico e Melhor Canção de Rap), o artista atingiu a marca histórica de 27 gramofones, ultrapassando Jay-Z e tornando-se o rapper mais premiado da história do Grammy.
O ponto alto de sua noite foi a vitória em Gravação do Ano com o hit “Luther”, em parceria com SZA. Ao subir ao palco ao lado do produtor Sounwave, o trio dedicou o prêmio às lendas Luther Vandross e Cheryl Lynn. A faixa é uma aula de uso de sample ao resgatar o clássico “Got to Be Real” (1978), conectando o Rap de 2026 à era de ouro do R&B.
A Zebra Histórica: Bad Bunny e o poder do espanhol
A maior surpresa da noite veio na categoria principal. Bad Bunny desbancou favoritos como Kendrick e Taylor Swift ao vencer Álbum do Ano com DEBÍ TIRAR MÁS FOTOS. Em um ato de resistência, o porto-riquenho fez seu discurso de agradecimento inteiramente em espanhol, exaltando suas raízes e criticando as políticas de imigração dos EUA (ICE).
“A música não tem fronteiras e o nosso idioma é o ritmo do mundo”, declarou o artista sob aplausos de pé.
Tributos e a ‘Realeza’ no Palco
A performance mais comentada da internet foi o tributo conjunto a D’Angelo e Roberta Flack. Sob o comando de Ms. Lauryn Hill, um “Dream Team” do R&B e Soul ocupou o palco. Nomes como Lucky Daye, Raphael Saadiq, Leon Thomas, Bilal, Jon Batiste, Lalah Hathaway e Chaka Khan entregaram uma apresentação que fundiu técnica vocal e espiritualidade.
O reencontro de Lauryn com Wyclef Jean para cantar “Killing Me Softly” foi o momento de maior emoção da cerimônia, celebrando o legado da soul music que pavimentou o caminho para a nova geração.
O Domínio do R&B e Novas Vozes
A noite também foi de consagração para Leon Thomas, que garantiu um “hat-trick” com três vitórias, incluindo Melhor Álbum de R&B por MUTT. Kehlani também brilhou ao vencer em duas categorias de R&B com a faixa “Folded”.
Na categoria Artista Revelação, a britânica Olivia Dean confirmou o favoritismo e levou o troféu, fazendo um discurso potente sobre a importância de investir em artistas independentes e na identidade da diáspora.
Flores em Vida: Reconhecimento pela Carreira
O Grammy 2026 reservou um espaço especial para os “arquitetos” da música. O prêmio Lifetime Achievement (Realização de Vida) foi entregue a gigantes que moldaram a cultura:
- Anita Baker
- Public Enemy
- The Isley Brothers
- The Clark Sisters
Confira abaixo a lista completa dos vencedores que honraram nossa cultura nesta edição:
Rap e Hip Hop
A presença de Kendrick Lamar foi dominante, reafirmando sua autoridade lírica e técnica.
- Gravação do Ano: “Luther” — Kendrick Lamar com SZA
- Melhor Performance de Rap: “Chains & Whips” — Clipse, Pusha T e Malice feat. Kendrick Lamar e Pharrell Williams
- Melhor Performance de Rap Melódico: “Luther” — Kendrick Lamar com SZA
- Melhor Música de Rap: “TV OFF” — Kendrick Lamar feat. Lefty Gunplay
- Melhor Álbum de Rap: GNX — Kendrick Lamar
R&B e Soul
Kehlani e Leon Thomas carregam adiante a riqueza emocional do gênero com texturas modernas.
- Melhor Performance R&B: “Folded” — Kehlani
- Melhor Performance R&B Tradicional: “Vibes Don’t Lie” — Leon Thomas
- Melhor Música R&B: “Folded” — Kehlani
- Melhor Álbum de R&B Progressivo: Bloom — Durand Bernarr
- Melhor Álbum de R&B: Mutt — Leon Thomas
Reconhecimento Pop e Revelação
- Artista Revelação: Olivia Dean
- Melhor Performance de Pop Duo/Grupo: Cynthia Erivo (com Ariana Grande)
Música Eletrônica e Dance
- Melhor Álbum de Dance/Eletrônica: EUSEXUA — FKA twigs
Jazz e Excelência Instrumental
- Melhor Álbum de Jazz Vocal: Portrait — Samara Joy
- Melhor Álbum de Jazz Instrumental: Southern Nights — Sullivan Fortner feat. Peter Washington e Marcus Gilmore
Raízes, Blues, Gospel e Country
Histórias que ainda respiram e novas fronteiras sendo ocupadas.
- Melhor Performance de Raízes Americanas: “Beautiful Strangers” — Mavis Staples
- Melhor Performance Americana: “Godspeed” — Mavis Staples
- Melhor Álbum de Blues Tradicional: Ain’t Done With the Blues — Buddy Guy
- Melhor Performance/Música Gospel: “Come Jesus Come” — CeCe Winans feat. Shirley Caesar
- Melhor Performance de Country Duo/Grupo: “Amen” — Shaboozey (com Jelly Roll)
Categorias Globais, Africanas e Reggae
- Melhor Performance de Música Africana: “Push 2 Start” — Tyla
- Melhor Álbum de Reggae: Blxxd & Fyah — Keznamdi
Mídia Visual, Infantil e Design
- Melhor Álbum de Música Infantil: Harmony — Fyütch e Aura V
- Melhor Videoclipe: “Anxiety” — Doechii
- Melhor Capa de Álbum: Chromakopia — Tyler, the Creator (Design por Shaun Llewellyn e Luis “Panch” Perez)




