11 de setembro de 2026

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Goleiro do Atlético-GO denuncia racismo em jogo da Série B: “Joga a bola, macaco”

Paulo Vítor relatou ofensa vinda das arquibancadas, caso foi registrado em súmula e protocolo antirracismo da CBF foi acionado.

Barbara Braga | 10/09/2026
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- Crédito: Kevins Sganzerla

Mais um episódio de racismo no futebol brasileiro voltou a expor a distância entre os discursos de combate à discriminação e a realidade vivida por atletas negros dentro dos estádios.

O goleiro Paulo Vítor, do Atlético-GO, denunciou ter sido vítima de uma ofensa racista durante o empate por 2 a 2 com o Juventude, pela Série B do Campeonato Brasileiro, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS).

Segundo o relato registrado oficialmente após a partida, um torcedor teria se aproximado do alambrado e gritado: “Joga a bola, macaco”, direcionando a ofensa ao atleta enquanto ele se preparava para reiniciar o jogo.

A denúncia foi comunicada imediatamente à arbitragem e acabou registrada na súmula da partida, transformando o episódio em mais um caso formal de racismo no futebol nacional.

Protocolo antirracismo foi acionado

Após ouvir o relato de Paulo Vítor, o árbitro Ramon Abatti Abel acionou o protocolo antirracismo da CBF, criado para orientar a atuação da arbitragem diante de casos de discriminação racial durante partidas oficiais.

O procedimento inclui o gesto de cruzar os braços em formato de “X”, sinal que passou a simbolizar a interrupção e o registro de ocorrências relacionadas ao racismo nos gramados brasileiros.

A medida não encerra a investigação, mas formaliza a denúncia e permite que o caso seja encaminhado às autoridades competentes e aos órgãos responsáveis pela Justiça Desportiva.

Após a partida, a polícia foi acionada para tentar identificar o responsável pela ofensa por meio das imagens do sistema de monitoramento do estádio.

Embora campanhas institucionais, protocolos e punições tenham avançado nos últimos anos, casos de racismo continuam surgindo em competições nacionais e internacionais.

A situação também chama atenção porque não é a primeira denúncia registrada recentemente no Estádio Alfredo Jaconi.

Nos últimos meses, outras ocorrências envolvendo injúria racial foram relatadas no local, ampliando o debate sobre a responsabilidade dos clubes, das federações e das autoridades na prevenção e punição desse tipo de crime.

Para jogadores negros, o problema não está apenas na agressão verbal em si. O racismo dentro dos estádios funciona como um lembrete constante de que, mesmo sendo protagonistas do espetáculo, muitos atletas ainda precisam lidar com ataques à sua humanidade.

Quando a denúncia vira resistência

Ao denunciar a agressão e exigir providências, Paulo Vítor segue o caminho de outros atletas que têm se recusado a naturalizar situações semelhantes.

Historicamente, muitos casos de racismo no esporte foram silenciados, ignorados ou tratados como episódios isolados. Nos últimos anos, porém, jogadores passaram a denunciar publicamente as agressões sofridas, pressionando clubes, entidades esportivas e autoridades a agir de forma mais contundente.

Ainda assim, a repetição dos casos mostra que a luta contra o racismo no futebol está longe de terminar.

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Barbara Braga