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Goleiro do Atlético-GO denuncia racismo em jogo da Série B: “Joga a bola, macaco”
Paulo Vítor relatou ofensa vinda das arquibancadas, caso foi registrado em súmula e protocolo antirracismo da CBF foi acionado.
Mais um episódio de racismo no futebol brasileiro voltou a expor a distância entre os discursos de combate à discriminação e a realidade vivida por atletas negros dentro dos estádios.
O goleiro Paulo Vítor, do Atlético-GO, denunciou ter sido vítima de uma ofensa racista durante o empate por 2 a 2 com o Juventude, pela Série B do Campeonato Brasileiro, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS).
Segundo o relato registrado oficialmente após a partida, um torcedor teria se aproximado do alambrado e gritado: “Joga a bola, macaco”, direcionando a ofensa ao atleta enquanto ele se preparava para reiniciar o jogo.
A denúncia foi comunicada imediatamente à arbitragem e acabou registrada na súmula da partida, transformando o episódio em mais um caso formal de racismo no futebol nacional.
Protocolo antirracismo foi acionado
Após ouvir o relato de Paulo Vítor, o árbitro Ramon Abatti Abel acionou o protocolo antirracismo da CBF, criado para orientar a atuação da arbitragem diante de casos de discriminação racial durante partidas oficiais.
O procedimento inclui o gesto de cruzar os braços em formato de “X”, sinal que passou a simbolizar a interrupção e o registro de ocorrências relacionadas ao racismo nos gramados brasileiros.
A medida não encerra a investigação, mas formaliza a denúncia e permite que o caso seja encaminhado às autoridades competentes e aos órgãos responsáveis pela Justiça Desportiva.
Após a partida, a polícia foi acionada para tentar identificar o responsável pela ofensa por meio das imagens do sistema de monitoramento do estádio.
Embora campanhas institucionais, protocolos e punições tenham avançado nos últimos anos, casos de racismo continuam surgindo em competições nacionais e internacionais.
A situação também chama atenção porque não é a primeira denúncia registrada recentemente no Estádio Alfredo Jaconi.
Nos últimos meses, outras ocorrências envolvendo injúria racial foram relatadas no local, ampliando o debate sobre a responsabilidade dos clubes, das federações e das autoridades na prevenção e punição desse tipo de crime.
Para jogadores negros, o problema não está apenas na agressão verbal em si. O racismo dentro dos estádios funciona como um lembrete constante de que, mesmo sendo protagonistas do espetáculo, muitos atletas ainda precisam lidar com ataques à sua humanidade.
Quando a denúncia vira resistência
Ao denunciar a agressão e exigir providências, Paulo Vítor segue o caminho de outros atletas que têm se recusado a naturalizar situações semelhantes.
Historicamente, muitos casos de racismo no esporte foram silenciados, ignorados ou tratados como episódios isolados. Nos últimos anos, porém, jogadores passaram a denunciar publicamente as agressões sofridas, pressionando clubes, entidades esportivas e autoridades a agir de forma mais contundente.
Ainda assim, a repetição dos casos mostra que a luta contra o racismo no futebol está longe de terminar.




