Música
Fran lança duplo single e apresenta os primeiros capítulos de “Onda”
Duplo single chega em 18 de agosto e apresenta duas faces de uma mesma travessia entre dor, autocuidado, espiritualidade e reencontro
Há processos que não acontecem de uma vez. Entre o momento em que tudo parece desmoronar e aquele em que é possível voltar a enxergar caminhos, existem silêncios, descobertas, recaídas, afetos e pequenos recomeços. É desse lugar que Fran apresenta as primeiras canções de “Onda”, seu próximo álbum.
O cantor e compositor lança, no dia 18 de agosto, o duplo single formado por “Reconstruir” e “Mancha de Dendê”. Juntas, as músicas funcionam como dois retratos de uma mesma transformação: enquanto uma olha diretamente para a dor, a outra celebra o momento em que o reencontro consigo mesmo começa a ganhar novas cores.
A escolha da data para o anúncio também carrega um significado especial. Fran decidiu revelar o lançamento no dia 8 de agosto, aniversário de sua mãe, Preta Gil. A homenagem atravessa o novo projeto não apenas pela escolha do calendário, mas pela maneira como afeto, música e memória familiar aparecem conectados a um período importante de sua vida.
Gravada praticamente em take único, “Reconstruir” nasceu durante um dos períodos mais delicados vividos por Fran nos últimos anos. Em meio a mudanças pessoais e a uma rotina intensa, o artista atravessou um processo de depressão e encontrou na criação musical uma possibilidade de colocar em palavras, e sons, aquilo que nem sempre conseguia expressar.
A faixa não tenta esconder essa vulnerabilidade. Pelo contrário: transforma o silêncio e a fragilidade em matéria-prima para a criação. Nesse processo, fazer música passou a significar também se ouvir.
“Reconstruir” conta com Pedro Franco nos violões, que dialogam com os sintetizadores de Rodrigo Tavares. A construção minimalista da faixa acompanha justamente esse caráter mais íntimo, como se a canção preservasse o instante em que Fran ainda estava tentando compreender as próprias transformações.
É uma música sobre reconstrução, mas não necessariamente sobre chegar a um ponto final.
Se “Reconstruir” nasce de um momento de silêncio, “Mancha de Dendê” representa uma outra etapa dessa caminhada.
“Reconstruir” e “Mancha de Dendê”, primeiro capítulo de “Onda”
A faixa surge a partir do processo de enfrentamento da depressão e traduz mudanças que Fran passou a incorporar à própria rotina. Autocuidado, meditação, yoga e autoestima aparecem como elementos de uma transformação que também encontrou na música uma forma de existir. O artista resume esse processo ao falar sobre as duas canções:
“Essas músicas fizeram parte do meu processo de cura. Eu percebi que estava doando essa visceralidade para a minha arte. Elas começaram a me alimentar em um lugar de autoestima, de reconstrução.”
A sonoridade acompanha essa mudança de temperatura. “Mancha de Dendê” aproxima referências da música brasileira e do afrobeat contemporâneo, em uma pesquisa desenvolvida ao lado do percussionista baiano Kainã do Jêje, que assina a coprodução da faixa.
O resultado é uma música mais quente, pulsante e corporal, quase como se o movimento que antes estava acontecendo internamente começasse a ganhar espaço para fora.
Dois lados da mesma onda
A escolha de lançar as duas faixas juntas ajuda a entender o conceito de “Onda”. Em vez de organizar a experiência de transformação como uma história linear, Fran apresenta dois momentos que podem coexistir. Dor e esperança, silêncio e movimento, recolhimento e celebração aparecem como partes de uma mesma trajetória.
E talvez seja justamente aí que esteja a força do projeto. A reconstrução não acontece necessariamente quando a dor desaparece. Muitas vezes, ela começa enquanto a dor ainda está presente. “Reconstruir” e “Mancha de Dendê” representam esses dois lados: uma olha para dentro e registra a vulnerabilidade; a outra encontra no corpo, na espiritualidade e no autocuidado novas possibilidades de existência.
A relação de Fran com Preta Gil também atravessa esse momento de sua trajetória. Ao escolher o aniversário da mãe para anunciar o novo trabalho, o artista estabelece uma conexão entre memória, afeto e criação. A música aparece novamente como uma linguagem capaz de guardar aquilo que permanece mesmo quando as circunstâncias mudam.
Essa escolha também dá outra camada para “Onda”, um álbum que nasce justamente de experiências de transformação, perdas, espiritualidade e renascimento. A homenagem não está apenas na data. Ela aparece na própria decisão de transformar sentimentos em arte.
Índia, espiritualidade e novas histórias
O universo de “Onda” ainda se expande para além das duas primeiras faixas. “Reconstruir” ganhará um videoclipe em 19 de agosto, construído a partir de imagens registradas por Fran durante uma viagem à Índia.
A experiência vivida no país também dará origem posteriormente a um documentário sobre espiritualidade, luto e transformação, ampliando os caminhos narrativos que acompanham o novo momento do artista.
A escolha da Índia dialoga diretamente com a busca espiritual que atravessou o processo de transformação de Fran e ajuda a conectar música e imagem em torno de uma mesma pergunta: como encontrar novas formas de existir depois de atravessar períodos que nos transformam profundamente?
“Onda” começa pela reconstrução
Ainda sem revelar todas as dimensões do próximo álbum, Fran utiliza “Reconstruir” e “Mancha de Dendê” para apresentar as primeiras coordenadas desse novo território.
É um trabalho atravessado por afeto, espiritualidade, autocuidado, luto, autoestima e transformação, mas que não transforma a dor em espetáculo. Pelo contrário: encontra na música uma maneira de reorganizá-la.




