25 de setembro de 2026

Afri News

Ex-Miss Jamaica processa Miss Universo após queda de 1,5 metro que causou graves lesões cerebrais

Gabrielle Henry caiu por uma abertura no palco durante o Miss Universo 2025, na Tailândia; meses depois, a médica jamaicana entrou na Justiça alegando negligência e afirma que o acidente mudou sua trajetória profissional

Barbara Braga | 25/09/2026
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- Crédito: @officialgabriellehenry | @yumakeupartist | @thaisashes

Quase um ano depois de uma queda que interrompeu sua participação no Miss Universo 2025, a jamaicana Gabrielle Henry voltou ao centro das atenções por uma razão muito diferente da faixa que carregava. A ex-Miss Jamaica Universe entrou com uma ação judicial contra a Miss Universe Organization e empresas relacionadas à organização do concurso, alegando que falhas de segurança no palco contribuíram para o acidente que provocou graves lesões na cabeça.

O processo foi apresentado em 21 de setembro de 2026, no Tribunal Superior de Delaware, nos Estados Unidos. A ação se refere ao acidente ocorrido em 19 de novembro de 2025, durante a etapa preliminar do concurso realizado na Tailândia.

Gabrielle afirma que seguia uma coreografia previamente ensaiada quando caiu aproximadamente 1,5 metro, atravessando uma abertura no palco que, segundo a denúncia, não estaria adequadamente sinalizada ou protegida.

O impacto provocou traumatismo craniano, hemorragias intracranianas, fraturas e lacerações no rosto. Na época, a própria organização do Miss Universo informou que a candidata havia sofrido uma hemorragia intracraniana e estava sob acompanhamento médico.

O acidente não representou apenas o fim antecipado de uma participação em um concurso internacional. Segundo a ação judicial, Gabrielle passou a enfrentar consequências neurológicas e cognitivas que exigiram acompanhamento médico, reabilitação e cuidados contínuos.

Em entrevista à ABC News, a jamaicana contou que não se lembra do momento exato da queda porque perdeu a consciência. O que veio depois foi uma longa recuperação, marcada pelos efeitos físicos e emocionais do trauma.

Gabrielle também afirma que o acidente teve impacto direto em sua vida profissional.

Antes de representar a Jamaica no Miss Universo, ela seguia uma trajetória na área da saúde. Médica oftalmologista, Gabrielle estava em residência médica quando participou do concurso. De acordo com a ação, as consequências do acidente dificultaram a retomada desse caminho profissional.

A história, portanto, vai além da experiência de uma candidata em um concurso de beleza. O processo coloca em discussão o que acontece quando um evento de alcance internacional apresenta, segundo uma das participantes, condições que podem colocar sua integridade física em risco.

O que aconteceu no palco?

De acordo com a denúncia apresentada por Gabrielle, a candidata seguia uma movimentação previamente ensaiada quando caiu por uma abertura existente no palco.

A ação afirma que o espaço não estaria devidamente protegido ou sinalizado e também questiona as condições de iluminação do local. Segundo o relato apresentado à Justiça, a iluminação direcionada à passarela teria prejudicado a visibilidade da área.

A ex-Miss Jamaica também afirma que outras candidatas haviam demonstrado preocupação anteriormente com as condições do palco e da iluminação.

Essas informações fazem parte das alegações apresentadas pela defesa de Gabrielle e ainda serão analisadas no processo judicial.

A disputa sobre quem era responsável pela segurança

Um dos pontos centrais do processo é justamente a definição de responsabilidade pela estrutura do evento.

Gabrielle acusa a organização e empresas envolvidas de negligência e apresenta diferentes alegações relacionadas às condições do local, à contratação e à supervisão dos responsáveis pela produção, além de danos emocionais decorrentes do acidente.

A Miss Universe Organization, por sua vez, declarou que ainda não havia sido oficialmente notificada sobre o processo e, por isso, não poderia comentar detalhadamente acusações que ainda não havia recebido formalmente.

A organização também afirmou que a saúde e o bem-estar de Gabrielle sempre foram prioridade.

Segundo a entidade, a produção do concurso de 2025, incluindo elementos como palco, iluminação, local e segurança, estava sob responsabilidade das organizações anfitriãs na Tailândia, entre elas a Miss Grand International (MGI) e a Miss Universe Thailand.

A organização também afirmou que contribuiu para as despesas médicas da jamaicana durante seu tratamento na Tailândia e posteriormente na Jamaica.

A divergência é importante porque o processo ainda está em andamento. Não há, neste momento, uma decisão judicial definitiva estabelecendo responsabilidade pelo acidente.

Quando um concurso de beleza vira uma questão de segurança

O caso de Gabrielle também chama atenção para uma discussão que ultrapassa os limites do Miss Universo: até onde vai a responsabilidade de grandes eventos sobre a segurança das pessoas que participam deles?

Concursos internacionais envolvem estruturas cenográficas complexas, passarelas, iluminação, coreografias e transmissões para milhões de pessoas. Para quem está diante das câmeras, entretanto, toda essa produção se transforma em um espaço físico de trabalho.

No caso de Gabrielle, a alegação apresentada à Justiça é que uma falha nesse ambiente teve consequências que ultrapassaram o momento da competição. A queda aconteceu em segundos. A recuperação, segundo seu relato, levou meses.

Uma médica que teve a trajetória interrompida

A história de Gabrielle ganha ainda outra dimensão quando se considera sua trajetória fora das passarelas.

A jamaicana construiu sua formação na medicina, com especialização em oftalmologia, e estava em residência médica quando representou seu país no Miss Universo. O concurso era parte de uma experiência pública de sua vida, mas não definia sua identidade profissional.

Depois do acidente, porém, a recuperação passou a ocupar espaço central em sua rotina.

Segundo a ação judicial, os sintomas decorrentes das lesões afetaram sua capacidade de seguir normalmente com seus planos profissionais. A necessidade de tratamento, reabilitação e acompanhamento neurológico passou a fazer parte de uma trajetória que, até então, estava concentrada na medicina.

É esse contraste que ajuda a dimensionar o impacto relatado por Gabrielle: não se trata apenas de uma candidata que precisou abandonar uma competição, mas de uma profissional que afirma ter tido sua vida e seus projetos alterados por um acidente ocorrido durante o evento.

O processo ainda está começando

A ação movida por Gabrielle Henry agora deverá seguir os trâmites da Justiça americana. As acusações apresentadas pela ex-Miss Jamaica ainda precisam ser analisadas, e as partes envolvidas terão espaço para apresentar suas versões e provas.

O Miss Universo afirma que não havia sido formalmente notificado sobre o processo no momento de sua manifestação pública e sustenta que a responsabilidade pela estrutura do evento cabia às organizações anfitriãs.

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Barbara Braga