Educação
Estudantes africanos ganham prêmio global por criar sistema de educação com IA que funciona sem internet
Happy Niyorurema e Mame Niang foram reconhecidos em Dubai por uma tecnologia que usa telefonia comum para levar aprendizado a quem está fora da rede
Em um momento em que a inteligência artificial costuma ser associada a aplicativos, computadores potentes e conexão constante, dois estudantes africanos apresentaram ao mundo uma proposta simples, e poderosa: uma ferramenta educacional baseada em IA que funciona sem internet.
Os estudantes Happy Niyorurema e Mame Niang, da Texas Christian University, foram premiados em Dubai com o Global Best M-Gov Award, reconhecimento entregue durante o World Government Summit, evento internacional voltado a inovação e serviços públicos.
A tecnologia desenvolvida pela dupla opera por um caminho acessível a milhões de pessoas: chamadas telefônicas comuns. Em vez de depender de aplicativos ou redes móveis, o sistema permite que usuários acessem conteúdos e orientações educacionais por meio da telefonia, usando até mesmo celulares básicos.
Les étudiants Happy Niyorurema et Mame Niang, de la Texas Christian University, ont créé une solution qui diffuse des contenus éducatifs par téléphone, sans qu’il soit nécessaire de posséder un smartphone https://t.co/822zRmmyvp
— Africanews Français (@africanewsfr) February 5, 2026
IA para o mundo real, e não só para quem está conectado
A proposta parte de uma realidade ignorada em grande parte do debate sobre IA: a exclusão digital. De acordo com a reportagem que divulgou o prêmio, os estudantes destacam que bilhões de pessoas seguem sem acesso regular à internet, especialmente em regiões do Sul Global, e que, por isso, ficam automaticamente fora das novas ferramentas educacionais baseadas em inteligência artificial.
Ao adaptar o uso da IA para uma infraestrutura já existente e mais difundida, a iniciativa oferece uma resposta direta a uma pergunta que muitas vezes fica de fora da agenda tecnológica: como garantir que a revolução da IA não aprofunde desigualdades?
Testes no continente e plano de expansão
O sistema já estaria em fase piloto em Ruanda, e a expectativa dos estudantes é ampliar o alcance para outros países africanos, como Senegal e Zâmbia, além de outras regiões onde o acesso à internet ainda é limitado.
Além do impacto educacional, a solução também aponta para um caminho estratégico: o desenvolvimento de tecnologias que respeitam as realidades locais, em vez de impor modelos pensados exclusivamente para países com conectividade plena.




