6 de fevereiro de 2026

Educação

Estudantes africanos ganham prêmio global por criar sistema de educação com IA que funciona sem internet

Happy Niyorurema e Mame Niang foram reconhecidos em Dubai por uma tecnologia que usa telefonia comum para levar aprendizado a quem está fora da rede

Barbara Braga | 06/02/2026
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- Crédito: @africanews

Em um momento em que a inteligência artificial costuma ser associada a aplicativos, computadores potentes e conexão constante, dois estudantes africanos apresentaram ao mundo uma proposta simples, e poderosa: uma ferramenta educacional baseada em IA que funciona sem internet.

Os estudantes Happy Niyorurema e Mame Niang, da Texas Christian University, foram premiados em Dubai com o Global Best M-Gov Award, reconhecimento entregue durante o World Government Summit, evento internacional voltado a inovação e serviços públicos.

A tecnologia desenvolvida pela dupla opera por um caminho acessível a milhões de pessoas: chamadas telefônicas comuns. Em vez de depender de aplicativos ou redes móveis, o sistema permite que usuários acessem conteúdos e orientações educacionais por meio da telefonia, usando até mesmo celulares básicos.

IA para o mundo real, e não só para quem está conectado

A proposta parte de uma realidade ignorada em grande parte do debate sobre IA: a exclusão digital. De acordo com a reportagem que divulgou o prêmio, os estudantes destacam que bilhões de pessoas seguem sem acesso regular à internet, especialmente em regiões do Sul Global, e que, por isso, ficam automaticamente fora das novas ferramentas educacionais baseadas em inteligência artificial.

Ao adaptar o uso da IA para uma infraestrutura já existente e mais difundida, a iniciativa oferece uma resposta direta a uma pergunta que muitas vezes fica de fora da agenda tecnológica: como garantir que a revolução da IA não aprofunde desigualdades?

Testes no continente e plano de expansão

O sistema já estaria em fase piloto em Ruanda, e a expectativa dos estudantes é ampliar o alcance para outros países africanos, como Senegal e Zâmbia, além de outras regiões onde o acesso à internet ainda é limitado.

Além do impacto educacional, a solução também aponta para um caminho estratégico: o desenvolvimento de tecnologias que respeitam as realidades locais, em vez de impor modelos pensados exclusivamente para países com conectividade plena.

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Barbara Braga