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Esposa de Paulo Soares homenageia filmmaker: “Ele seria o pai dos nossos filhos”
Kelly Costa relembrou a história ao lado do companheiro, os planos de construir uma família e a trajetória profissional do jovem de 24 anos, que morreu no acidente que também vitimou o cantor Rick Sollo
A tragédia que interrompeu a vida do jovem Paulo Soares, de 24 anos, também deixou uma história de amor marcada pela ausência. Dias após a queda do helicóptero que matou o filmmaker e outras quatro pessoas em Santa Catarina, Kelly Costa, esposa de Paulo, publicou uma homenagem ao companheiro e compartilhou parte da trajetória que os dois construíram juntos.
Paulo estava a bordo da aeronave que caiu na região de Urubici, na Serra Catarinense, durante um voo que havia partido de Porto Belo com destino a São Joaquim. Os destroços foram localizados no dia seguinte ao acidente. Nenhuma das cinco pessoas que estavam no helicóptero sobreviveu.
Entre as vítimas também estavam o cantor Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. As circunstâncias que provocaram a queda continuam sendo investigadas.
Para Kelly, porém, Paulo não pode ser resumido à tragédia que encerrou sua vida. Na homenagem, ela recuperou a história de um casal que começou como amizade, passou pelo namoro, pelo noivado e chegou ao casamento.
Uma história construída desde 2019
Kelly contou que ela e Paulo estavam juntos desde 2019. Ao relembrar a relação, falou sobre diferentes fases vividas ao lado do companheiro e sobre os planos que os dois ainda tinham para o futuro.
Entre eles estava o desejo de construir uma família.
A ausência, por isso, não representa apenas a perda de um marido, mas também a interrupção de projetos que ainda estavam sendo construídos.
Em sua despedida, Kelly descreveu Paulo como uma pessoa generosa, paciente e cuidadosa com a família. A homenagem também revela o tamanho do impacto provocado pela morte repentina de alguém que, até poucos dias antes, estava trabalhando e planejando os próximos passos da própria vida.
O jovem por trás das câmeras
Paulo Soares trabalhava no audiovisual e vinha construindo sua trajetória como filmmaker, operador de câmera e profissional ligado à direção de fotografia e à produção de imagens.
Formado em Comunicação Audiovisual pela Uninove, ele acumulava experiências em diferentes áreas do setor, incluindo captação de imagens, edição e produção de conteúdo para redes sociais.
Era justamente atrás das câmeras que Paulo desenvolvia parte de sua identidade profissional.
No dia do acidente, ele estava trabalhando. Paulo acompanhava o empresário Bruno Avelar durante o voo e chegou a publicar imagens do helicóptero nas redes sociais antes da queda.
As últimas imagens registradas por ele ganharam outro significado depois da confirmação da tragédia: registros de um profissional que estava exercendo seu trabalho e documentando o que acontecia ao seu redor.
Na homenagem, Kelly também decidiu falar sobre um aspecto menos visível da trajetória profissional do marido.
Segundo ela, Paulo enfrentou episódios de racismo, assédio moral e desvalorização profissional ao longo de sua carreira.
Kelly relatou que o companheiro frequentemente assumia diferentes responsabilidades dentro dos trabalhos audiovisuais, mesmo quando havia sido contratado ou remunerado para funções específicas.
Os relatos fazem parte da experiência pessoal compartilhada pela esposa e não representam, neste momento, conclusões de processos judiciais ou investigações sobre empresas específicas.
Ainda assim, ao trazer essas experiências para a despedida, Kelly apresenta uma dimensão importante da trajetória de Paulo: a de um jovem profissional negro tentando construir espaço em um mercado marcado por disputas, reconhecimento e oportunidades.
Mesmo diante dessas dificuldades, segundo ela, Paulo continuava dedicado ao audiovisual e ao trabalho que havia escolhido.
Uma vida que também acontecia fora do trabalho
Além da carreira, Paulo mantinha uma relação próxima com a YAH Church, em São Paulo, onde também atuava em atividades da comunidade.
A igreja publicou uma homenagem após sua morte e destacou sua participação e seu envolvimento com diferentes atividades, incluindo a música e o serviço dentro da comunidade.
Esses diferentes espaços ajudam a dimensionar quem era Paulo antes da tragédia: profissional do audiovisual, marido, membro de uma comunidade e jovem que ainda construía seus caminhos.
A homenagem de Kelly
Ao falar sobre o companheiro, Kelly também expôs a dificuldade de pensar em uma vida que agora precisará ser reconstruída sem ele.
A morte aconteceu de forma repentina e em meio a uma rotina profissional. Não houve tempo para despedidas ou para que os planos compartilhados pelo casal fossem concluídos.
Na homenagem, a esposa falou sobre o desespero de imaginar a vida sem Paulo e sobre o futuro que os dois planejavam construir.
É uma despedida que não olha apenas para os últimos momentos do filmmaker, mas para tudo aquilo que existia antes deles.
A investigação sobre o acidente
O helicóptero caiu em uma região de mata de difícil acesso em Urubici, Santa Catarina. As buscas mobilizaram equipes de resgate até que os destroços fossem localizados. A investigação sobre as causas do acidente ainda está em andamento. Por isso, não há, até o momento, uma conclusão definitiva sobre o que provocou a queda.
Enquanto as autoridades investigam as circunstâncias da tragédia, familiares, amigos e pessoas que conviveram com as vítimas lidam com uma perda que não pode ser explicada apenas pelos detalhes técnicos do acidente. No caso de Paulo, a homenagem de Kelly ajuda a recuperar aquilo que a tragédia poderia apagar: a história de um jovem que tinha uma profissão, uma família, uma relação construída ao longo de anos e sonhos que ainda estavam em movimento.
Antes de ser uma das vítimas de uma queda de helicóptero, Paulo Soares era alguém que estava construindo sua própria narrativa através das imagens que produzia. E agora, são as memórias deixadas por quem o amava que ajudam a contar essa história.




