7 de maio de 2026

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Empresária investigada por agressão contra grávida é presa após divulgação de áudios chocantes

Empresária investigada por violência contra doméstica grávida já havia sido condenada anteriormente pela Justiça

Barbara Braga | 07/05/2026
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- Crédito: Reprodução/Redes sociais/TV Mirante

A prisão da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada por agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de cinco meses no Maranhão, transformou um caso policial em um debate nacional sobre estruturas históricas de violência, desigualdade e desumanização.

A empresária foi presa preventivamente após decisão da Justiça maranhense, dias depois da enorme repercussão do caso nas redes sociais e da divulgação de áudios atribuídos a ela descrevendo as agressões cometidas contra a jovem de 19 anos.

Segundo o relato da vítima, as agressões aconteceram após ela ser acusada de roubar joias da patroa. A jovem afirmou ter sido puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos enquanto tentava proteger a barriga.

O caso aconteceu em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.

A violência que atravessa o trabalho doméstico

Segundo as investigações, a vítima mais recente, uma jovem de 19 anos, relatou ter sido agredida após ser acusada de roubar joias da patroa.

De acordo com o depoimento, ela foi puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos e murros enquanto tentava proteger a barriga. A violência ganha ainda mais peso pelo contexto: uma trabalhadora doméstica, grávida, dentro da casa onde trabalhava.

No Brasil, esse detalhe nunca é pequeno. Porque o ambiente doméstico continua sendo um dos espaços mais difíceis de fiscalização, denúncia e proteção para mulheres negras e periféricas.

Antes do caso atual, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos já havia sido condenada pela Justiça por calúnia após acusar uma ex-babá de roubar uma pulseira de ouro.

Segundo o processo, a acusação aconteceu depois que a funcionária decidiu deixar o emprego. A ex-babá negou o crime e afirmou ter sido pressionada pela patroa a pagar pelo objeto desaparecido. Áudios enviados pela empresária acabaram sendo utilizados como prova judicial.

A condenação resultou em pena convertida em prestação de serviços comunitários e indenização por danos morais.

Agora, com a nova investigação, o caso anterior ganha outra dimensão. Porque a discussão deixa de ser apenas sobre um episódio isolado e passa a apontar para um padrão de comportamento marcado por controle, intimidação e criminalização de funcionárias.

No Brasil, o trabalho doméstico nunca foi apenas trabalho doméstico. Existe uma herança escravocrata que ainda organiza silenciosamente muitas dessas relações:

  • a naturalização da subserviência
  • o controle sobre corpos femininos negros
  • a lógica de vigilância permanente
  • e a ideia de que determinadas vidas são automaticamente suspeitas

Não por acaso, acusações de roubo contra empregadas domésticas continuam aparecendo com frequência em diferentes partes do país. Muitas vezes sem provas, acompanhadas de humilhação pública e sustentadas apenas pela desigualdade entre quem acusa e quem é acusado.

Os áudios e a repercussão nacional

O caso ganhou repercussão ainda maior após a divulgação de áudios atribuídos à empresária. Nas gravações divulgadas pela imprensa, Carolina relata as agressões e afirma que a vítima “não era para ter saído viva”.

A investigação segue em andamento.

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Barbara Braga