Música
Duane "Keffe D" Davis é condenado pelo assassinato de Tupac Shakur quase 30 anos após o crime
Ex-líder de gangue de 63 anos foi considerado culpado por júri em Las Vegas; caso foi solucionado a partir das próprias declarações e memórias do acusado
Na última segunda-feira (31), um júri em Las Vegas, nos Estados Unidos, condenou Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, pelo assassinato em primeiro grau do rapper Tupac Shakur, ocorrido em setembro de 1996. O veredito põe fim a quase três décadas de incertezas em torno de um dos crimes mais marcantes da história do hip-hop e da cultura negra.
Keffe D foi condenado de forma unânime após semanas que o caso começou a ser julgado. Davis foi apontado pelos promotores como o mandante que conseguiu a arma e organizou o ataque motivado por uma briga em um cassino de Las Vegas horas antes, quando Tupac e seus aliados agrediram o sobrinho de Davis, Orlando “Baby Lane” Anderson.
Sob a legislação do estado de Nevada, um réu pode ser condenado por homicídio mesmo sem ter puxado o gatilho, desde que tenha planejado, incentivado ou fornecido meios para a execução do crime. Seu sobrinho, apontado como o atirador, e outras pessoas envolvidas na morte do rapper já estão mortas.
A principal peça de acusação apresentada pelo Ministério Público foram as declarações do próprio réu. Após anos sem que a polícia obtivesse provas físicas conclusivas, o caso ganhou novo fôlego a partir de entrevistas concedidas por Keffe D a canais de televisão e, principalmente, após a publicação de sua autobiografia “Compton Street Legend”, em 2019. No livro, ele relatou com detalhes a dinâmica daquela noite a bordo de um Cadillac branco, descrevendo como a arma foi entregue ao banco traseiro antes dos disparos contra o carro onde estavam Tupac e o produtor Suge Knight.
A defesa de Davis argumentou durante o julgamento que os relatos do ex-líder da gangue South Side Compton Crips eram apenas exagero para lucrar com a história e que não havia provas materiais que comprovassem sua presença na cena do crime. A tese, no entanto, foi rejeitada pelos jurados diante das repetidas confissões gravadas ao longo dos anos.
A audiência de sentença foi marcada pela juíza Carli Kierny para o dia 13 de outubro. Como a promotoria não solicitou a pena de morte, Davis enfrenta uma pena que varia de 20 anos de prisão à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. A defesa confirmou que pretende recorrer da decisão.
Durante a leitura do veredito, familiares de Tupac Shakur, incluindo sua irmã Sekyiwa “Set” Shakur, emocionaram-se no tribunal. Para a família e defensores dos direitos civis, os quase 30 anos necessários para concluir o caso também reacenderam discussões sobre a lentidão do sistema de justiça norte-americano em investigar crimes que envolvem a comunidade negra. O encerramento do processo traz um desfecho judicial histórico para o legado de um dos artistas mais influentes da história da música.




