África
Cynthia Shange, pioneira no Miss Mundo durante o apartheid, morre aos 76 anos
Modelo e atriz abriu caminhos para a representatividade sul-africana
A modelo, atriz e ex-rainha da beleza Cynthia Shange morreu aos 76 anos e deixou um legado histórico para a representatividade negra. Ela ficou conhecida por ter sido a primeira mulher negra a representar a África do Sul no Miss Mundo durante o apartheid, em 1972, em um momento em que o regime de segregação racial limitava a participação de pessoas negras em competições oficiais.
Nascida em 1949, Shange ganhou projeção ao vencer o título Miss Africa South, concurso criado paralelamente porque mulheres negras eram excluídas do Miss South Africa. A vitória a levou a Londres, onde disputou o Miss Mundo e alcançou uma colocação entre as finalistas, tornando-se um marco simbólico de visibilidade internacional para mulheres negras sul-africanas.
Sua participação ocorreu em pleno Apartheid, sistema que institucionalizava a segregação racial no país. Naquele contexto, sua presença no palco global foi vista como um gesto de resistência e afirmação da identidade negra, desafiando as barreiras impostas pelo regime.
Após a carreira nos concursos, Cynthia Shange construiu uma trajetória duradoura como atriz e figura cultural. Ela participou de produções importantes do audiovisual sul-africano, incluindo trabalhos considerados pioneiros para artistas negros, e se manteve ativa na televisão por décadas.
A morte foi confirmada pela família após um período de doença. Autoridades culturais e políticas da África do Sul prestaram homenagens, destacando que Shange foi uma pioneira que abriu caminhos para novas gerações, especialmente para mulheres negras em espaços historicamente negados.
A trajetória da artista permanece como um marco de representatividade e resistência, lembrando o papel da cultura e da visibilidade internacional na luta contra a exclusão racial.




