8 de julho de 2026

Afri News

Bronzes do Benin retornam à Nigéria após mais de um século longe da África

Restituição de peças saqueadas durante o colonialismo representa mais um capítulo na luta africana pela recuperação de seu patrimônio cultural

Barbara Braga | 08/07/2026
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- Crédito: Museu e Jardins Horniman

Mais de um século após serem retirados à força do continente africano, parte dos famosos Bronzes do Benin finalmente voltou para casa.

No fim de junho, a Suíça devolveu oficialmente 18 peças históricas à Nigéria, em uma cerimônia realizada no Museu Nacional de Lagos. Os artefatos fazem parte de um dos conjuntos artísticos mais importantes da história africana e foram saqueados durante a invasão britânica ao antigo Reino do Benin, em 1897.

O retorno das obras representa mais do que a devolução de objetos de museu. Para muitos historiadores, pesquisadores e líderes africanos, trata-se de um passo importante no processo de reparação histórica, reconhecimento da violência colonial e recuperação da memória cultural africana.

Os artefatos devolvidos estavam sob a guarda de três museus suíços e integram um conjunto de esculturas, placas e objetos cerimoniais produzidos entre os séculos XV e XIX pelo antigo Reino do Benin, localizado no atual estado de Edo, no sul da Nigéria.

Muito além do bronze

Apesar do nome pelo qual ficaram conhecidos internacionalmente, os Bronzes do Benin não são compostos apenas por bronze.

O conjunto reúne milhares de esculturas, máscaras, relevos, placas decorativas e objetos ritualísticos produzidos por artesãos altamente especializados. As obras demonstram o elevado desenvolvimento artístico, tecnológico e político das sociedades africanas muito antes da chegada dos colonizadores europeus.

Durante décadas, essas peças foram apresentadas em museus europeus como exemplos da arte africana, muitas vezes sem que fosse devidamente discutida a forma como chegaram ao continente europeu.

A maior parte delas foi retirada após a invasão militar britânica de Benin City, quando tropas coloniais destruíram o palácio real, assassinaram moradores e levaram milhares de objetos como espólio de guerra.

A luta pela devolução

A reivindicação da Nigéria pela devolução dos bronzes não é recente. Durante décadas, autoridades nigerianas, pesquisadores e instituições culturais pressionaram governos e museus europeus para reconhecer a origem das peças e iniciar processos de restituição.

Nos últimos anos, esse movimento ganhou força. Em 2025, a Holanda devolveu 119 artefatos ao país africano, considerada a maior restituição física já realizada. Em 2026, universidades e museus europeus continuaram o processo de transferência de peças para instituições nigerianas.

A devolução suíça ocorreu após investigações conduzidas pela Benin Initiative Switzerland, grupo criado para rastrear a origem dos objetos presentes em coleções do país e identificar peças obtidas durante o período colonial.

Quem conta a história da África?

A restituição dos Bronzes do Benin também levanta uma discussão fundamental sobre quem tem o direito de preservar e narrar a história africana.

Durante a cerimônia de entrega, a ministra da Cultura da Nigéria, Hannatu Musa Musawa, destacou que o retorno das peças representa a recuperação de evidências concretas de uma civilização que já dominava técnicas sofisticadas de fundição e produção artística antes da colonização europeia.

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Barbara Braga