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Britânicos desconhecem papel do Reino Unido no comércio de pessoas escravizadas, aponta pesquisa
Levantamento foi realizado com mais de 2.000 pessoas representativas da população britânica; veja dados

Uma pesquisa recente da Repair Campaign revelou que a maioria dos britânicos desconhece a real dimensão do envolvimento do Reino Unido no comércio transatlântico de escravos. Embora o país tenha desempenhado um papel central nesse período histórico, o tema ainda é amplamente negligenciado nos currículos escolares e na memória coletiva.
O levantamento, realizado com mais de 2.000 pessoas representativas da população britânica, apontou que 85% dos entrevistados não sabiam que mais de 3 milhões de africanos foram forçados a deixar seu continente em navios britânicos rumo ao Caribe. Além disso, 89% desconheciam que comerciantes britânicos escravizaram pessoas na região por mais de 300 anos.
Outro dado surpreendente indica que 75% dos entrevistados ignoravam o fato de que os contribuintes britânicos só terminaram de pagar, após o ano 2000, a dívida contraída pelo governo em 1833 para indenizar os proprietários de escravos pela “perda de propriedade”.
Nos últimos anos, movimentos como o Black Lives Matter têm pressionado o Reino Unido a lidar de forma mais transparente com sua história colonial. A derrubada de estátuas de figuras ligadas ao tráfico negreiro e o debate sobre a inclusão do tema nos currículos escolares são algumas das iniciativas em curso. No entanto, especialistas destacam que ainda há um longo caminho para que a história da escravidão britânica seja plenamente reconhecida e compreendida pela sociedade.
Entre os séculos XVII e XIX, o Reino Unido transportou cerca de 3,4 milhões de africanos escravizados para as Américas, sendo responsável por uma parcela significativa do tráfico de pessoas promovido por comerciantes europeus. Esse sistema, conhecido como comércio triangular, movimentava mercadorias entre Europa, África e colônias no Caribe e nas Américas, impulsionando a economia britânica e financiando a Revolução Industrial.