Música
Black Pantera lança “Continental”, novo álbum inspirado no universo dos games
Com referências a jogos clássicos, crítica social e peso do rock, banda mineira usa universo gamer para falar sobre os desafios da vida contemporânea
E se a vida fosse um videogame? Para o Black Pantera, a resposta passa por fases difíceis, inimigos inesperados, recomeços e, principalmente, pela necessidade de continuar jogando mesmo quando as condições parecem estar contra você.
É a partir dessa ideia que a banda mineira apresenta a nova fase de “Continental”, seu quinto álbum de estúdio. O projeto utiliza a estética dos videogames para construir uma narrativa que mistura rock, cultura gamer, referências dos anos 1990 e crítica social, mantendo a identidade política e contundente que acompanha o trio de Uberaba.
A primeira amostra dessa nova etapa veio com “Start The Game”, faixa que transforma a experiência de jogar em uma metáfora para enfrentar a realidade.
Em “Start The Game”, o universo dos games deixa de ser apenas uma referência estética e passa a funcionar como uma forma de interpretar o mundo. A música brinca com conceitos conhecidos por quem cresceu diante dos consoles: fases, obstáculos, vidas, desafios e chefões. Só que, nesse jogo, os problemas não ficam restritos à tela.
A realidade é o próprio campo de batalha.
A faixa utiliza esse imaginário para falar sobre as dificuldades de viver em uma sociedade marcada por desigualdades e conflitos. A ideia de avançar, voltar algumas casas e tentar novamente funciona como uma representação dos momentos em que é necessário recomeçar para conseguir seguir em frente.
Uma das frases que resume a proposta da música é: “Fim do mundo é só uma fase, final boss é a humanidade”. O verso traduz a provocação do Black Pantera: em um mundo cheio de problemas, talvez o maior adversário seja a própria forma como a humanidade constrói e reproduz suas relações.
Do GTA ao Mortal Kombat
A estética gamer também ganhou espaço no videoclipe de “Start The Game”. Dirigido por Pedro Hensen, o trabalho transforma os integrantes do Black Pantera em personagens de videogame e os coloca em diferentes universos que fazem parte do imaginário de várias gerações.
A animação passeia por referências a jogos como GTA, Tomb Raider, Mortal Kombat, The Legend of Zelda, The Sims, SimCity, Need for Speed, Pac-Man, Guitar Hero, FIFA e Metal Slug.
O clipe ainda faz referência a “Saci Filho do Vento”, jogo brasileiro ainda não lançado. A escolha das referências cria uma espécie de viagem pela memória gamer, especialmente por títulos que marcaram os anos 1990 e 2000. Ao mesmo tempo, o Black Pantera utiliza essa nostalgia para apresentar uma leitura contemporânea sobre a sociedade.
O resultado é uma mistura entre diversão e crítica, sem transformar a mensagem da banda em algo menos contundente.
Embora “Continental” explore uma linguagem diferente, a nova produção não abandona uma das características mais importantes do Black Pantera: a capacidade de utilizar a música para questionar estruturas sociais.
Formado por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo Pantera, o grupo construiu sua identidade aproximando o rock pesado de discussões sobre racismo, desigualdade, identidade negra e realidade social brasileira.
Essa perspectiva continua presente no novo trabalho, mas agora encontra uma nova linguagem.
O videogame aparece como uma ferramenta narrativa para falar sobre uma realidade que muitas vezes parece justamente isso: uma sequência de fases que precisam ser superadas.
Rock pesado com referências que atravessam gerações
Musicalmente, “Continental” também dialoga com referências que fizeram parte da formação cultural dos integrantes. A banda mantém a força do rock e do nu metal, ao mesmo tempo em que recupera elementos associados ao som pesado dos anos 1990 e início dos anos 2000.
Essa combinação conversa diretamente com a proposta visual do projeto. Assim como os videogames utilizados como referência atravessaram gerações, o Black Pantera busca construir uma sonoridade capaz de conectar memória e presente, sem deixar de experimentar novos caminhos.
Uma banda brasileira ocupando novos espaços
“Continental” chega em um momento de expansão da trajetória do Black Pantera.
A banda já conquistou espaço em grandes festivais e vem ampliando sua presença no cenário musical brasileiro e internacional. O grupo também foi anunciado para sua terceira participação no Rock in Rio e para sua segunda passagem pelo Primavera Sound.
O reconhecimento também aparece em premiações. O Black Pantera conquistou pelo segundo ano consecutivo o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Artista de Rock.
São conquistas que mostram como um grupo formado em Uberaba, Minas Gerais, conseguiu levar sua mistura de música pesada e discurso social para públicos cada vez maiores.




