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Após proibição das bets, compras de alimentos crescem até 6,5%, aponta Abras
Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados identifica aumento nas vendas de itens essenciais em outubro; nesta terça-feira (3), STF realiza audiência pública para discutir a medida que restringiu as apostas on-line no país
As compras de alimentos e produtos essenciais registraram crescimento nas primeiras semanas de outubro, após a entrada em vigor da proibição das plataformas de apostas on-line no Brasil. É o que aponta um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que identificou alta nas vendas do varejo alimentar e relacionou o resultado à mudança no cenário das chamadas bets.
De acordo com os dados divulgados pela entidade, as vendas cresceram 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025. Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, a alta foi de 6,3%. Entre os produtos que se destacaram estão itens básicos da alimentação, como arroz, óleo, macarrão e café.
O levantamento considerou diferentes formatos do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias. O crescimento também foi observado em diferentes regiões do país, embora com variações entre os mercados locais. Na primeira semana analisada, por exemplo, as regiões Sul e o agrupamento de Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro registraram altas de 10,6%.
Para a Abras, os números podem estar relacionados à redução dos gastos com apostas on-line. A associação também mencionou dados do Banco Central sobre a diminuição no número de transações via Pix, apontando uma possível mudança na destinação dos recursos que antes circulavam nas plataformas de apostas.
Apesar da relação apresentada pela entidade, os números não comprovam, isoladamente, que o dinheiro antes destinado às bets tenha sido integralmente direcionado à compra de alimentos. A pesquisa indica uma coincidência entre os períodos e uma possível associação, mas não estabelece uma relação direta de causa e efeito.
STF realiza audiência pública sobre as bets nesta terça-feira
Enquanto os dados sobre o consumo repercutem, a discussão sobre a proibição das apostas também chega ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira, 3 de novembro, a Corte realiza uma audiência pública para reunir informações e argumentos sobre a medida que restringiu as apostas de quota fixa no país.
Convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, a audiência reúne representantes de diferentes setores, incluindo clubes de futebol, órgãos do governo, entidades empresariais e associações ligadas ao mercado de apostas. A Abras também participa do encontro e pode apresentar informações sobre o comportamento do consumo após a restrição.
É importante destacar que a audiência pública não é uma votação. O encontro tem como objetivo reunir contribuições técnicas e informações para auxiliar a análise do processo pelos ministros. Portanto, não haverá decisão sobre a retomada das plataformas nesta terça-feira.
A ação questiona a validade da Medida Provisória nº 1.394/2026, que estabeleceu a proibição das apostas de quota fixa no Brasil. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contesta a medida e pede a suspensão de seus efeitos. Um eventual julgamento pelo STF dependerá de uma nova etapa do processo, ainda sem data definida.
O que os dados podem revelar sobre o orçamento das famílias?
O crescimento das compras de itens essenciais abre espaço para uma discussão sobre os efeitos das apostas on-line no orçamento doméstico. A pesquisa da Abras levanta uma questão importante: em que medida os gastos com apostas podem disputar espaço com despesas básicas, como alimentação e contas da casa?
Embora o levantamento não permita afirmar que a proibição das bets tenha sido a única responsável pelo aumento das vendas, os números ajudam a ampliar o debate sobre a relação entre apostas, consumo e segurança financeira das famílias brasileiras.
A discussão no STF, por sua vez, pode representar um novo capítulo para o futuro do mercado de apostas no país e para os setores econômicos envolvidos.




