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Antonio Pitanga é homenageado pelo Canal Brasil em maratona que celebra sua trajetória no cinema
Faixa “Negritudes no Canal Brasil” reúne oito produções em 12 horas de programação dedicada a um dos grandes nomes do cinema brasileiro, entre clássicos, filmes contemporâneos e um documentário sobre sua vida e carreira
Há artistas que fazem parte da história do cinema. E há aqueles que, de tão profundamente ligados a ela, ajudam a contar a própria história do cinema brasileiro. É o caso de Antonio Pitanga, que será homenageado pelo Canal Brasil com uma programação especial da faixa “Negritudes no Canal Brasil”.
Na próxima segunda-feira, 31 de agosto, a partir das 20h, o canal exibe 12 horas consecutivas de programação dedicadas ao ator, diretor e um dos nomes fundamentais da cinematografia negra brasileira. Ao todo, serão oito obras que atravessam diferentes momentos de sua carreira e revelam a dimensão de uma trajetória construída ao longo de décadas.
A maratona reúne filmes contemporâneos, clássicos do cinema nacional, uma entrevista e o documentário Pitanga, dirigido por Camila Pitanga e Beto Brant, que revisita a vida e a obra do artista.
Uma trajetória que atravessa gerações
A homenagem começa com Malês (2024), às 20h, filme dirigido e protagonizado por Antonio Pitanga. A produção mergulha na Revolta dos Malês, levante protagonizado por pessoas negras escravizadas em Salvador, em 1835.
Ambientado na Bahia do século XIX, o longa acompanha dois jovens muçulmanos que são retirados à força de sua terra natal e escravizados no Brasil. Separados pelas circunstâncias da escravidão, eles lutam para sobreviver e reencontrar-se enquanto a revolta se aproxima.
Mais do que abrir a programação, Malês estabelece uma conexão simbólica com a própria trajetória de Pitanga: um cinema interessado em memória, resistência, identidade negra e na recuperação de histórias que durante muito tempo foram marginalizadas pela narrativa oficial do país.
O filme recebeu quatro indicações ao Prêmio Grande Otelo deste ano.
Às 21h50, é a vez de Casa de Antiguidades (2020), dirigido por João Paulo Miranda Maria. Pitanga interpreta Cristovam, um homem negro vindo do norte rural do Brasil que se muda para o Sul em busca de trabalho.
Em meio à solidão, ao preconceito e à dificuldade de se reconhecer em um ambiente culturalmente diferente de sua origem, o personagem encontra uma casa abandonada repleta de objetos e memórias. O espaço se transforma em uma espécie de ligação com suas raízes e desencadeia um processo de reconexão com sua identidade.
Do sertão ao cinema de Glauber Rocha
A programação segue às 23h25 com Oeste Outra Vez (2025), coprodução do Canal Brasil dirigida por Érico Rassi. Ambientado no sertão de Goiás, o filme traz Antonio Pitanga em participação especial e acompanha Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana), dois homens ligados por uma rivalidade alimentada pelo abandono da mesma mulher.
Inspirado na estética dos faroestes, o longa utiliza o sertão como cenário para discutir orgulho, solidão, vulnerabilidade e conflitos que atravessam homens marcados por perdas e pelo isolamento.
Já na madrugada, às 1h, entra em cena Tia Virgínia (2023), de Fabio Meira. Depois, às 2h40, o público poderá assistir a A Grande Cidade (1966), de Cacá Diegues, obra que acompanha a chegada de uma jovem nordestina ao Rio de Janeiro e os encontros e conflitos que atravessam sua busca pelo noivo.
É justamente a partir desse percurso por diferentes períodos do cinema brasileiro que a presença de Pitanga ganha ainda mais significado. O ator está ligado a obras de diferentes gerações, estéticas e momentos políticos do país, tornando sua filmografia também um registro das transformações pelas quais passou o cinema nacional.
Barravento: um dos personagens que marcaram sua carreira
Às 4h05, a maratona chega a um dos grandes clássicos da trajetória de Pitanga: Barravento, primeiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha.
No filme, Pitanga interpreta Firmino, personagem que retorna à comunidade de pescadores onde viveu depois de passar um período em Salvador. O reencontro com o lugar de origem coloca o personagem diante de conflitos relacionados à pobreza, à religião e às diferentes formas de compreender a própria comunidade.
A participação em Barravento se tornou um dos trabalhos fundamentais da carreira do ator e também de um período decisivo do Cinema Novo.
Logo depois, às 5h30, o público poderá ouvir o próprio Pitanga falar sobre essa experiência no episódio de O Papel da Vida, apresentado por Marina Person. Na conversa, o ator revisita sua participação no filme e a construção de Firmino.
Quando a própria história vira filme
A homenagem chega ao seu encerramento às 6h, com Pitanga (2016), documentário dirigido por Camila Pitanga e Beto Brant.
A produção parte de encontros da filha do ator com familiares, amigos, colaboradores e antigas companheiras para construir um retrato de sua trajetória pessoal e profissional. Entre os nomes que participam do documentário estão Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Bethânia, Zezé Motta e Lázaro Ramos.
O resultado é um registro que ultrapassa a filmografia. Pitanga apresenta o homem por trás dos personagens e recupera momentos de uma carreira que se confunde com capítulos importantes da cultura brasileira.
O documentário também está disponível no DOC Canal Brasil, no Prime Video.
Uma homenagem à memória do cinema negro brasileiro
Ao dedicar uma edição inteira da faixa “Negritudes no Canal Brasil” a Antonio Pitanga, o canal não celebra apenas um ator com uma carreira longeva. A programação reconhece um artista cuja trajetória ajudou a abrir caminhos para a presença negra no cinema brasileiro.
De Barravento a Malês, passando por produções de diferentes épocas, Pitanga construiu uma filmografia marcada por personagens, histórias e narrativas que atravessam questões de identidade, racismo, território, religiosidade, memória e resistência.
A escolha das oito obras também revela a dimensão temporal de sua carreira: o público poderá acompanhar, em uma única maratona, diferentes momentos de um artista que segue em atividade e que continua ocupando a tela como ator, diretor e referência para novas gerações.
Serviço
Negritudes no Canal Brasil — Homenagem a Antonio Pitanga
Data: segunda-feira, 31 de agosto
Horário: a partir das 20h
Duração: 12 horas consecutivas
20h — Malês (2024)
Direção: Antonio Pitanga
21h50 — Casa de Antiguidades (2020)
Direção: João Paulo Miranda Maria
23h25 — Oeste Outra Vez (2025)
Direção: Érico Rassi
1h — Tia Virgínia (2023)
Direção: Fabio Meira
2h40 — A Grande Cidade (1966)
Direção: Cacá Diegues
4h05 — Barravento
Direção: Glauber Rocha
5h30 — O Papel da Vida: Marina Person conversa com Antonio Pitanga sobre Barravento
6h — Pitanga (2016)
Direção: Camila Pitanga e Beto Brant




