Moda
Anok Yai está no Brasil: conheça a supermodelo que fez história na moda internacional
Eleita Modelo do Ano em 2025 e reconhecida por abrir caminhos para mulheres negras nas passarelas, a modelo participa do Iguatemi Talks Fashion, em São Paulo
Uma das modelos mais reconhecidas da moda internacional, Anok Yai está no Brasil para participar da 10ª edição do Iguatemi Talks Fashion, evento realizado nos dias 20 e 21 de outubro, no JK Iguatemi, em São Paulo. A presença da modelo no país chama a atenção para uma trajetória que ultrapassou as passarelas e ajudou a ampliar a visibilidade de mulheres negras em uma indústria historicamente marcada por padrões restritivos de beleza.
A participação de Anok está prevista para quarta-feira, 21 de outubro, em uma conversa mediada por Maria Laura Neves, diretora de conteúdo da Vogue Brasil. O encontro deve abordar sua trajetória profissional e a influência que construiu no cenário fashion. A modelo também protagoniza a capa da edição de outubro da revista no Brasil.
A visita acontece em um momento importante de sua carreira. Em 2025, Anok foi reconhecida como Modelo do Ano pelo British Fashion Council, durante o The Fashion Awards, uma das principais premiações da indústria da moda. Em 2026, seu nome também passou a integrar a lista TIME100, da revista TIME, que reúne personalidades de destaque em diferentes áreas.
Quem é Anok Yai?
Nascida no Cairo, no Egito, filha de pais sul-sudaneses, Anok Yai cresceu nos Estados Unidos, para onde sua família se mudou quando ela ainda era criança. Antes de conquistar espaço nas principais passarelas do mundo, ela estudava bioquímica e não havia iniciado uma carreira profissional na moda.
Sua vida mudou em 2017, quando uma fotografia feita durante um evento universitário da Howard University, nos Estados Unidos, viralizou nas redes sociais. A imagem despertou o interesse de profissionais do setor e abriu caminho para que a jovem recebesse propostas de agências de modelos.
O que começou com uma fotografia compartilhada na internet rapidamente se transformou em uma carreira internacional. Com traços marcantes, presença de passarela e uma imagem que passou a chamar a atenção de grandes marcas, Anok conquistou espaço em campanhas, editoriais e desfiles de algumas das casas mais influentes da moda.
Sua história também se conecta à presença de mulheres negras em espaços nos quais, durante décadas, elas tiveram oportunidades limitadas. Embora a indústria tenha passado por transformações, a representatividade nas passarelas e nas campanhas publicitárias continua sendo uma discussão importante.
A história que fez da Prada um marco em sua carreira
Em 2018, Anok Yai entrou para a história ao se tornar a segunda modelo negra a abrir um desfile da Prada, seguindo os passos de Naomi Campbell, que havia ocupado essa posição em 1997.
O feito teve significado para além da carreira individual da modelo. Abrir um desfile de uma grife com a relevância internacional da Prada representa uma posição de destaque na apresentação de uma coleção e pode contribuir para definir os rostos que serão associados à temporada de moda.
A conquista também colocou Anok em evidência em uma indústria na qual mulheres negras, especialmente as de pele retinta, enfrentaram padrões de beleza excludentes e menor visibilidade. Sua presença ajudou a ampliar a discussão sobre quem ocupa o centro das narrativas da moda e quais características são valorizadas pelas grandes marcas.
Desde então, a modelo construiu uma trajetória que inclui passarelas internacionais, campanhas de grifes de luxo e capas de publicações importantes. Seu trabalho passou por diferentes linguagens visuais, da moda conceitual às grandes campanhas comerciais, consolidando sua posição entre os nomes de destaque de sua geração.
De modelo internacional a referência de representatividade
A relevância de Anok Yai não está apenas na quantidade de desfiles ou campanhas de que participa. Sua trajetória também representa uma mudança na maneira como a beleza negra pode ocupar espaços de prestígio na indústria fashion.
Durante muito tempo, a presença de modelos negras nas principais campanhas e passarelas foi limitada, e os padrões dominantes privilegiaram determinados tons de pele, traços e características físicas. Nesse contexto, a visibilidade de mulheres negras de pele retinta tem um significado particular, sobretudo para quem cresceu sem se reconhecer nas imagens que dominavam revistas, publicidade e desfiles.
Anok faz parte de uma geração de modelos que alcançou projeção global e passou a ocupar posições de protagonismo em campanhas e eventos internacionais. Sua presença não elimina as desigualdades existentes no setor, mas contribui para ampliar as referências de beleza disponíveis e para questionar os limites historicamente impostos à representação de corpos negros.
O reconhecimento como Modelo do Ano em 2025 reforça a dimensão de sua carreira. A homenagem do British Fashion Council destacou seu impacto na indústria ao longo daquele ano, período em que esteve presente em importantes desfiles e campanhas internacionais.
Em 2026, sua inclusão na lista TIME100 ampliou ainda mais esse reconhecimento para além do circuito da moda.
A presença de Anok Yai no Brasil
A participação no Iguatemi Talks Fashion 2026 aproxima o público brasileiro de uma profissional que acompanha transformações importantes da moda global. Em sua décima edição, o evento reúne nomes nacionais e internacionais para discutir criatividade, comportamento, negócios e os caminhos da indústria.
A passagem de Anok por São Paulo também cria uma oportunidade para ampliar o debate sobre representatividade negra na moda brasileira e internacional. A presença de modelos negras nas passarelas não deve ser tratada apenas como uma exceção ou um momento simbólico, mas como parte de uma transformação que precisa alcançar também as campanhas, as posições de liderança, a direção criativa e os espaços de decisão.
Ao conquistar lugares de destaque em uma indústria de alcance mundial, Anok Yai se tornou uma referência para novas gerações e ajudou a ampliar o repertório visual da moda contemporânea. Sua trajetória mostra como uma carreira individual pode ganhar dimensão cultural quando rompe barreiras e abre espaço para outras formas de beleza serem reconhecidas.
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