9 de janeiro de 2026

Esportes

Torcedor estátua da República Democrática do Congo chora após eliminação para a Argélia e vira símbolo da AFCON

Michel Nkuka Mboladinga, conhecido como “Lumumba”, foi provocado por jogador argelino após a derrota e acabou transformado em imagem de dignidade e resistência no torneio.

Eddy Silva | 08/01/2026
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- Crédito: Redes Socias/X/@exauce_nsambu12

Michel Nkuka Mboladinga, torcedor da República Democrática do Congo que viralizou ao permanecer imóvel como uma estátua durante a Copa Africana de Nações, não conteve a emoção após a eliminação da seleção para a Argélia. A cena do choro, captada logo após o apito final, percorreu o continente e se tornou uma das imagens mais simbólicas desta edição do torneio.

Conhecido como “Lumumba”, Michel chamou atenção desde os primeiros jogos ao adotar uma pose inspirada em Patrice Lumumba, primeiro primeiro ministro do país e um dos maiores símbolos da luta pela independência congolesa. Posicionado exatamente como o monumento do líder em Kinshasa, ele permaneceu imóvel durante os 90 minutos das partidas, transformando o silêncio em performance de apoio, memória histórica e orgulho nacional.

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Provocação gera críticas e muda o tom da eliminação

O clima se deteriorou após o fim da partida decisiva. Depois da vitória argelina por 1 a 0, o atacante Mohamed Amoura foi flagrado imitando e zombando do torcedor nas arquibancadas. O gesto foi amplamente criticado por torcedores, jornalistas e usuários nas redes sociais, que classificaram a atitude como antidesportiva e desrespeitosa.

Após centenas de minutos mantendo concentração absoluta ao longo do torneio, Michel quebrou a postura e chorou a eliminação dos Leopardos. O contraste entre a provocação e a reação emocional do torcedor acabou ofuscando a própria classificação da Argélia.

De derrota a símbolo continental

Mesmo com a queda da RD Congo, Michel Nkuka saiu da Copa Africana como um dos rostos mais marcantes da competição. Sua imagem passou a circular como símbolo de dignidade, lealdade e resistência cultural, reforçando como o futebol africano ultrapassa o placar e se conecta diretamente à história, à política e à identidade dos povos.

Enquanto a Argélia avança para enfrentar a Nigéria, o torcedor estátua retorna para casa celebrado por fãs de todo o continente.

A Copa Africana de Nações é organizada pela Confederação Africana de Futebol.

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Eddy Silva