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Antonio Rüdiger, da Alemanha, pede mais escuta aos refugiados: “Eles não têm outra escolha”
Zagueiro do Real Madrid e da Alemanha relembrou a história de sua família e criticou estereótipos sobre pessoas que deixam seus países em busca de proteção
Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o zagueiro alemão Antonio Rüdiger utilizou sua história familiar para defender refugiados e pedir mais compreensão sobre a realidade enfrentada por milhões de pessoas deslocadas pelo mundo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o defensor afirmou que quem busca refúgio geralmente não tem alternativa e destacou a importância de ouvir essas histórias antes de julgá-las.
“Não é fácil deixar um lugar para trás e começar algo novo. Principalmente porque as pessoas não buscam refúgio por vontade própria, mas sim por necessidade. Elas não têm outra escolha. Como isso aconteceu com a minha família, eu consigo entender essas pessoas e me solidarizar com elas. É importante que elas sejam ouvidas”, defendeu Rüdiger
Filho de mãe serra-leonesa e pai alemão, o atleta nasceu na Alemanha após seus pais deixarem Serra Leoa por conta da Guerra Civil em 1991 em busca de uma vida melhor para a família. Ele cresceu em Neukölln, Berlim, uma comunidade composta em grande parte por refugiados.
As declarações foram feitas após o atleta integrar a “Gamechanging Team”, iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que reúne jogadores com histórico de deslocamento familiar para combater estereótipos e ampliar a visibilidade da causa dos refugiados.
Durante a entrevista, o defensor do Real Madrid também criticou generalizações sobre imigrantes e refugiados. Para ele, casos isolados não devem ser usados para definir grupos inteiros. “Em tudo há o bem e o mal. Infelizmente, andam de mãos dadas. Mas essa é a vida. Algumas pessoas tiveram experiências terríveis com refugiados. Temos que ser honestos também, há pessoas boas que vêm para cá e que realmente querem mudar de vida”, comentou o atleta.
Ele reforçou também como a cor da pele ainda é um fator que pesa e as pessoas deveriam refletir mais sobre. “Se alguém comete um crime, se essa pessoa é negra, por exemplo, isso significa que toda pessoa negra é criminosa? Não, você tem que lidar com aquela pessoa específica… as pessoas precisam pensar um pouco mais.”
Rüdiger cresceu no bairro de Neukölln, em Berlim, região marcada pela presença de famílias imigrantes e refugiadas. O jogador relembrou que o futebol teve papel importante em sua infância, funcionando como uma linguagem comum capaz de unir pessoas de diferentes origens, culturas e idiomas.
“Se você observar até hoje, verá que o futebol une. Era isso que nos unia naquela época. Não precisamos falar a mesma língua para entender o futebol. Precisamos de uma bola, precisamos de alguns jogadores – assim nos conectávamos, cada vez mais”, lembrou o zagueiro do Real Madrid.
Além da atuação nos gramados, o zagueiro mantém a Antonio Rüdiger Foundation, criada em 2022 para apoiar projetos de educação, esporte e bem-estar na Serra Leoa. Segundo ele, a iniciativa é uma forma de retribuir oportunidades e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade.
Rüdiger ganhou destaque no Chelsea, onde ganhou sua primeira Champions League. Logo depois, ele foi para o Real Madrid, onde joga ao lado de Endrick e Vini Jr. Pelo clube espanhol, já conquistou o campeonato espanhol e a Champions League e se prepara para disputar sua terceira Copa do Mundo com a seleção da Alemanha, uma das mais vitoriosas do Mundial, atrás apenas do Brasil.
“Sendo um país enorme como a Alemanha, com uma história futebolística riquíssima, você não vai para a Copa do Mundo só para dizer: ‘Olá, estamos aqui’”, diz Rüdiger. “Você tenta fazer o seu melhor. Claro, existem seleções hoje em dia que estão à nossa frente. Mas, às vezes, talvez não seja tão ruim estar na posição de azarão.”




