Representatividade
Petlove adere ao Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro e reforça ações antirracistas
Maior ecossistema pet do Brasil afirma que manterá ações como letramento racial, revisão de protocolos e representatividade nos pontos de atendimento
O combate ao racismo nas relações de consumo começa a alcançar segmentos que nem sempre aparecem no centro dessa discussão. A Petlove, maior ecossistema pet do Brasil, anunciou sua adesão ao Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, iniciativa que reúne empresas em torno da construção de práticas mais inclusivas nos ambientes de consumo.
A entrada da empresa acontece como parte de um movimento que busca transformar o enfrentamento ao racismo no varejo em ações concretas, desde a formação das equipes até a maneira como consumidores negros são recebidos, atendidos e representados nos diferentes pontos de contato com as marcas.
Na Petlove, o compromisso anunciado envolve a manutenção e o aprimoramento de iniciativas como letramento racial das equipes, revisão de práticas e protocolos de atendimento, presença de pessoas negras nos espaços de contato com os clientes e atenção à linguagem e à comunicação utilizada pela empresa.
Segundo dados divulgados pela própria Petlove, mais de mil pessoas pretas e pardas fazem parte atualmente do quadro de funcionários da companhia. O grupo representa cerca de 40% dos colaboradores.
A empresa afirma que esse cenário está relacionado às políticas de recrutamento inclusivo e ações afirmativas adotadas nos últimos anos. Em comparação com 2025, a Petlove registrou um aumento de 60% na admissão de pessoas pretas e pardas.
Para a companhia, ampliar a presença negra internamente faz parte de uma estratégia que também precisa alcançar a experiência oferecida aos consumidores.
“Na Petlove, diversidade e inclusão são tratadas como pilar essencial da nossa cultura, do desenvolvimento de lideranças e tomadas de decisões. Avançar na representatividade racial é parte desse compromisso e o nosso objetivo vai além dos indicadores internos”, afirma Bruno Junqueira, VP de Pessoas, ESG e Comunicação da Petlove.
Segundo o executivo, a proposta é que diferentes perspectivas estejam presentes não apenas no quadro de funcionários, mas também na construção de produtos, serviços e jornadas destinadas aos clientes.
O consumidor negro também está no centro do debate
A discussão sobre representatividade no mercado de consumo vai além de quem aparece nas campanhas publicitárias. Ela envolve também a experiência vivida pelo consumidor dentro de uma loja, durante um atendimento, em uma plataforma digital ou em qualquer outro contato com uma empresa.
É nesse ponto que a adesão ao Código ganha relevância. A iniciativa propõe que as companhias estabeleçam protocolos para enfrentar situações de discriminação e desenvolvam uma cultura capaz de reconhecer e combater práticas racistas no cotidiano.
No caso da Petlove, a empresa afirma que o compromisso inclui capacitação racial das equipes, revisão dos procedimentos de atendimento e ampliação da representatividade nos pontos de contato com o público.
A proposta é fazer com que a inclusão não fique restrita aos departamentos responsáveis por diversidade, mas atravesse diferentes áreas da organização.
O que é o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro?
Lançado pela L’Oréal Brasil e pelo MOVER, o Código busca formar uma coalizão de empresas comprometidas com o combate ao racismo nos ambientes de consumo brasileiros.
A iniciativa reúne atualmente quase 20 companhias de diferentes segmentos, que, juntas, representam mais de 3,1 mil lojas e 162 mil colaboradores.
A proposta é estabelecer referências para que as empresas possam identificar situações de discriminação, revisar processos e criar mecanismos capazes de tornar a experiência de consumidores negros mais segura e inclusiva.
A adesão da Petlove amplia esse debate para o mercado pet, mostrando que a discussão sobre racismo nas relações de consumo não está restrita a setores tradicionalmente associados à pauta de beleza, moda ou varejo.
Black Mystery Shopper: acompanhando a experiência na prática
Uma das ferramentas recomendadas pelo grupo de trabalho responsável pela iniciativa é o Black Mystery Shopper.
A metodologia parte de uma prática já conhecida no varejo: o cliente oculto, utilizado para avaliar a experiência oferecida por uma empresa. A diferença está na aplicação de critérios relacionados à inclusão racial.
A proposta é observar, a partir da experiência de consumidores negros, se os protocolos estabelecidos pelas empresas estão sendo efetivamente cumpridos e identificar possíveis situações que demandem revisão.
Na prática, a ferramenta cria uma ponte entre o que uma companhia estabelece internamente e aquilo que o consumidor encontra no momento do atendimento.
Esse tipo de acompanhamento também ajuda a deslocar o debate sobre diversidade do campo exclusivamente institucional para a experiência cotidiana de quem consome.
Um compromisso que vai além dos indicadores
Ao anunciar a adesão ao Código, a Petlove afirma que seu objetivo é dar continuidade a políticas que já vêm sendo implementadas internamente e ampliar seus efeitos para a relação com os consumidores.
A discussão passa, portanto, por diferentes etapas: quem é contratado, quem ocupa posições de liderança, quem atende, como o atendimento acontece e como diferentes públicos são considerados na criação de produtos e serviços.
Para o executivo Bruno Junqueira, a diversidade também contribui para ampliar os repertórios utilizados nas decisões da empresa e para compreender diferentes realidades.
A adesão ao Código coloca a Petlove dentro de uma articulação empresarial que pretende transformar essas práticas em compromissos permanentes. Mais do que uma declaração institucional, a proposta passa pelo desafio de acompanhar se aquilo que é estabelecido internamente também aparece na experiência de quem está do outro lado do balcão, da tela ou do atendimento.




