16 de junho de 2026

Esportes

Nova exposição do Museu Afro Brasil conecta arte e ancestralidade através do futebol

“Ginga – A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica” reúne artistas do Brasil e do Benim para refletir sobre memória, território e cultura negra

Barbara Braga | 16/06/2026
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- Crédito: Henrique Luz

O futebol costuma ser apresentado como paixão nacional. Mas, para milhões de pessoas negras espalhadas pelo mundo, ele também é uma linguagem de memória, identidade e pertencimento.

É justamente essa dimensão que a nova exposição do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo pretende explorar.

Em cartaz até agosto, “Ginga – A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica” propõe um olhar que vai além dos resultados, das taças e dos grandes craques. A mostra parte do futebol para discutir as conexões históricas e culturais que unem comunidades negras em diferentes territórios da diáspora africana.

A escolha da palavra “ginga” não é por acaso.

Mais do que um estilo de jogo, a ginga é apresentada como uma herança cultural. Presente na capoeira, na dança, na música e em diversas manifestações afro-brasileiras, ela representa movimento, improviso, adaptação e criatividade. É uma forma de inteligência corporal construída ao longo de gerações e que encontrou no futebol uma de suas expressões mais conhecidas.

Ao transformar esse conceito em exposição, o Museu Afro Brasil convida o público a enxergar o esporte como um espaço de construção coletiva. Um lugar onde histórias, culturas e experiências negras atravessam fronteiras e criam novos sentidos de comunidade.

O núcleo central da mostra é a instalação “Stadium”, do artista beninense Aston. Produzida a partir de madeira, plástico, fios metálicos e outros materiais reaproveitados, a obra recria um campo de futebol e estabelece relações entre ancestralidade, sustentabilidade e coletividade.

Henrique Luz

Ao utilizar objetos descartados para construir uma nova narrativa visual, o artista também propõe reflexões sobre memória, reaproveitamento e continuidade, temas que dialogam diretamente com a experiência afro-atlântica.

A exposição ganha ainda novas camadas com as intervenções inéditas das artistas brasileiras NeneSurreal e Mariana Calle. Conhecidas por suas trajetórias ligadas ao muralismo e à arte urbana, elas incorporam referências das periferias, da cultura afro-brasileira e das múltiplas formas de pertencimento construídas nos espaços públicos.

O resultado é uma mostra que conecta Benim, Brasil e diáspora por meio de diferentes linguagens visuais, utilizando o futebol como ponto de encontro. Em um momento em que o mundo volta os olhos para a Copa do Mundo de 2026, a exposição lembra que o futebol nunca foi apenas um jogo.

Para comunidades negras espalhadas entre África, Américas e Caribe, ele também é uma ferramenta de expressão cultural, um espaço de resistência simbólica e uma das mais poderosas narrativas compartilhadas da diáspora africana. É exatamente nesse cruzamento entre arte, memória e movimento que “Ginga” encontra sua força.

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Barbara Braga