22 de setembro de 2026

Negócios

Nina Silva é reconhecida pelo segundo ano consecutivo no BRICS por atuação em educação e desenvolvimento de habilidades

Fundadora do Movimento Black Money volta a vencer o BRICS Women’s Startup Contest na categoria Educação e Desenvolvimento de Habilidades e busca transformar reconhecimento internacional em novas oportunidades para empreendedores negros

Barbara Braga | 22/09/2026
Thumbnail
- Crédito: Divulgação

O reconhecimento internacional veio pela segunda vez consecutiva, mas, para Nina Silva, a conquista não termina no palco da premiação. Fundadora do Movimento Black Money, a empreendedora brasileira foi novamente reconhecida no BRICS Women’s Startup Contest, na categoria Education and Skill Development (Educação e Desenvolvimento de Habilidades), durante a programação do BRICS Women’s Business Alliance (WBA), em Nova Déli, na Índia.

A premiação aconteceu em setembro, durante a programação do BRICS sob a presidência indiana. A participação de Nina na agenda, realizada entre os dias 7 e 12 de setembro, também incluiu encontros empresariais, o BRICS Business Forum e rodadas de negócios.

O BRICS Women’s Startup Contest reúne empreendedoras dos países que integram o bloco e avalia iniciativas a partir de diferentes áreas temáticas e estágios de desenvolvimento. Entre os critérios considerados estão inovação, impacto, sustentabilidade, viabilidade comercial, capacidade de escala, tecnologia e parcerias.

A conquista de 2026 dá continuidade ao reconhecimento recebido por Nina em 2025, quando ela também foi premiada na categoria Educação e Desenvolvimento de Habilidades, durante a programação do BRICS realizada no Rio de Janeiro.

Na edição de 2025, o concurso recebeu mais de mil inscrições e teve 18 vencedoras, entre elas representantes brasileiras. Agora, o novo reconhecimento acontece em outro território e amplia a dimensão internacional de uma trajetória construída no Brasil.

Receber novamente um reconhecimento dentro do BRICS mostra que soluções nascidas para enfrentar desigualdades brasileiras podem ganhar escala global. Não quero internacionalizar apenas a minha trajetória, quero internacionalizar oportunidades”, afirma Nina Silva.

A declaração ajuda a entender o que a empreendedora aponta como próximo passo: utilizar a visibilidade internacional não apenas como reconhecimento individual, mas como uma possibilidade de criar conexões e abrir caminhos para outros empreendedores negros.

Movimento Black Money nasceu para criar acesso

Fundado em 2017 por Nina Silva e Alan Soares, o Movimento Black Money se apresenta como um ecossistema de inovação e inclusão econômica voltado ao empreendedorismo negro.

A iniciativa reúne diferentes frentes de atuação, passando por educação digital, tecnologia, empreendedorismo e acesso a crédito. Entre elas estão o D’Black Bank, fintech voltada ao crédito para empreendedores negros, e o Afreektech, direcionado à formação em tecnologia e educação digital.

A lógica por trás dessas iniciativas parte de uma questão que vai além da representatividade: quem consegue acessar as ferramentas necessárias para participar da economia digital?

Ter conhecimento tecnológico, acesso a capital, capacidade de desenvolver negócios e possibilidade de estabelecer conexões comerciais são fatores que interferem diretamente na participação de diferentes grupos na chamada nova economia.

É nesse espaço que o Movimento Black Money procura atuar, conectando formação, inovação e inclusão econômica.

De Nova Déli para novas conexões

A participação de Nina na programação do BRICS não ficou restrita à cerimônia de premiação. Durante a passagem por Nova Déli, a empreendedora também participou de encontros com empresários, representantes do setor privado e integrantes do ecossistema de inovação relacionado ao bloco.

Para o Movimento Black Money, essas conexões podem representar uma etapa posterior ao reconhecimento: transformar visibilidade em possibilidades concretas de negócios, parcerias e acesso a mercados.

A estratégia também amplia a discussão sobre internacionalização. Em vez de pensar a expansão apenas como o crescimento de uma empresa ou marca, a proposta apresentada por Nina é levar para outros mercados soluções desenvolvidas a partir de demandas identificadas no contexto brasileiro.

Quando uma mulher negra brasileira chega a um espaço internacional sendo reconhecida por educação, tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico, ela não está levando apenas uma empresa ou uma trajetória individual. Está levando uma tese. Não existe desenvolvimento econômico sustentável desperdiçando talento”, afirma.

A frase sintetiza uma das questões centrais do trabalho apresentado por Nina: inclusão econômica não se resume à presença em espaços de decisão, mas também envolve acesso aos recursos que permitem criar, negociar, investir e crescer.

O que vem depois do prêmio?

O segundo reconhecimento consecutivo coloca Nina Silva novamente em uma vitrine internacional, mas a empreendedora aponta que o objetivo é transformar essa visibilidade em resultados que ultrapassem sua própria trajetória.

Não quero apenas mais mulheres negras sendo convidadas para falar sobre diversidade. Quero mulheres negras negociando tecnologia, captando investimento, exportando soluções e participando das decisões econômicas”, afirma.

A fala desloca a discussão sobre representatividade de uma perspectiva exclusivamente simbólica para uma dimensão econômica. A pergunta passa a ser quem participa das negociações, quem acessa capital, quem desenvolve tecnologia e quem consegue transformar uma ideia em negócio sustentável.

Nesse sentido, o reconhecimento no BRICS funciona como uma porta para novas conexões, mas não necessariamente como ponto de chegada.

Com mais de 20 anos de carreira, Nina Silva também acumula outros reconhecimentos internacionais. Em 2021, foi eleita Mulher Mais Disruptiva do Mundo pelo Women in Tech Global Awards. Em 2026, integra a lista de embaixadoras globais do Cannes Lions.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga