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Nigéria confirma caso de ebola enquanto surto na África ultrapassa 9,6 mil infecções na RDC
Paciente chegou a Abuja em voo internacional e teve diagnóstico confirmado em 20 de outubro; autoridades monitoram 44 contatos, enquanto a República Democrática do Congo concentra milhares de casos e mortes
A Nigéria confirmou seu primeiro caso de ebola relacionado ao atual surto que atinge países africanos. O diagnóstico foi anunciado em 20 de outubro de 2026, após exames laboratoriais identificarem o vírus da variante Bundibugyo em uma mulher que viajou de Uganda para Abuja, capital nigeriana, no início do mês.
A confirmação ocorre enquanto a epidemia continua avançando na República Democrática do Congo (RDC). Segundo o relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), com dados até 19 de outubro, o país contabilizava 9.637 casos confirmados e 4.646 mortes. O surto foi declarado em maio deste ano e já alcançou 66 zonas de saúde em oito províncias congolesas.
Além da RDC e da Nigéria, casos relacionados ao surto foram registrados em Uganda, no Quênia e na França. A expansão geográfica aumenta a complexidade da resposta sanitária, especialmente em áreas afetadas por conflitos, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Nigéria monitora contatos após confirmação
A paciente chegou a Abuja em 3 de outubro, após uma viagem de Uganda. Segundo as autoridades nigerianas, os sintomas começaram em 7 de outubro e ela procurou atendimento em uma unidade de saúde privada quatro dias depois. A infecção foi confirmada por exames laboratoriais em 20 de outubro.
As autoridades identificaram 44 contatos próximos e iniciaram o monitoramento para detectar possíveis novas infecções. Também foram reforçadas as medidas de prevenção e controle de infecções na unidade de saúde onde a paciente recebeu atendimento.
Em atualização publicada em 21 de outubro, a imprensa internacional informou que a paciente é diplomata e que seu quadro clínico havia se agravado. A investigação sobre a origem da infecção continua. Embora ela tenha viajado de Uganda para a Nigéria, isso não significa que tenha contraído o vírus em território ugandense.
A Nigéria registrou seu último caso de ebola antes deste episódio em 2014, quando enfrentou uma introdução do vírus associada à epidemia que atingiu a África Ocidental.
República Democrática do Congo concentra a maior parte dos casos
A RDC continua sendo o epicentro do surto. No balanço da OMS com dados até 19 de outubro, foram registrados 9.637 casos confirmados e 4.646 mortes, o equivalente a uma taxa de letalidade bruta de 48,2% entre os casos confirmados.
A transmissão se distribui por diferentes regiões do país. A província de Ituri permanece como a área mais afetada, embora casos também continuem sendo registrados em Nord-Kivu e Haut-Uélé. O surto alcançou recentemente a zona de saúde de Wapinda, na província de Nord-Ubangi, ampliando sua presença territorial.
A OMS aponta que a insegurança, o deslocamento de populações e as restrições de acesso humanitário podem comprometer a vigilância epidemiológica e as operações de resposta. Esses fatores dificultam a identificação de novos casos, o acompanhamento de contatos e a oferta de atendimento em áreas afetadas.
Uganda, Quênia e França também registraram casos
Uganda teve infecções relacionadas ao surto e adotou medidas de vigilância e acompanhamento de contatos. O país também foi uma rota de passagem para pessoas que viajaram entre a RDC e outros territórios. A situação exige atenção mesmo quando não há casos ativos conhecidos, devido ao risco de novas introduções.
No Quênia, as autoridades confirmaram o nono caso relacionado ao surto em 20 de outubro. O paciente é um homem de 24 anos, familiar próximo da primeira pessoa infectada no país. Ele já estava em quarentena quando apresentou sintomas e foi isolado após a confirmação.
A França também registrou um caso importado relacionado à epidemia. O paciente, um profissional de saúde evacuado da RDC, se recuperou. Não há indicação, nas informações consultadas, de transmissão sustentada associada a esse caso na França.
A contagem de países considera os registros ligados ao mesmo surto, mas não significa que todos estejam enfrentando transmissão comunitária ativa. A situação epidemiológica varia entre os territórios e depende das investigações e dos dados mais recentes de cada autoridade sanitária.
O que se sabe sobre a variante Bundibugyo
O surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, uma das variantes que provocam a doença do ebola. Até o momento, não há vacina aprovada nem tratamento específico autorizado para essa variante, segundo a OMS.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, ou com objetos e superfícies contaminados. Os sintomas iniciais podem incluir febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta, podendo evoluir para manifestações graves.
As principais medidas de resposta incluem identificação rápida dos casos, isolamento, atendimento clínico, rastreamento de contatos e proteção dos profissionais de saúde. A OMS e as autoridades nacionais seguem acompanhando a evolução do surto e coordenando medidas para reduzir o risco de transmissão entre países.
Com a confirmação na Nigéria e o aumento de casos no Quênia, a epidemia assume uma dimensão regional mais complexa. A atualização dos dados oficiais e o acompanhamento das pessoas expostas serão fundamentais para determinar a extensão da transmissão nas próximas semanas.




