Música
MC Livinho faz história como primeiro nome do funk no Tiny Desk Brasil
Artista de 15 anos de carreira leva sucessos como “Fazer Falta” e “Cheia de Marra” para o formato internacional e celebra presença do funk periférico em um dos projetos musicais mais conhecidos da internet
“O cara do funk, periférico, estar aqui neste ambiente é uma vitória! Nós temos que valorizar nossas presenças para que nossa ausência faça falta.”
Foi com essa frase que MC Livinho resumiu o significado de chegar ao Tiny Desk Brasil. Nesta terça-feira (22), o artista se tornou o primeiro nome do funk a ocupar a famosa “mesinha” da versão brasileira do projeto, levando para o escritório do Google, em São Paulo, uma apresentação que revisita sucessos de seus 15 anos de carreira e explora as conexões entre funk, R&B, soul, gospel e música brasileira.
Para Livinho, a participação também representa a chegada de um artista criado na periferia a um formato conhecido por receber grandes nomes da música mundial.
“Eu assisti vários Tiny Desk! Milhares! E hoje, o cara do funk, periférico, estar aqui neste ambiente é uma vitória!”, afirmou o cantor durante a gravação.
Nascido Oliver Decesary Santos, na Zona Norte de São Paulo, MC Livinho iniciou sua trajetória musical em 2010 e rapidamente se tornou um dos nomes de destaque do funk paulista.
Antes da carreira nos palcos, sua formação musical passou pela igreja, onde estudou violino e piano. A experiência como instrumentista ajudou a construir uma identidade que, ao longo dos anos, ultrapassou as fronteiras tradicionais do funk.
Músicas como “Cheia de Marra”, “Fazer Falta”, “Hoje Eu Vou Parar na Gaiola”, “Tudo de Bom” e “Bem Querer” ajudaram a transformar Livinho em um dos artistas mais conhecidos da cena. “Fazer Falta”, inclusive, se tornou um dos grandes sucessos de sua trajetória e dá nome à turnê que marca o atual momento de sua carreira.
A dimensão que o artista alcançou também pode ser vista nos palcos que passou a ocupar. Livinho esteve no Rock in Rio e no Lollapalooza, dois dos maiores festivais de música do país. Em 2024, por exemplo, apresentou no Lollapalooza um show que incluiu uma homenagem a Michael Jackson e foi pensado para mostrar outras referências musicais além do funk.
Na ocasião, o próprio artista resumiu o significado daquele palco: levar o funk para um espaço de grande visibilidade e mostrar que artistas da periferia também poderiam ocupar aquele lugar.
Um artista que nunca ficou restrito a um único som
A apresentação no Tiny Desk também evidencia uma característica que acompanha Livinho desde o início da carreira: a disposição para atravessar diferentes gêneros.
No projeto, o artista apresenta “Fazer Falta” e “Cheia de Marra” em arranjos que destacam elementos de R&B, soul e gospel. A banda reúne teclado, baixo, guitarra, bateria, saxofone, trompete, DJs e vocais de apoio.
“Sempre mostrei minhas duas vertentes: o funk e o funk R&B. Eu não vejo a música como uma coisa limitada”, explicou.
A chegada ao projeto acontece em um momento particularmente simbólico da carreira de Livinho.
Em fevereiro deste ano, o cantor anunciou que 2026 seria seu último ano de shows antes de uma pausa por tempo indeterminado. A decisão encerra, temporariamente, um ciclo de 15 anos de carreira e foi acompanhada pelo anúncio da turnê “Fazer Falta”, criada para celebrar sua trajetória junto ao público.
Em entrevista à CNN Brasil, Livinho contou que um dos momentos mais marcantes de sua carreira aconteceu quando percebeu suas músicas tocando em diferentes quebradas de São Paulo.
“O momento mais marcante da minha vida foi quando eu ouvi minha música tocando em várias quebradas, sabendo que minha música estava tocando em todos os cantos de São Paulo”, afirmou.
Agora, antes de se afastar dos palcos, ele acrescenta outro momento à lista: sentar diante da câmera e apresentar seu repertório no Tiny Desk Brasil.
O funk chegou à mesinha
Criado pela NPR nos Estados Unidos em 2008, o Tiny Desk Concerts se tornou um dos formatos musicais mais conhecidos da internet, com apresentações intimistas de artistas de diferentes partes do mundo.
A versão brasileira estreou em outubro de 2025 e é produzida pela Anonymous Content Brazil em parceria com o YouTube Brasil e a NPR. O Brasil é o terceiro país a ter uma versão oficial do projeto fora dos Estados Unidos, depois de Japão e Coreia do Sul.
A apresentação de Livinho coloca o funk no centro dessa história brasileira.
E talvez por isso a frase dita pelo próprio artista antes de começar a apresentação seja tão significativa: “Nós temos que valorizar nossas presenças para que nossa ausência faça falta.”
No Tiny Desk Brasil, Livinho não chegou sozinho. Chegou com 15 anos de hits, referências, experiências e uma história construída a partir do funk paulista.




