26 de setembro de 2026

Festivais e Shows

Joshua Redman traz “Words Fall Short” ao Brasil para dois shows

Um dos nomes mais importantes do jazz contemporâneo apresenta “Words Fall Short” em São Paulo e no Rio de Janeiro, nos dias 29 e 30 de setembro

Barbara Braga | 25/09/2026
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- Crédito: Divulgação

Há músicas que parecem existir justamente para dizer aquilo que as palavras não conseguem alcançar. É nesse território que se encontra Joshua Redman, saxofonista e compositor americano que retorna ao Brasil para duas apresentações pela série Queremos! Jazz.

Com mais de 30 anos de carreira, Redman chega ao país em uma nova fase artística, acompanhado por uma formação mais jovem e trazendo para os palcos brasileiros as composições de “Words Fall Short”, seu trabalho mais recente lançado pela Blue Note Records.

A primeira apresentação acontece em 29 de setembro, no Teatro Bradesco, em São Paulo. No dia seguinte, 30 de setembro, o músico se apresenta no Vivo Rio, no Rio de Janeiro.

Filho do também saxofonista Dewey Redman, Joshua construiu uma identidade musical própria desde o início da década de 1990. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma presença importante no jazz contemporâneo, transitando entre projetos autorais, grandes formações e colaborações com músicos de diferentes gerações.

Seu percurso inclui trabalhos e encontros com nomes como Brad Mehldau, Christian McBride, Pat Metheny, Brian Blade e The Bad Plus, além de participações em importantes festivais e casas de jazz ao redor do mundo.

Mas talvez uma das marcas mais fortes de sua carreira esteja na maneira como entende a própria linguagem do gênero. Em vez de tratar o jazz como uma música presa ao passado, Redman explora suas possibilidades a partir da escuta entre os músicos, da improvisação e da construção coletiva.

Essa característica aparece novamente em seu trabalho mais recente.

“Words Fall Short” e aquilo que a música consegue dizer

Lançado pela Blue Note Records, “Words Fall Short” reúne composições inéditas desenvolvidas por Joshua Redman ao longo dos últimos anos.

O álbum ganhou forma com uma nova formação: Paul Cornish no piano, Philip Norris no baixo e Nazir Ebo na bateria.

Juntos, os músicos constroem um repertório que alterna momentos de maior delicadeza e contemplação com trechos de intensa interação. O resultado é um disco interessado menos em fórmulas prontas e mais nas possibilidades que surgem quando quatro músicos conseguem ouvir uns aos outros e responder musicalmente em tempo real.

O próprio título do álbum, que pode ser traduzido como “as palavras ficam aquém”, aponta para uma investigação sobre os limites da linguagem e sobre aquilo que pode ser comunicado por meio da música.

Entre os temas presentes no trabalho estão memória, imperfeição, conexão humana e linguagem.

O disco também conta com participações de artistas como a saxofonista Melissa Aldana, a trompetista Skylar Tang e a cantora Gabrielle Cavassa, ampliando as diferentes perspectivas sonoras presentes no projeto.

Um novo momento depois de “where are we”

“Words Fall Short” chega depois de “where are we”, álbum lançado em 2023 que ocupou um lugar especial na discografia de Redman por marcar sua primeira experiência em um projeto construído em torno da voz.

Se naquele trabalho a presença vocal abriu novas possibilidades para sua composição, o novo álbum retoma o caráter instrumental para explorar outras formas de comunicação musical.

É uma mudança que não representa necessariamente uma ruptura. Pelo contrário: reforça uma característica que atravessa sua carreira, a disposição para experimentar diferentes formatos sem abandonar a essência de sua linguagem.

Joshua Redman no Brasil

A passagem pelo país coloca São Paulo e Rio de Janeiro no roteiro da atual turnê de Joshua Redman.

Na capital paulista, o saxofonista apresenta “Words Fall Short” no Teatro Bradesco, em 29 de setembro. No dia seguinte, o público carioca recebe o músico no Vivo Rio.

São duas oportunidades de acompanhar ao vivo um artista cuja trajetória foi construída justamente na fronteira entre o que já foi estabelecido e aquilo que ainda está sendo descoberto.

Em um gênero baseado na capacidade de ouvir e reagir, cada apresentação também carrega a possibilidade de ser diferente da anterior. E talvez seja justamente aí que esteja uma das forças do jazz: a música permanece aberta enquanto continua sendo tocada.

Serviço

Joshua Redman — Queremos! Jazz

São Paulo: 29 de setembro de 2026, terça-feira, no Teatro Bradesco — Rua Palestra Itália, 500, Loja 263, 3º Piso, Bourbon Shopping. Abertura da casa às 20h e show às 21h. Classificação etária: 18 anos. Ingressos a partir de R$ 100 (meia-entrada).

Rio de Janeiro: 30 de setembro de 2026, quarta-feira, no Vivo Rio — Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. Abertura da casa às 19h e show às 21h. Classificação etária: 18 anos. Ingressos a partir de R$ 100 (meia-entrada).

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Barbara Braga