21 de setembro de 2026

Educação

Instituto Oyá e SOMAS lançam programa gratuito de IA para jovens de escolas públicas; e as inscrições estão encerrando

Autonom.IA selecionará 30 estudantes de São Paulo para uma formação que une inteligência artificial, pensamento crítico, ética e desenvolvimento de projetos socioambientais

Barbara Braga | 21/09/2026
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- Crédito: Magnific

Enquanto a inteligência artificial avança rapidamente e passa a fazer parte de diferentes áreas da vida e do mercado de trabalho, o acesso ao conhecimento necessário para compreender e criar a partir dessas tecnologias ainda não acontece de forma igual. É diante desse cenário que o Instituto Oyá e a SOMAS se unem para lançar o Autonom.IA, programa gratuito que pretende aproximar jovens de escolas públicas do universo da inteligência artificial.

Na primeira etapa, a iniciativa vai selecionar 30 estudantes entre 14 e 18 anos, matriculados na rede pública de ensino ou bolsistas integrais de escolas particulares da Região Metropolitana de São Paulo. Mais do que ensinar o funcionamento de ferramentas de IA, o programa propõe uma formação voltada ao uso ético, crítico e produtivo da tecnologia, com a criação de projetos autorais relacionados aos desafios encontrados nos próprios territórios dos participantes.

A proposta também prevê a expansão do programa para o Rio de Janeiro ainda em 2026.

Para o Instituto Oyá e a SOMAS, falar em inclusão digital hoje significa ir além de garantir acesso à internet ou a dispositivos. Também envolve permitir que jovens compreendam como as tecnologias funcionam, quais impactos produzem e como podem ser utilizadas para criar soluções.

A formação será estruturada em quatro frentes principais: governança e segurança de dados, resolução de problemas complexos, engenharia de prompts e letramento ético para identificação de vieses algorítmicos.

A ideia é que os participantes desenvolvam repertório para lidar com a inteligência artificial de maneira consciente, entendendo tanto suas possibilidades quanto seus limites.

Em vez de uma avaliação tradicional baseada apenas em provas ou atividades teóricas, o programa terá como resultado o desenvolvimento de projetos autorais. Os jovens serão estimulados a identificar gargalos socioambientais presentes em suas comunidades e pensar em soluções tecnológicas para essas questões.

Assim, a tecnologia aparece não apenas como conteúdo a ser aprendido, mas como ferramenta para observar o território, formular perguntas e construir respostas.

Acesso às ferramentas também é parte da inclusão

Não basta falar sobre inteligência artificial se parte dos estudantes não consegue experimentar as ferramentas utilizadas nesse processo.

Por isso, o Autonom.IA prevê o subsídio integral, durante seis meses, de licenças corporativas de plataformas de IA generativa, incluindo ferramentas como Google Gemini Pro e Claude.

Cada participante terá acesso individual a uma ferramenta durante o programa, além de material didático e suporte contínuo por meio de um canal digital.

A formação será realizada em modelo híbrido, com dois encontros presenciais, um de abertura e outro de encerramento, e quatro módulos virtuais síncronos conduzidos por especialistas. Também estão previstas atividades assíncronas ao longo da jornada.

Para acompanhar o programa, os estudantes precisarão ter acesso a notebook ou tablet próprio.

A estrutura busca reduzir uma barreira que muitas vezes fica escondida no debate sobre educação tecnológica: estudantes podem até ter contato com conceitos de inovação, mas não necessariamente contam com as mesmas ferramentas disponíveis para quem já está inserido em ambientes corporativos e no ecossistema de tecnologia.

Outro eixo importante do programa está na própria composição da turma.

O processo seletivo levará em consideração critérios socioeconômicos, diversidade de gênero, diversidade étnico-racial e representatividade territorial. O objetivo é ampliar a presença de diferentes realidades sociais dentro de uma formação que discute justamente quem terá condições de participar da construção do futuro tecnológico.

A iniciativa também pretende que os participantes atuem como multiplicadores de conhecimento em suas próprias comunidades. Para Kamila Camilo, diretora executiva do Instituto Oyá, a proposta está relacionada à necessidade de enfrentar as desigualdades produzidas pelo acesso desigual à tecnologia.

“A assimetria no acesso às tecnologias é uma das faces mais perversas da desigualdade moderna.”

Segundo Kamila, o objetivo do programa é ir além de um letramento digital passivo e possibilitar que os jovens tenham condições de utilizar a inteligência artificial para desenvolver respostas relacionadas às necessidades de seus territórios, especialmente diante dos desafios socioambientais e das transformações econômicas.

Tecnologia a serviço do território

A parceria entre Instituto Oyá e SOMAS combina experiências diferentes dentro do campo da inovação. De um lado, o Instituto Oyá atua com justiça climática, educação ambiental e inovação social. Do outro, a SOMAS trabalha com a democratização do conhecimento tecnológico.

Essa combinação está presente na metodologia do Autonom.IA, que adota a pedagogia da autonomia como uma de suas bases. Para Camila Achutti, conselheira do Instituto Oyá e cofundadora da SOMAS, o pensamento crítico precisa acompanhar o desenvolvimento das habilidades técnicas.

A proposta, portanto, não é formar jovens que simplesmente saibam escrever um bom prompt ou utilizar uma plataforma de IA. É estimular uma geração capaz de questionar os dados, reconhecer vieses, identificar problemas e decidir de maneira consciente como a tecnologia pode ser utilizada.

Quando inclusão digital significa poder criar

A chegada da inteligência artificial ao cotidiano abriu uma nova frente para o debate sobre desigualdade. Se, em um primeiro momento, a preocupação estava principalmente relacionada a quem tinha ou não acesso à internet, agora surge outra questão: quem tem conhecimento, ferramentas e oportunidade para participar da criação do futuro tecnológico?

O Autonom.IA nasce dentro desse debate.

Ao colocar jovens de escolas públicas no centro de uma formação que combina IA, ética, pensamento crítico, inovação e questões socioambientais, o projeto propõe que esses estudantes não sejam apenas espectadores das transformações provocadas pela tecnologia.

A expectativa é que os 30 participantes possam levar o conhecimento adquirido para seus territórios e transformar problemas identificados em suas comunidades em pontos de partida para novas ideias.

Como resume a proposta do programa, trata-se de pensar em uma “tecnologia que serve ao território”, e não o contrário.

Serviço | Autonom.IA

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente pelo ecossistema digital do projeto, em autonomia.community. O programa oferece 30 vagas integrais para jovens de 14 a 18 anos, matriculados na rede pública de ensino ou bolsistas integrais da rede privada, na Região Metropolitana de São Paulo.

A formação será realizada em modelo híbrido, com dois encontros presenciais, quatro módulos virtuais síncronos, atividades assíncronas e suporte digital. Os participantes também terão acesso a material didático e licença individual de ferramenta de inteligência artificial durante o programa.

Para acompanhar as atividades, é necessário que o estudante tenha acesso a notebook ou tablet próprio.

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Barbara Braga