3 de abril de 2025

Afri News

Gari que encontrou bebê em saco de lixo quer adotar criança: "Quero contar a história dela"

Caso aconteceu no Rio de Janeiro, na última terça-feira (1º)

• 02/04/2025
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Foto: Comlurb

O gari Samuel da Silva Santos, que encontrou um bebê dentro de uma sacola de lixo na Zona Norte do Rio de Janeiro na última terça-feira (1º), afirmou que pretende iniciar o processo de adoção da criança. O trabalhador, que tem dois filhos de 14 e 10 anos, disse que nunca havia pensado em adotar, mas mudou de ideia após o ocorrido.

Segundo Samuel, sua família já começou a se preparar para receber a menina. “Os irmãos já estão separando um quarto da casa para ela. Falei para eles que tem que esperar, tem muito trabalho para acontecer. Minha esposa achou que era só trazer a bebê para casa e eu tive que avisar que não pode levar para casa sem passar pela Justiça. ‘Nós vamos adotar?’, ela me perguntou quase que afirmando”, relatou Samuel ao veículo g1.

O gari explicou que um dos principais motivos que o levam a querer adotar a criança é a história do resgate. “Eu quero contar a história de como ela foi encontrada, para que ela não fique perdida no mundo. Mas, por enquanto, vou esperar todos os procedimentos para entrar com o pedido”, afirmou.

Processo de adoção segue trâmites legais

A Justiça do Rio de Janeiro esclareceu que o processo de adoção não é imediato. Primeiro, a Vara da Infância e da Juventude encaminha o bebê para uma unidade de acolhimento, enquanto são feitas buscas por familiares que possam assumir a guarda da criança.

“Por determinação legal, antes de encaminhar uma criança ou adolescente à adoção, é necessário esgotar as possibilidades de (re)inserção familiar”, informou a Justiça.

Somente após a conclusão dessas etapas, caso nenhum responsável seja encontrado ou a família não queira assumir a guarda, o processo de adoção pode ser iniciado.

Um resgate emocionante

Anderson Nunes, outro gari que estava presente no momento do resgate, descreveu a situação como uma das mais marcantes de seus 16 anos de trabalho na Comlurb.

“Eu já vivi enchente, desabamento, protesto. Mas estar em uma situação dessas em que você salva vidas é emocionante demais. Demos o nome de Vitória para a bebê, porque é isso que ela é. Vamos torcer para que encontrem a família dela. Se encontrar, vou estar visitando, independentemente de qualquer coisa”, disse Anderson.

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