Cultura
Djonga e Ana Elisa participam do Podpah nesta sexta-feira em episódio sobre política e conscientização
Às vésperas do segundo turno presidencial, rapper mineiro e deputada federal eleita se encontram no podcast para uma conversa sobre política, conscientização e o papel da comunicação na mobilização pública
O rapper Djonga e a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) são os próximos convidados do Podpah. O episódio será exibido nesta sexta-feira, 16 de outubro, às 15h, com apresentação de Igão e Mítico. A conversa terá como foco política e conscientização, em um período marcado pela disputa eleitoral e pela participação de artistas e criadores de conteúdo no debate público.
O encontro acontece nove dias antes do segundo turno da eleição presidencial, previsto para 25 de outubro, e reúne duas figuras mineiras com trajetórias diferentes, mas que utilizam a comunicação para abordar questões sociais e políticas. Djonga construiu sua carreira a partir do rap, enquanto Ana Elisa ganhou projeção nacional por meio das redes sociais e acaba de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Quem é Ana Elisa, a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara
Aos 21 anos, Ana Elisa Santos Silva foi eleita deputada federal por Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com 524.219 votos nas eleições de 4 de outubro de 2026. Mulher negra, natural de Divinópolis e estudante de Direito, ela se tornou a mulher mais votada da história do estado para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.
Antes de conquistar uma cadeira no Congresso Nacional, Ana Elisa já reunia milhões de seguidores nas redes sociais. Seus vídeos abordam temas como racismo, feminismo, educação, direitos sociais e política, com uma linguagem direcionada especialmente ao público jovem.
Sua trajetória política também tem relação com a atuação sindical. Segundo relatos da própria Ana Elisa, ela começou a se aproximar da política ao acompanhar a mãe em atividades de um sindicato. Antes da eleição, trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG).
Durante a campanha eleitoral, a candidata utilizou as plataformas digitais para apresentar suas pautas e dialogar com eleitores. Entre as propostas defendidas estão o fim da escala de trabalho 6×1, a redução da jornada sem diminuição salarial, a proteção de trabalhadores de aplicativos e a ampliação de recursos para universidades e institutos federais. Ela também defende políticas de igualdade racial e de gênero.
Após o primeiro turno, Ana Elisa passou a colaborar com a comunicação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a etapa final da eleição, levando sua experiência com conteúdos digitais para a disputa.
A projeção pública da deputada eleita também veio acompanhada de episódios de violência política. Em outubro, ela denunciou ter recebido ameaças de morte e violência sexual, com conteúdo racista e misógino. O caso mobilizou autoridades e levou a pedidos de investigação e de medidas de proteção.
Djonga leva o rap mineiro ao debate político
Nascido em Belo Horizonte, Gustavo Pereira Marques, conhecido como Djonga, é um dos nomes do rap brasileiro cuja produção aborda racismo, desigualdade social, identidade negra e relações de poder. Além da música, o artista participa de debates e manifestações públicas sobre questões políticas e sociais.
Sua trajetória musical começou a ganhar forma no início da década de 2010, em saraus de poesia e na cena independente de Belo Horizonte. O contato com esses espaços culturais contribuiu para sua aproximação com o rap e com a tradição de expressão política presente no hip-hop.
Em 2017, Djonga lançou o álbum Heresia, trabalho que ampliou sua projeção no cenário nacional. Ao longo da carreira, também lançou projetos como Ladrão e Dono do Lugar, mantendo em sua discografia temas ligados à experiência da população negra, às desigualdades brasileiras e à realidade das periferias.
O artista também alcançou reconhecimento internacional. Em 2020, tornou-se o primeiro rapper brasileiro indicado ao BET Hip Hop Awards, na categoria de melhor artista internacional. Sua atuação cultural foi reconhecida ainda pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que o homenageou em maio de 2026 por sua contribuição à música, à cultura mineira e à valorização da população negra.
Na atual campanha eleitoral, Djonga voltou a se manifestar publicamente. Em 9 de outubro, participou de uma mobilização estudantil em Belo Horizonte em apoio à candidatura de Lula no segundo turno. Em entrevista ao Brasil de Fato durante o ato, o rapper defendeu a importância da democracia como condição para que a sociedade possa questionar quem está no poder e expressar discordâncias.
Política, cultura e comunicação no Podpah
A presença de Djonga e Ana Elisa no mesmo episódio aproxima dois campos que têm se cruzado com frequência no debate público: a cultura hip-hop e a comunicação política nas redes sociais.
De um lado, Djonga construiu uma carreira musical em que temas sociais e políticos aparecem em letras, entrevistas e manifestações públicas. De outro, Ana Elisa transformou sua atuação como criadora de conteúdo em uma campanha eleitoral que resultou em uma votação expressiva e em sua eleição para a Câmara dos Deputados.
A participação dos dois também ocorre em um momento em que as plataformas digitais ocupam espaço importante na circulação de informações políticas, na apresentação de propostas e na mobilização de diferentes públicos. O alcance de artistas e criadores de conteúdo faz com que suas manifestações sejam acompanhadas para além dos espaços tradicionais da política e da música.
Segundo a divulgação do programa, o episódio terá como foco política e conscientização. Os temas específicos que serão discutidos pelos convidados não foram detalhados previamente.
Quando assistir ao Podpah com Djonga e Ana Elisa?
O episódio será exibido nesta sexta-feira, 16 de outubro, às 15h, com apresentação de Igão e Mítico. A transmissão poderá ser acompanhada pelos canais oficiais do Podpah.




