15 de outubro de 2026

Representatividade

Denga Love: quatro anos conectando pessoas negras e transformando relações

Criado para conectar pessoas negras, aplicativo celebra trajetória marcada por histórias de amor, pertencimento e famílias construídas a partir de encontros iniciados na plataforma

Barbara Braga | 15/10/2026
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Uma conversa virtual pode se transformar em uma viagem de centenas de quilômetros, uma mudança de cidade, um casamento ou até no nascimento de uma família. Essa é a trajetória que o Denga Love celebra ao completar quatro anos de funcionamento. O aplicativo de relacionamento voltado a pessoas negras afirma já ter contribuído para a formação de mais de 10 mil casais, mil casamentos e 60 bebês nascidos de relacionamentos que começaram na plataforma.

Os números dão dimensão ao alcance do projeto, mas são as histórias por trás deles que ajudam a entender a proposta do aplicativo. Entre os relatos compartilhados estão os de pessoas que atravessaram estados para ficar juntas, viajaram mais de 200 quilômetros para o primeiro encontro e até reencontraram amores que faziam parte de suas lembranças da infância.

O Denga Love busca criar um espaço em que pessoas negras possam se reconhecer, compartilhar experiências e viver o afeto com liberdade. A proposta coloca a representatividade no centro da experiência de se relacionar, em um ambiente pensado para quem procura conexões que vão além de interesses em comum.

A experiência pessoal que deu origem ao Denga Love

A ideia de criar o aplicativo surgiu muito antes de seu lançamento. Em 2012, enquanto cursava Sistemas de Informação, Fillipe Dornelas já pensava em desenvolver uma plataforma de relacionamento. Com o tempo, suas próprias experiências nos aplicativos disponíveis no mercado deram outro sentido ao projeto.

Ao perceber a dificuldade de encontrar ambientes em que pessoas negras se sentissem representadas e ao vivenciar situações de rejeição e preconceito, o empreendedor começou a amadurecer a ideia de construir uma plataforma afrocentrada.

“Quando comecei a pensar no Denga, eu queria resolver uma questão que eu mesmo tinha vivido. Não era simplesmente criar mais um aplicativo de relacionamento. Era criar um lugar em que pessoas negras pudessem se reconhecer, se sentir desejadas e perceber que existiam outras pessoas procurando o mesmo tipo de conexão”, afirma Fillipe Dornelas, CEO do Denga Love.

A partir de 2018, o projeto começou a ganhar forma. Durante a pandemia, a necessidade de criar esse espaço se tornou ainda mais evidente. Em 2022, Fillipe decidiu tirar a ideia do papel, investiu recursos próprios e lançou oficialmente o aplicativo em outubro daquele ano.

Desde então, o Denga Love vem construindo uma comunidade que associa tecnologia e relacionamentos à identificação, valorização e pertencimento. A proposta parte da compreensão de que encontrar alguém com referências e vivências semelhantes pode contribuir para relações em que as pessoas se sintam acolhidas e desejadas.

Quando o encontro virtual vira vida real

Ao completar quatro anos, o aplicativo destaca histórias que mostram como uma conexão iniciada pelo celular pode ganhar novos caminhos. Casais que enfrentaram a distância, pessoas que mudaram de cidade e famílias que começaram a partir de um encontro na plataforma compõem os relatos reunidos ao longo da trajetória do projeto.

“Quando a gente começou, talvez não fosse possível imaginar a dimensão que isso poderia tomar. Hoje, quando recebemos histórias de pessoas que se conheceram no Denga, viajaram para se encontrar, mudaram de cidade, se casaram ou construíram uma família, entendemos que estamos falando de algo muito maior do que um aplicativo. Estamos falando de pessoas que encontraram um espaço onde puderam se enxergar e acreditar que também poderiam viver essas histórias”, diz Fillipe.

Os relatos reforçam a proposta de criar um ambiente em que a experiência de se relacionar esteja ligada também à possibilidade de ser reconhecido e valorizado. Nesse contexto, representatividade não aparece apenas como uma característica da plataforma, mas como parte da maneira pela qual o projeto pretende aproximar pessoas e incentivar novas histórias.

Quatro anos de amor preto e pertencimento

A trajetória do Denga Love também evidencia a importância de iniciativas que reconhecem as particularidades das experiências afetivas de pessoas negras. Ao propor um espaço afrocentrado, o aplicativo busca ampliar as possibilidades de encontro e fortalecer uma comunidade em torno do amor preto.

Para Fillipe, chegar ao quarto aniversário representa a confirmação da importância de insistir em uma ideia que nasceu de uma necessidade pessoal e que, ao longo do tempo, passou a fazer parte da vida de milhares de pessoas.

“Chegar aos quatro anos é olhar para tudo isso e ter a certeza de que o Denga precisava existir. Tivemos coragem para criar um espaço que não estava pronto, para acreditar em uma ideia que nasceu de uma necessidade real e para continuar mesmo quando não era fácil. Hoje, cada casal, cada casamento, cada família que nasceu daqui mostra que estávamos certos em não desistir”, afirma o fundador.

Ele também destaca que a trajetória não termina com os resultados alcançados até agora. A intenção é continuar ampliando as possibilidades de conexão e ajudando novas histórias a começarem.

Ao completar quatro anos, o Denga Love celebra não apenas os encontros que aconteceram dentro do aplicativo, mas também tudo o que veio depois deles: relacionamentos, casamentos, reencontros e famílias. Histórias que mostram como a criação de espaços de identificação pode contribuir para que pessoas negras se reconheçam, se escolham e vivam o amor de maneiras diversas.

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Barbara Braga